O cinema espiritualista brasileiro ganha uma de suas obras mais ambiciosas com a chegada de The Fox Sisters (2026), longa-metragem escrito, dirigido e produzido por Wagner de Assis. Conhecido nacionalmente por redefinir o gênero através de sucessos de bilheteria como a franquia Nosso Lar e a cinebiografia Kardec, o cineasta carioca cruza as fronteiras nacionais em uma coprodução internacional falada inteiramente em inglês e gravada entre os casarões históricos do Rio de Janeiro e fazendas do nordeste dos Estados Unidos.
O filme transporta o espectador para a fria Nova Iorque rual de 1848. Na pequena comunidade de Hydesville, barulhos secos, pancadas nas paredes e tremores sem explicação física começam a atormentar a residência da família Fox. O que parecia ser uma assombração doméstica converte-se no estopim de um movimento cultural e religioso de escala global: o Espiritualismo Moderno.
Com uma narrativa que mescla drama histórico, suspense e elementos sobrenaturais, The Fox Sisters coloca no centro da cena a relação entre três jovens mulheres — Kate Fox, Maggie Fox e Leah Fox — e o impacto avassalador que a superexposição pública, o preconceito religioso e a curiosidade científica exerceram sobre suas vidas particulares.
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Resumo do filme The Fox Sisters
A narrativa de The Fox Sisters estrutura-se a partir dos acontecimentos de março de 1848 na modesta fazenda de Hydesville. A família Fox, de fé metodista, é surpreendida por batidas ritmadas (rappings) que ecoam pelo assoalho e pelas paredes da casa. Diante do pavor de seus pais, John Fox e Margaret Fox, a caçula Kate Fox (vivida por Júlia Svacinna na adolescência e Marie McHugh na fase adulta) decide desafiar o fenômeno, propondo um código de comunicação. Ao estalar os dedos e pedir que a força invisível repita os golpes, Kate estabelece um diálogo inteligente com a entidade.
O espírito revela ser um caixeiro-viajante assassinado naquele mesmo imóvel anos antes, quando o local funcionava como uma hospedaria. A descoberta choca a comunidade local. Vizinhos, religiosos e curiosos lotam a residência para testemunhar as sessões. Temendo pela segurança das filhas em um ambiente rústico tomado pela intolerância religiosa — onde radicais exigem que as jovens sejam queimadas como bruxas —, a irmã mais velha, Leah Fox (interpretada por Jamie Hughes), interfere no processo.
Leah Fox, lecionadora de música residente em Rochester, percebe a dimensão do fenômeno e assume a gestão da carreira das irmãs mais novas. Maggie Fox (vivida por Sienna Belle na juventude e Sionne Elise na maturidade) junta-se a Kate em apresentações públicas. Com o auxílio do quacre Isaac Post (interpretado por Gustavo Pace), que organiza um método de alfabetização por batidas, as irmãs realizam demonstrações no icônico Corinthian Hall, em Rochester.
O filme acompanha a rápida transformação das jovens rurais nas figuras mais famosas da América do século XIX. No entanto, o preço do pioneirismo revela-se devastador. À medida que viajam pelo país lotando teatros, Maggie e Kate são submetidas a exaustivas investigações por comissões científicas e médicas céticas. O constante escrutínio, somado às pressões financeiras, à solidão e ao luto das famílias que buscavam consolo nas sessões, empurra as irmãs para o isolamento e para o vício em álcool, culminando em profundas fraturas interpessoais e familiares.
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Quem foram as Irmãs Fox: a história real que inspirou o filme
A história real que serve de alicerce para o roteiro de Wagner de Assis e Carolina Castro é um dos capítulos mais fascinantes e controversos da história moderna. Nascidas no Canadá e criadas no estado de Nova Iorque, Ann Leah Fox (1813–1890), Margaretta “Maggie” Fox (1833–1893) e Catherine “Kate” Fox (1837–1892) foram as catalisadoras diretas do Espiritualismo Moderno.
O episódio de 31 de março de 1848 em Hydesville deu origem à tiptologia (comunicação por batidas) e ao fenômeno das mesas girantes, que rapidamente cruzou o Oceano Atlântico e contagiou a Europa. Foi essa onda de manifestações que instigou o educador francês Hippolyte Léon Denizar Rivail a codificar o Espiritismo sob o pseudônimo de Allan Kardec, publicando O Livro dos Espíritos em 1857. Anos mais tarde, o renomado escritor escocês Sir Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes, dedicou capítulos inteiros de sua obra História do Espiritismo (1926) às Irmãs Fox, classificando os eventos de Hydesville como uma “nuvem psíquica” que alterou o pensamento ocidental.
A trajetória real das irmãs, contudo, foi marcada por tragédias pessoais. Maggie Fox viveu um romance dramático com o explorador e médico Dr. Elisha Kane (interpretado no filme por Freddie Hogan), que a pressionou a abandonar as práticas mediúnicas. Após a morte prematura de Kane, Maggie afundou em dificuldades financeiras e alcoolismo. Em 21 de outubro de 1888, pressionada por opositores, em grave crise financeira e em guerra aberta contra a irmã Leah Fox — que disputava a guarda dos filhos de Kate —, Maggie apresentou-se na Academia de Música de Nova Iorque e declarou que os sons eram uma fraude produzida pelo estalar das articulações dos dedos dos pés.
