Talamasca A Ordem Secreta The Secret Order resenha crítica da série 2025

[CRÍTICA] ‘Talamasca: A Ordem Secreta’ tenta, mas tropeça na própria ambição

Foto: AMC / Divulgação
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A AMC tem se esforçado bastante para construir o seu “Universo Imortal” baseado na obra de Anne Rice. Depois do sucesso estrondoso de Entrevista com o Vampiro (que definiu um padrão altíssimo) e da recepção morna de As Bruxas de Mayfair, chegamos à terceira aposta: “Talamasca: A Ordem Secreta” (Talamasca: The Secret Order).

A expectativa era alta, afinal, a ideia de misturar o mundo sobrenatural com uma trama de espionagem estilo thriller parecia uma receita vencedora. No entanto, o resultado final deixa aquela sensação de que algo ficou pelo caminho.

Se você espera a paixão e a excentricidade das adaptações anteriores, talvez precise ajustar as expectativas. A série tem seus méritos, mas luta para encontrar sua própria identidade no meio de um roteiro que, muitas vezes, parece não saber para onde vai.

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Sinopse

A trama gira em torno de Guy Anatole (Nicholas Denton), um jovem recém-formado em direito que, durante o que parecia ser uma entrevista de emprego comum, acaba sendo recrutado por uma organização muito mais peculiar. Guy é um telepata/clarividente que passou a vida ouvindo sussurros e frases fragmentadas. Ele é abordado por Helen (Elizabeth McGovern), uma recrutadora elegante e misteriosa da Talamasca, uma agência de inteligência global que, em vez de monitorar terroristas, vigia vampiros, bruxas e demônios para manter o equilíbrio da sociedade.

A promessa de respostas sobre seu passado traumático e sobre sua mãe — que ele acreditava estar morta — leva Guy a aceitar o convite e mergulhar nesse mundo secreto. Ele é enviado para a sede da organização em Londres, onde acaba se envolvendo em uma busca por um arquivo perdido (o “752”) e cruza o caminho de Jasper (William Fichtner), um vampiro carismático e perigoso que parece saber mais sobre a Talamasca do que os próprios agentes.

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Resenha crítica da série Talamasca: A Ordem Secreta

A premissa de Talamasca é, no papel, fascinante: o que acontece nos bastidores de quem vigia os monstros? Porém, a execução varia entre momentos de brilho genuíno e longos trechos de tédio processual.

O problema do protagonista genérico

Vamos ser diretos: Guy Anatole é um problema. O personagem, que deveria ser o nosso “escolhido” inteligente e capaz, muitas vezes age de forma inconsistente. O roteiro o joga de um lado para o outro, fazendo-o parecer cínico, sincero, doce ou arrogante, dependendo apenas do que a cena exige naquele momento, sem uma construção de personalidade sólida.

Para piorar, Nicholas Denton (que é australiano) parece lutar visivelmente com o sotaque americano, o que tira a imersão. Ele é descrito por alguns como um herói genérico, e a falta de conexão emocional com ele faz com que, em vários momentos, a gente simplesmente não se importe com o que vai acontecer.

Talamasca The Secret Order A Ordem Secreta resenha crítica da série 2025 (1)
Foto: AMC / Divulgação

Os vampiros roubam a cena (felizmente)

Se o lado humano da Talamasca deixa a desejar, o lado sobrenatural é o que impede a série de afundar. O grande destaque é, sem dúvida, William Fichtner como o vampiro Jasper. Ele traz um magnetismo, um humor seco e uma presença de tela que a série desesperadamente precisa. Ele é assustador, sedutor e “camp” na medida certa — um vampiro que ama rock clássico e tem as melhores falas.

Outro ponto alto, embora breve, é a participação de Jason Schwartzman como o vampiro Burton no primeiro episódio; ele é excêntrico e divertido, injetando uma energia que faz falta no restante da temporada. Quando a série foca na dinâmica entre Guy e Jasper, ela ganha vida; quando volta para a burocracia da espionagem, o ritmo cai.

Ritmo lento e visual cinzento

A direção e a fotografia optaram por um tom “drab” (monótono), refletindo uma Londres cinzenta que, infelizmente, se traduz em uma experiência visual pouco estimulante. A ação muitas vezes acontece fora da tela, mostrando apenas o resultado, o que é frustrante para um thriller.

Além disso, os episódios individuais têm pouco conteúdo ou emoção, fazendo com que o espectador se pergunte por que continua assistindo. É aquela sensação de “hambúrguer que parece delicioso, mas tem gosto de papelão”: falta tempero, falta cor e falta a urgência que Entrevista com o Vampiro entrega tão bem.

Um roteiro que subestima o público

O texto sofre com diálogos que explicam o óbvio e seguram informações de forma irritante apenas para criar mistério artificial. A lógica que une uma cena à outra, às vezes, parece inexistente. E, para completar, a série insiste em explicar o que acabou de acontecer nos “curtas” pós-episódio, o que soa quase como um insulto à inteligência de quem assiste. A trama melhora no final, entregando um desfecho que amarra bem as pontas soltas, mas exige uma paciência que nem todo mundo terá.

Conclusão

Talamasca: The Secret Order está em um limbo curioso. É inegavelmente melhor produzida do que muitas séries genéricas por aí e tem um elenco de apoio (especialmente Fichtner e McGovern) que eleva o material. No entanto, ela fica muito aquém da genialidade de Entrevista com o Vampiro e perigosamente próxima da mornidão de As Bruxas de Mayfair.

Se você é fã do universo de Anne Rice ou gosta de tramas de espionagem com um toque sobrenatural, vale o “play”, mas vá preparado para um ritmo lento e um protagonista que demora a engrenar. A série tem potencial e a esperança é que, se renovada, consiga focar no que funcionou (os vampiros e a manipulação psicológica) e corrigir o que falhou (o ritmo arrastado e a falta de carisma do herói).

Onde assistir à série Talamasca: A Ordem Secreta?

Trailer de Talamasca: The Secret Order (2025)

YouTube player

Elenco de Talamasca: A Ordem Secreta (The Secret Order)

  • Nicholas Denton
  • Celine Buckens
  • Maisie Richardson-Sellers
  • William Fitchner
  • Elizabeth McGovern
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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