Se você acompanhou a jornada brutal, cínica e sangrenta de The Boys no Prime Video, sabe que a adaptação comandada pelo showrunner Eric Kripke nunca teve medo de chocar. No entanto, desde o início, Kripke deixou claro que a série de TV não seria uma cópia fiel da obra original escrita por Garth Ennis e desenhada por Darick Robertson.
Com o lançamento do tão aguardado último episódio da quinta temporada, as promessas de Kripke de entregar um final “radicalmente diferente” e mais “emocionalmente satisfatório” se cumpriram. Enquanto a espinha dorsal de derrubar o Capitão Pátria (Homelander) permaneceu, os caminhos tomados — e o destino de nossos personagens favoritos — foram alterados drasticamente.
Abaixo, destrinchamos as principais diferenças entre o desfecho televisivo e o encerramento das HQs originais, formatado para tirar todas as suas dúvidas!
Como termina The Boys na HQ? Principais diferenças entre a série e os quadrinhos
Quem mata Homelander nos quadrinhos? A reviravolta do Black Noir que a série ignorou
Talvez a maior e mais famosa diferença de toda a franquia resida na verdadeira identidade do grande vilão. Nos quadrinhos, a maior reviravolta da trama é que o Capitão Pátria não é o responsável por algumas das piores atrocidades que acredita ter cometido (incluindo o estupro de Becca). Quem fez tudo isso foi Black Noir, que se revela ser um clone exato do Capitão Pátria, criado pela Vought como uma “arma de segurança” para matar o herói caso ele saísse do controle. É o clone do Black Noir quem acaba matando o Capitão Pátria nas HQs, antes de ser finalizado por Billy Bruto com um pé de cabra.
Na série do Prime Video, a ideia de clonagem foi descartada por soar “mágica demais” e tirar o peso de Capitão Pátria como antagonista principal. O desfecho na TV acontece no Salão Oval da Casa Branca, onde Capitão Pátria é imobilizado com a ajuda de seu filho Ryan e, em seguida, perde seus poderes após receber uma rajada de energia disparada por Kimiko. Patético e vulnerável, o vilão implora por misericórdia, mas Billy Bruto (agora sem poderes) esmaga seu crânio com o mesmo icônico pé de cabra, em rede nacional.
Billy Bruto vira o vilão final? O fim trágico nas telas contra o genocídio nos quadrinhos
Em ambas as mídias, a morte do Capitão Pátria não é suficiente para aplacar a raiva de Billy Bruto (Butcher). No entanto, as HQs elevam a loucura do personagem a outro patamar.
Nos quadrinhos, após derrotar os Supers, Bruto decide que todos aqueles que possuem o Composto V no sangue devem ser exterminados. Como os próprios membros do The Boys usam o composto para lutar nas HQs, Billy Bruto assassina brutalmente seus aliados: Leitinho (Mother’s Milk), Francês (Frenchie) e Kimiko. O confronto final ocorre entre ele e Hughie no Empire State Building, onde Bruto manipula e provoca Hughie até forçá-arlo a matá-lo, morrendo com um sorriso no rosto.
A série opta por um final menos cruel para os membros da equipe. Billy Bruto de fato rouba o vírus transmissível capaz de matar Supers e planeja soltá-lo através dos sprinklers na Torre da Vought. Contudo, antes de apertar o botão, Hughie o confronta. Em uma briga emocionante, Hughie atira em Bruto, que em seus momentos finais desiste do genocídio ao ver a semelhança de Hughie com seu falecido irmão Lenny. Ele morre serenamente nos braços do amigo, pedindo desculpas.

Quem morre e quem sobrevive? O banho de sangue da HQ x a esperança da série
O tom das duas obras dita exatamente quem consegue chegar vivo aos créditos finais:
- Nas HQs: Como citado anteriormente, o banho de sangue provocado por Bruto resulta nas mortes de Francês, Kimiko e Leitinho. Apenas Hughie e Luz-Estrela (Annie) sobrevivem a esse massacre, partindo para uma vida tranquila e anônima na Escócia.
- Na Série: A televisão entrega finais mais pacíficos. Embora Francês morra de forma heroica logo antes do clímax (sacrificando-se na trama), Leitinho sobrevive e se casa novamente com sua ex-esposa Monique. Kimiko recupera sua voz e viaja para a França com um cachorro para honrar a memória de Francês. Já Hughie e Luz-Estrela recusam empregos no governo e iniciam uma vida juntos: eles abrem uma loja de eletrônicos e terminam esperando uma bebê que se chamará Robin — uma bela homenagem à ex-namorada de Hughie morta no início da série.
O destino oposto de Ryan e Profundo
Dois personagens de extrema relevância no show tiveram seus caminhos completamente invertidos em relação às tintas originais:
- Ryan Butcher: Nas HQs, o filho do Capitão Pátria não tem arco de redenção nem chega a crescer. Ele mata Becca acidentalmente durante o parto e é violentamente morto por Billy Bruto logo em seguida. Na série, Ryan sobrevive, rejeita a crueldade do pai e também não aceita viver com Bruto, afastando-se para traçar seu próprio caminho.
- O Profundo (The Deep): Incrivelmente, nas HQs, o “herói” aquático é um dos únicos membros originais dos Sete a sobreviver ao fim da história, indo integrar um grupo diferente de Supers. Na série, ele recebe a famosa justiça poética: Luz-Estrela o arremessa no oceano, onde criaturas marinhas vingativas o destroçam, sendo sufocado pelo tentáculo de um polvo.
A adaptação de The Boys conseguiu um feito raro no entretenimento moderno: manteve a essência caótica, as críticas sociais pesadas e a subversão do material fonte, mas subverteu as expectativas até mesmo de quem sabia a história de cor e salteado.