Contudo, a retratação não demorou. Em novembro de 1889, Maggie voltou atrás publicamente, afirmando que fora coagida e que agira motivada pelo desespero e pela intoxicação, reafirmando a autenticidade dos fenômenos mediúnicos. O filme de Wagner de Assis assume abertamente o compromisso de realizar uma reparação histórica, resgatando a dignidade e o papel de vanguarda dessas mulheres em uma sociedade estritamente patriarcal e conservadora.

Crítica do filme The Fox Sisters
Uma visão pessoal sobre fé, estética e cinema de época
Assistir a The Fox Sisters é ser confrontado por uma obra que não esconde suas convicções morais e espirituais. Como crítico de cinema, percebo que Wagner de Assis opera aqui em sua zona de maior conforto temático, mas busca expandir sua linguagem ao assumir uma estética vitoriana sóbria e elegante.
O longa-metragem não se propõe a ser um thriller cético nem um documentário imparcial; trata-se de um drama biográfico assumidamente alinhado à perspectiva espiritualista.
Busca por reparação e impasses do tom
Minha primeira reflexão sobre o filme reside no tom narrativo adotado. Wagner de Assis demonstra uma coragem cênica admirável ao expor as contradições e o lado obscuro da fama das irmãs — incluindo a confissão pública de fraude e as brigas internas devastadoras —, elemento que muitas obras hagiográficas preferem ignorar. A construção do ambiente oitocentista ganha pontos valiosos através da fotografia de Janice D’Avila, que utiliza tons acolhedores e iluminação à base de velas para criar uma atmosfera intimista durante as sessões mediúnicas.
Por outro lado, o roteiro por vezes desliza em excessos melodramáticos que remetem à estrutura folhetinesca de telenovelas de época. Em determinados momentos, a oposição social e religiosa é retratada de forma caricatural — como nas cenas em que multidões enfurecidas empunham tochas. A opção do diretor por eliminar a dúvida sobre a veracidade dos fenômenos logo no primeiro ato retira da narrativa uma camada de tensão psicológica que poderia enriquecer o conflito das personagens frente ao ceticismo do mundo.
Aspectos técnicos, atuações e a ambivalência do idioma
No campo das atuações, o filme entrega desempenhos notáveis. A escolha de escalar atrizes americanas e brasileira-americanas garantiu fluidez aos diálogos em inglês. Jamie Hughes entrega uma Leah Fox altiva, austera e dominadora, funcionando como a espinha dorsal da família. Marie McHugh interpreta Kate Fox com uma vulnerabilidade tocante, transmitindo a dor física e emocional de uma mulher consumida pela própria sensibilidade. Já Sionne Elise e Sienna Belle alcançam uma sintonia impecável na construção da personagem Maggie Fox, permitindo que o espectador perceba a transição da inocência juvenil para a desilusão da maturidade.
A trilha sonora composta por Trevor Gureckis é um dos grandes destaques técnicos da produção. Suas composições minimalistas fundem instrumentos de cordas tradicionais a sonoridades percussivas abafadas, mimetizando os batimentos que consagraram as Irmãs Fox e elevando a tensão dramática. Apesar de o filme ostentar 136 minutos de duração — o que gera um ritmo por vezes arrastado no segundo ato —, a obra consolida-se como um esforço técnico relevante e corajoso dentro do cinema brasileiro de exportação.

Final explicado do filme The Fox Sisters
O clímax de The Fox Sisters concentra-se na fase de declínio público e amadurecimento espiritual das protagonistas. O filme conduz o espectador para além do brilho das salas de espetáculo de Nova Iorque, adentrando o período em que a unidade familiar se desintegra sob o peso do alcoolismo, das dívidas e do isolamento social.
O peso do pioneirismo e o legado de Leah, Maggie e Kate
Nos momentos finais, o longa retrata a já envelhecida Leah Fox (interpretada na maturidade por Jamie Hughes) refletindo sobre os rumos de sua família. O roteiro estabelece um acerto de contas emocional: Leah reconhece que, embora impulsionada pelo desejo sincero de consolar famílias enlutadas e provar a imortalidade da alma, acabou agenciando e expondo as irmãs mais novas a exigências emocionais e mediúnicas superiores ao que elas podiam suportar.
A emblemática cena da sessão de psicografia — na qual as irmãs transmitem uma mensagem de consolo para a personagem Sarah Taylor (vivida por Lua Blanco), uma mãe devastada pela perda do filho — funciona como a chave de leitura para o desfecho. O filme argumenta que o verdadeiro propósito da mediunidade exercida pelas Irmãs Fox nunca esteve nos palcos ou no ganho financeiro, mas na capacidade de oferecer alento moral diante da dor da morte.
