Sabe aquela série que te abraça como um cobertor quente em um dia de chuva? É exatamente essa a sensação de maratonar Sullivan’s Crossing. Muitas vezes comparada a sucessos como Virgin River, Heartland e Doces Magnólias, a produção baseada nos livros de Robyn Carr retorna para sua segunda temporada provando que é muito mais do que apenas um romance fofinho com belas paisagens no Canadá.
Comandada pela showrunner Roma Roth, a nova leva de episódios — que chegou ao streaming pelo Globoplay — mergulha de cabeça na vulnerabilidade dos seus personagens. Se a primeira temporada serviu para nos apresentar à pacata cidade de Timberlake, na Nova Escócia, a segunda chega para mostrar que até os refúgios mais tranquilos guardam tempestades emocionais devastadoras.
Sinopse
A trama da segunda temporada retoma exatamente do ponto de tensão onde fomos deixados: Maggie Sullivan (Morgan Kohan) adia seu retorno para Boston ao descobrir que seu pai, Sully (Scott Patterson), teve um grave problema de saúde. O que inicialmente parecia ser Alzheimer, revela-se como encefalopatia de Wernicke, uma deficiência vitamínica ligada ao seu grave alcoolismo.
Como se lidar com a saúde frágil do pai e o risco iminente de perder o acampamento da família para um investidor inescrupuloso chamado Glenn não fosse o bastante, Maggie ainda descobre que está grávida do seu ex-namorado, o insuportável Andrew. Em meio ao caos, ela precisa decidir que rumo dar à sua vida profissional, além de lidar com seus sentimentos cada vez mais profundos por Cal Jones (Chad Michael Murray), que tem seus próprios fantasmas do passado para enfrentar.
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Crítica da temporada 2 de Sullivan’s Crossing
O peso do passado e a jornada de redenção de Sully
Se tem alguém que rouba a cena nesta temporada, esse alguém é Scott Patterson. A forma crua e sensível com a qual a série aborda o alcoolismo de Sully é um dos grandes acertos do roteiro. Ele não é apenas um homem teimoso; é alguém que luta diariamente contra seus próprios demônios.
O grande arco de Sully gira em torno de sua culpa e de sua generosidade excessiva. Descobrimos que seus problemas financeiros não vêm de irresponsabilidade, mas do fato de ele ter passado anos ajudando as pessoas de Timberlake, sem cobrar nada em troca. Além disso, a série nos entrega uma reviravolta de cair o queixo envolvendo Lola (Amalia Williamson).
Depois de anos carregando a culpa e o peso financeiro por achar que causou o atropelamento da garota, a própria Lola recupera a memória no local do acidente e percebe que o carro que a atingiu não era o de Sully. É o tipo de drama humano e familiar que traz uma carga emocional fortíssima para a tela.

O coração dividido de Maggie e o “elefante na sala”
A evolução de Maggie é nítida. Se no primeiro ano ela nos frustrava com atitudes imaturas e autossabotagem, agora vemos uma mulher tentando ouvir menos a razão e mais o coração, como bem definiu a atriz Morgan Kohan. Ela finalmente percebe que a influência de seu padrasto Walter (Peter Outerbridge) — que se revelou o verdadeiro culpado pelas fraudes financeiras em Boston — não era o que ela precisava. Em Timberlake, Maggie é simplesmente uma pessoa melhor.
Ela finalmente dá um basta no arrogante Andrew (que passou tempo demais decidindo o futuro dela sem consultá-la) e escolhe Cal. O problema? O grande “elefante na sala” é que Cal já deixou claro que não quer ter filhos, e Maggie está esperando um bebê de outro homem. A química entre Morgan Kohan e Chad Michael Murray continua inegável, mas a série acerta ao não transformar a relação em um conto de fadas instantâneo. Eles vão precisar de muita maturidade para fazer isso funcionar.
A força dos coadjuvantes e uma comunidade que pulsa
O que faz de Sullivan’s Crossing uma excelente herdeira espiritual de Everwood é a forma como trata seus personagens secundários. A chegada de novos rostos, como Alysa Mackenzie (Michelle Nolden), que ajuda Connie (Lauren Hammersley) a explorar sua sexualidade, e de Sedona (Meghan Ory), a irmã de Cal, movimentam muito a trama. O arco de Sedona rendeu até um momento meio Hannibal, quando Maggie a faz desenhar um relógio para diagnosticar um teratoma que estava afetando seu cérebro.
Também vale destacar Sydney (Lindura), que vai a Nova York não para retomar a carreira de modelo, mas para confrontar e desmascarar as manipulações de seu ex, David, voltando de cabeça erguida para os braços de Rafe (Dakota Taylor). E, claro, a cena maravilhosa em que a cidade inteira se une no leilão para salvar o acampamento de Sully, provando que o bem que você faz ao mundo sempre volta para você.
Vale a pena ver Sullivan’s Crossing?
A temporada 2 de Sullivan’s Crossing prova que a série encontrou sua própria identidade. Ela equilibra com maestria os visuais deslumbrantes da Nova Escócia com discussões profundas sobre mortalidade, vícios, perdão e legado.
Mas vamos combinar: aquele gancho final foi pura maldade com os fãs! O incêndio misterioso no restaurante de Rob, seguido por uma explosão com Sully aparentemente preso lá dentro tentando salvar Finn, é de deixar qualquer um sem unhas.
Resta-nos agora aguardar ansiosamente pela terceira temporada para saber como a cidade vai se reerguer das cinzas e se os recomeços tão sonhados por nossos personagens favoritos finalmente se concretizarão.
Onde assistir à série Sullivan’s Crossing?
- Globoplay
Trailer da temporada 2 de Sullivan’s Crossing
Elenco da série Sullivan’s Crossing
- Morgan Kohan (Maggie Sullivan)
- Scott Patterson (Sully Sullivan)
- Chad Michael Murray (Cal Jones)
- Tom Jackson (Frank Cranebear)
- Andrea Menard (Edna Cranebear)
- Amalia Williamson (Lola)
Ficha Técnica
- Título: Sullivan’s Crossing – Um Lugar para Recomeçar (2ª Temporada)
- Criadora / Showrunner: Roma Roth
- Baseado na obra de: Robyn Carr
- Gênero: Drama / Romance















