Chegar à sexta produção de uma franquia de terror é um feito notável na indústria do cinema, já que muitas sagas perdem o fôlego bem antes de alcançar essa marca. Quinze anos após o início da franquia idealizada por Leigh Whannell e James Wan, chega aos cinemas nacionais Sobrenatural: Agora Entre Nós (2026). O longa, que se passa algumas semanas após os acontecimentos de Sobrenatural: A Porta Vermelha, tenta trazer frescor aos corredores escuros do Além.
Desta vez, a conhecida família Lambert é deixada em segundo plano, dando espaço para uma nova narrativa focada em uma dinâmica familiar diferente e em traumas do passado que atravessam gerações. A premissa central é instigante e expande a mitologia de forma bastante honesta, embora o desenvolvimento da história eventualmente esbarre em problemas de ritmo e de tom.
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A nova dinâmica: de vítimas a mensageiras
A trama acompanha Gemma (Amelia Eve), uma higienista dental que vive com sua filha pequena, Maya (Island Austin), na mesma residência de sua infância. Esse lar é marcado pela dolorosa lembrança de sua mãe, Ingrid (Laura Gordon), que tirou a própria vida na frente da protagonista quando esta ainda era criança.
Ao tentar oferecer uma vida segura para sua filha, Gemma passa a ter pesadelos realistas e perturbadores que começam a afetar sua energia cotidiana.
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O dom da mensageira
A grande reviravolta na mitologia de Sobrenatural ocorre quando Gemma descobre que não está apenas sonhando. Ela é uma “Mensageira” (ou Courier, no original), uma médium de grande poder capaz de se projetar no Além enquanto dorme.
O diferencial assustador desse dom é que ela consegue trazer elementos e entidades do plano espiritual de volta para o mundo físico, invertendo a lógica tradicional da franquia de apenas viajar para o outro lado. Para piorar, sua filha Maya herda essa mesma habilidade, transformando ambas em alvos cobiçados por forças sombrias que querem invadir de vez a nossa realidade.

O antagonista e a infiltração no subúrbio
Diferente dos demônios clássicos da saga, o vilão principal desta vez é Cyrus Lam (Sam Spruell), uma figura nefasta que em vida agiu como um líder de seita obcecado pelo pós-morte. Ele chegou a cometer suicídio para provar suas teorias sobrenaturais, e agora, preso no Além, planeja usar os poderes de Gemma e Maya para cruzar a barreira física com todos os seus seguidores mortos.
Para alcançar esse objetivo, um bizarro trio de perseguidores que serve a Cyrus infiltra-se no subúrbio onde a família mora, induzindo o sono nas vítimas para forçá-las a entrar no plano astral.
O que funciona e o que escorrega no roteiro
A direção e o roteiro do longa ficam por conta de Jacob Chase (conhecido por Come Play), que desenvolveu o roteiro com base em um argumento de David Leslie Johnson-McGoldrick. Chase faz um trabalho esteticamente sofisticado, sendo considerado por parte da crítica como o filme visualmente mais refinado da série. Ele utiliza com habilidade diferentes vertentes do terror.
Há sequências que mimetizam o estilo de filmagem encontrada (found footage), uso dinâmico de câmera na mão e até inserções de body horror agoniantes (como as cenas que se passam em um consultório dentário e dentro de um sofá). Os espaços limiares, tendência recente no terror contemporâneo, também são bem explorados para criar desespero visual.
O ritmo e a perda de tensão constante
Apesar das inovações estéticas, o texto de Jacob Chase sofre com algumas fragilidades. O roteiro por vezes se foca excessivamente em explicações didáticas sobre a mitologia e em diálogos previsíveis, o que faz com que a tensão constante e sufocante dos primeiros filmes se perca no miolo da história.
A discussão profunda sobre trauma geracional e a superação de perdas familiares acaba sendo deixada de lado para dar espaço a aparições rápidas de entidades consagradas de filmes passados, gerando um sentimento de que o filme se apoia demais em clichês e no fator financeiro das bilheterias.
O retorno de Elise Rainier e o desempenho do elenco
Quem realmente sustenta as pontas dramáticas do filme é Amelia Eve (revelada na série A Maldição da Residência Hill). A atriz entrega uma atuação dedicada e realista, construindo de forma gradual e dolorosa a deterioração psicológica de Gemma perante os ataques sobrenaturais.
A mentora do Além
O retorno de Lin Shaye como a icônica médium Elise Rainier é, sem dúvidas, um dos pontos mais comemorados. Como Elise está morta desde o primeiro longa, ela atua no Além como mentora espiritual de Gemma.
Desta vez, sua personagem ganha uma nova dinâmica ao demonstrar a habilidade de possuir corpos de pessoas vivas para conseguir se comunicar diretamente no plano terreno. A jovem atriz Maisie Richardson-Sellers interpreta a personagem que serve como canal físico para essa possessão de Elise, desempenhando um papel crucial no desenvolvimento da trama.
No clímax da história, enquanto o namorado de Gemma, Nick (Brandon Perea), tenta deter fisicamente os acólitos de Cyrus no mundo real, Gemma e Elise unem forças no Além para conter as entidades invasoras. Em uma sequência milagrosa e desesperadora, elas conseguem mandar os mortos de volta, culminando na rebelião dos próprios seguidores de Cyrus Lam, que o despedaçam após perceberem que sua promessa de fuga terrena falhou.
Crítica: Sobrenatural: Agora Entre Nós é bom?
Para quem busca os sustos clássicos da marca e deseja ver uma expansão interessante de sua mitologia, o longa oferece bons momentos de diversão e tensão.
Há inclusive uma cena pós-créditos intrigante que mostra Cyrus Lam sofrendo punições bizarras em uma cadeira de dentista no Além, sugerindo que o vilão pode retornar em possíveis sequências. Ou seja: há expectativas de sequências. Mas claro, tudo vai depender da bilheteria…
Ficha técnica
- Título Nacional: Sobrenatural: Agora Entre Nós
- Título Original: Insidious: Out of the Further / Insidious: The Bleeding World
- Data de Lançamento no Brasil: 20 de agosto de 2026
- Duração: 106 minutos
- Classificação Indicativa: 14 anos
- Gênero: Terror, Suspense
- Direção: Jacob Chase
- Roteiro: Jacob Chase (Screenplay), baseado em história de David Leslie Johnson-McGoldrick (créditos de criação da franquia por Leigh Whannell)
- Produção: James Wan, Leigh Whannell, Jason Blum e Oren Peli
- Estúdio: Atomic Monster, Blumhouse, Sony Pictures e Screen Gems
- Elenco Principal:
- Amelia Eve como Gemma
- Island Austin como Maya
- Lin Shaye como Elise Rainier
- Sam Spruell como Cyrus Lam
- Brandon Perea como Nick
- Maisie Richardson-Sellers como a jovem possuída por Elise
- Laura Gordon como Ingrid
- Joseph Lopez
