Reconciliação com a história e a mensagem do filme
O encerramento do filme não busca esconder as contradições das personagens, mas contextualizá-las. A trágica entrevista de Maggie Fox renegando seus dons é apresentada não como o desmascarar de uma fraude, mas como o colapso psicológico de uma mulher esmagada pela miséria, pelo vício e pela manipulação de detratores.
A retratação posterior de Maggie e a continuidade do movimento espiritualista pelo mundo demonstram que o fenômeno ultrapassou a existência física das próprias irmãs. O filme encerra-se com um tom de elegia e reparação histórica: Leah, Maggie e Kate Fox são retratadas não como farsantes ou santas inalcançáveis, mas como jovens corajosas e imperfeitas que abriram as portas do invisível para o mundo ocidental e pagaram o preço definitivo por seu pioneirismo.
Detalhes de bastidores e curiosidades
Primeiro longa em inglês de Wagner de Assis
Conhecido por produções nacionais de grande porte, Wagner de Assis estreou na direção de um longa-metragem falado inteiramente em inglês. O diretor revelou que a decisão foi fundamental para manter a fidelidade histórica e cultural da narrativa.
O “milagre” da neve em Connecticut
Durante as filmagens externas realizadas em uma fazenda histórica no estado de Connecticut (EUA), a produção precisava recriar a rigorosa nevasca registrada em 31 de março de 1848. A região, no entanto, não registrava queda de neve há cerca de cinco anos devido a alterações climáticas. De forma surpreendente, na véspera das gravações, uma frente fria atípica atingiu a localidade, cobrindo o cenário com mais de 20 centímetros de neve fresca. O diretor brincou na imprensa dizendo que o evento meteorológico contou com “uma ajudinha dos espíritos”.
Trabalho conjunto de elenco
Para garantir a continuidade dramática da personagem Maggie Fox, a atriz infanto-juvenil Sienna Belle acompanhou os dias de gravação da atriz norte-americana Sionne Elise, estudando seus trejeitos, postura corporal e tom de voz para construir uma transição crível entre a juventude e a fase adulta da protagonista.
Pesquisa de fontes primárias
O roteiro do filme foi elaborado após anos de pesquisa bibliográfica. Wagner de Assis adquiriu livros raros em Los Angeles, como Talking to the Dead (de Barbara Weisberg), e teve acesso às cartas pessoais trocadas entre Maggie Fox e o Dr. Elisha Kane, além de consultar edições de mais de 70 jornais espiritualistas do século XIX.
Quem está no elenco do filme The Fox Sisters
- Jamie Hughes como Leah Fox (Irmã mais velha e mentora do trio)
- Sionne Elise como Maggie Fox (Fase adulta)
- Marie McHugh como Kate Fox (Fase adulta)
- Sienna Belle como Maggie Fox (Adolescente)
- Júlia Svacinna como Kate Fox (Adolescente)
- Daniela Galli como Margaret Fox (Mãe das irmãs)
- Philip Cruise como John Fox (Pai das irmãs)
- Lua Blanco como Sarah Taylor
- Freddie Hogan como Dr. Elisha Kane
- Gustavo Pace como Isaac Post
- Talita Maia como Amy Post
- Helga Nemeczyk como Mãe de Elisha
- Vitor Figueiredo como Ferdie Fox (Adulto)
- André Torquato as Charles Livermore
- Rafael Coimbra como Henry Fox (Adulto)
- Logan Keeler como Charles Redfield
- Brian Townes como Daniel Underhill
Onde assistir ao filme The Fox Sisters
The Fox Sisters estreou oficialmente nos cinemas de todo o Brasil no dia 24 de setembro de 2026, com distribuição nas salas de exibição comerciais sob a responsabilidade da Film Connection Distribuidora e da Star Distribution (coprodução da Buena Vista Internacional). As datas de lançamento nas plataformas de streaming e VOD (Video on Demand) serão anunciadas pelas distribuidoras após a janela de exibição nos cinemas.
Trailer do filme The Fox Sisters (2026)
Ficha técnica
| Informações | Detalhes |
|---|---|
| Título Original | The Fox Sisters |
| Título no Brasil | The Fox Sisters / As Irmãs Fox |
| Direção | Wagner de Assis |
| Roteiro | Wagner de Assis, Carolina Castro, Larissa Vereza |
| Produção | Richard Ávila, Iafa Britz, Wagner de Assis |
| Empresas Produtoras | Cinética Filmes, Sky Pictures, Wild Road, Star Original Productions |
| Distribuição | Film Connection Distribuidora, Star Distribution / Buena Vista Internacional |
| Direção de Fotografia | Janice D’Avila |
| Direção de Arte | Clara Rocha |
| Figurino | Rô Nascimento |
| Trilha Sonora Original | Trevor Gureckis |
| Montagem / Edição | Gustavo Sampaio |
| Gênero | Drama Histórico / Biografia / Sobrenatural |
| Duração | 136 minutos (2h 16min) |
| País de Origem | Brasil / Estados Unidos |
| Idioma Original | Inglês |
| Classificação Indicativa | 12 Anos |
| Data de Estreia no Brasil | 24 de setembro de 2026 |
















