X-Men 97 6 episódio 2 temporada (1)

‘X-Men ’97’ (2×06): série abandona os anos 90 e abraça os quadrinhos dos anos 2000 em episódio genial

Foto: Disney+ / Divulgação
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Depois de um quinto episódio que dividiu opiniões e pareceu atropelar um pouco as coisas, a temporada 2 de X-Men ’97 volta aos trilhos com força total em “Danger.exe”. Sabe aquele tipo de episódio que te prende na cadeira do início ao fim? É exatamente o que temos aqui.

O que mais impressiona é como a série está, aos poucos, deixando a estética puramente nostálgica dos anos 90 para trás e mergulhando de cabeça nas aclamadas fases dos quadrinhos do início dos anos 2000.

Ao misturar elementos da fase New X-Men de Grant Morrison com a aclamada (porém polêmica) Astonishing X-Men de Joss Whedon, a animação nos entrega 30 minutos repletos de peso emocional, dilemas familiares e uma virada de roteiro que vai dar o que falar.

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Sinopse

O episódio começa com um Charles Xavier consumido pelo luto, usando a Sala de Perigo da mansão para reviver repetidamente a morte de Magneto no Egito Antigo como uma espécie de terapia autodepreciativa. O problema é que a inteligência artificial do sistema absorve essa carga, ganha consciência, burla os protocolos de segurança e se transforma na letal vilã Danger (Perigo).

Em paralelo, acompanhamos Polaris (Lorna Dane) sendo expulsa da equipe governamental X-Factor após quase matar extremistas anti-mutantes. De volta à Mansão X, ela precisa confrontar a sombra de seu pai, Magneto, para liberar todo o seu potencial e ajudar os X-Men a derrotar Danger nas ruínas de Genosha. O episódio culmina com Xavier fundando a X-Corp para atuar fora da jurisdição americana e, na cena pós-créditos, vemos Apocalipse ressuscitando Gambit como o seu novo Cavaleiro da Morte.

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Crítica do episódio 6 da temporada 2 de X-Men ’97

A dor como verdadeiro motor narrativo

O que faz X-Men ’97 brilhar não são apenas os poderes espalhafatosos, mas a forma como a série lida com o trauma. O roteiro acerta em cheio ao colocar o luto como o tema central deste episódio. É doloroso, mas fascinante, ver Charles Xavier, que sempre foi o pilar de sabedoria da equipe, falhando consigo mesmo. Ele usa a tecnologia de simulação quase como uma automutilação psicológica para tentar processar a perda de seu maior amigo e rival.

Esse mesmo luto reflete diretamente na jornada de Polaris. O desenvolvimento da filha do Magneto aqui é um dos pontos mais altos da temporada. A série desenha muito bem o conflito da personagem: ela queria fugir do legado “terrorista” do pai tentando ser uma mutante “comportada” trabalhando para o governo no X-Factor, mas percebe que a burocracia humana não está nem aí para a proteção da sua espécie. Quando ela aceita que parte da força e da revolta do Magneto também vivem nela, a explosão de seus poderes magnéticos para salvar a equipe é catártica.

X-Men 97 episódio 6 temporada 2
Foto: Disney+ / Divulgação

O nascimento de Danger e a vibe dos anos 2000

A chegada da vilã Danger traz toda aquela atmosfera fantástica da HQ Astonishing X-Men (sem carregar a bagagem problemática dos bastidores de seu criador). Ver a sala de treinamento que educou os X-Men por anos se voltar contra eles, usando os medos extraídos do subconsciente pelo Cérebro, rende uma ameaça de dar arrepios.

Se formos ser um pouco críticos, a origem da Danger sofreu um pouco com o ritmo acelerado de um episódio de meia hora. Nos quadrinhos originais, há todo um debate ético mais denso, pois Xavier sabia que a IA tinha ganhado consciência e a manteve escravizada mesmo assim, o que abala a confiança da equipe nele. A animação suavizou essa parcela de culpa do Professor, provavelmente para não lotar a história e para mantê-lo como uma bússola moral menos questionável neste momento. Apesar de apressada, a vilã serve perfeitamente ao propósito de obrigar nossos heróis a evoluírem.

Também vale destacar o espetáculo que foi ver o Instituto Xavier finalmente funcionando como uma escola de verdade. A cena em que os novos alunos da Geração X — com destaques sensacionais para Quentin Quire usando a camisa “Magneto Estava Certo”, Chamber e Doop — enchem os corredores, injeta um espírito de juventude e rebeldia fenomenal. Para coroar essa homenagem aos quadrinhos de Grant Morrison, ver a equipe vestindo os trajes icônicos de couro e motoqueiro criados por Frank Quitely é um deleite para qualquer fã de longa data.

A X-Corp e o futuro sombrio

A decisão final de Charles Xavier de abandonar a neutralidade pacífica e instaurar a X-Corp em Genosha é um golaço da narrativa. É o Professor entendendo que as regras do jogo mudaram após os ataques do governo americano. Ele agora peita as nações humanas usando o poder do capitalismo internacional. A ideia de dividir a equipe — com alguns mutantes ensinando na escola e outros operando na X-Corp globalmente — abre um leque maravilhoso de possibilidades.

Mas se a política humana assusta, o lado sobrenatural paralisa. A cena final na Grécia é de quebrar o coração de qualquer fã. A profecia se cumpriu e Apocalipse trouxe nosso amado Gambit de volta, mas como o Cavaleiro da Morte. A série teve uma sacada genial ao transformar as clássicas cartas de pôquer que ele usava em macabras cartas de tarô (com foco nas cartas da Torre e da Morte), sinalizando uma mudança de lealdade devastadora para os próximos episódios.

Conclusão

“Danger.exe” não é apenas uma aula de como adaptar grandes arcos das HQs sem depender só de nostalgia; é um episódio maduro que explora os traumas de seus personagens em meio ao caos. Apesar de um ritmo acelerado que comprime histórias que mereciam mais tempo de tela, X-Men ’97 consegue costurar o luto de Xavier, o brilhante arco de aceitação de Polaris e uma fundação política gigantesca como a X-Corp em um pacote coeso e emocionante. Com Gambit agora no time inimigo, a série prepara o terreno para um final de temporada que promete não economizar em lágrimas e batalhas épicas. Resta saber se o coração dos fãs está pronto para o que vem a seguir.

Onde assistir à série X-Men ’97?

  • Disney+

Trailer da temporada 2 de X-Men ’97

YouTube player

Elenco de X-Men ’97, do Disney+

  • Ray Chase (Ciclope)
  • Jennifer Hale (Jean Grey)
  • Alison Sealy-Smith (Tempestade)
  • Cal Dodd (Wolverine)
  • Ross Marquand (Apocalipse / Professor X)
  • Matthew Waterson (Magneto)
  • Lawrence Bayne (Cable)

Ficha técnica

  • Série: X-Men ’97
  • Temporada: 2
  • Episódio: 6
  • Título do Episódio: Danger.exe
  • Elenco de voz em destaque: Ross Marquand (Professor X e Apocalipse), Carolina Ravassa (Polaris), Ray Chase (Ciclope), Jennifer Hale (Jean Grey), A. J. LoCascio (Gambit), Thomas Dekker (Quentin Quire)
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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