Crítica do filme Totto-chan A Menina na Janela (2023) - Flixlândia

‘Totto-chan: A Menina na Janela’ é comovente, agridoce e incrivelmente humano

Foto: Sato Company / Divulgação
Compartilhe

Mais de quatro décadas após se tornar um dos maiores fenômenos literários do Japão, Totto-chan: A Menina na Janela chega às telas em uma animação sensível e comovente. Baseado no livro de memórias de Tetsuko Kuroyanagi, o filme resgata a história de uma infância marcada pela curiosidade, pela energia incontrolável e pela busca por um lugar de pertencimento, tudo isso em meio ao contexto sombrio da Segunda Guerra Mundial.

A adaptação, dirigida por Shinnosuke Yakuwa, não apenas homenageia o material de origem, mas também prova, mais uma vez, o domínio da animação japonesa em traduzir emoções e complexidades de forma delicada e poderosa. A escolha pela animação, em vez de um “live-action”, é um acerto magistral, pois permite que o filme transcenda a realidade e explore o universo onírico da infância com uma liberdade que o cinema tradicional jamais conseguiria.

➡️ Frete grátis e rápido! Confira o festival de ofertas e promoções com até 80% OFF para tudo o que você precisa: TVs, celulares, livros, roupas, calçados e muito mais! Economize já com descontos imperdíveis!

Sinopse

O filme nos apresenta a Totto-chan, uma menina de sete anos tão cheia de vida e de questionamentos que sua excitação se torna um problema para a escola tradicional que frequenta. Após causar uma grande distração ao chamar uma banda de rua pela janela da sala de aula, ela é expulsa.

Sua mãe, então, a matricula em uma nova e peculiar instituição, a Tomoe Gakuen, administrada pelo visionário diretor Sōsaku Kobayashi. A escola, cujas salas de aula são vagões de trem adaptados, tem uma filosofia de ensino que valoriza a individualidade e a curiosidade de cada aluno.

Nesse ambiente acolhedor, Totto-chan finalmente floresce, encontrando em seus colegas e no diretor um espaço onde sua singularidade é celebrada. Ela faz amizade com Yasuaki, um menino que sofre de poliomielite, e juntos, eles exploram um mundo de descobertas e inocência.

No entanto, a efervescência da infância e a tranquilidade da escola começam a ser gradualmente afetadas pela crescente tensão da Segunda Guerra Mundial. À medida que a sociedade japonesa se militariza, a vida de Totto-chan e seus amigos se transforma, forçando-os a confrontar a perda e o amadurecimento em um cenário de destruição iminente.

➡️ ‘Game Mortal’ transita entre o espetáculo visual e a narrativa vazia
➡️ ‘O Último Episódio’ é um portal mágico que nos leva direto para os anos 90
➡️ ‘Depois da Caçada’, com Julia Roberts, traz a verdade que caminha na penumbra

Crítica

Totto-chan: A Menina na Janela é uma verdadeira obra de arte visual. A direção de Shinnosuke Yakuwa, veterano de filmes do Doraemon, mostra um salto de maturidade, utilizando a animação para explorar a dualidade entre o mundo interior da protagonista e a realidade externa.

Há uma sutileza na forma como a ambientação muda conforme a guerra avança: o céu, antes claro e vibrante, se torna cinzento; os soldados e as bandeiras imperiais se tornam cada vez mais presentes nas ruas, e a escassez de alimentos se reflete nas marmitas simples dos alunos. Essa linguagem visual, que dispensa diálogos expositivos, é um dos pontos mais fortes do filme.

Momentos de pura imaginação são ilustrados com sequências fantásticas que mudam o traço da animação, assumindo um aspecto onírico e delicado, como se fossem desenhados com lápis de cor. Vemos a sala de aula se transformar em um trem em movimento e Totto-chan imaginando-se ao lado de Yasuaki, livre das limitações físicas de sua doença. Essas cenas, que dão voz ao mundo interior das crianças, são de uma beleza tocante e reforçam a ideia de que a fantasia é um refúgio para as durezas da realidade.

➡️ Quer saber mais sobre filmes, séries e  streamings? Então acompanhe o trabalho do Flixlândia nas redes sociais pelo InstagramXTikTokYouTubeWhatsApp, e Google Notícias, e não perca nenhuma informação sobre o melhor do mundo do audiovisual.

O poder de uma amizade inocente

No coração da narrativa está a amizade pura e inspiradora entre Totto-chan e Yasuaki. O filme constrói essa relação com um capricho notável, mostrando como Totto-chan, com sua energia e empatia, ajuda o amigo a superar as barreiras de sua deficiência, e como ele, por sua vez, amplia a visão de mundo dela.

A cena em que Totto-chan, com esforço e dedicação, ajuda Yasuaki a subir em uma árvore para que ele possa experimentar o mundo de uma nova perspectiva é um dos ápices emocionais do filme. A inocência dos personagens é retratada sem pudor, como na cena em que nadam nus na piscina da escola, um momento que celebra a liberdade e a falta de malícia da infância. Essa amizade se torna um farol de esperança e bondade em um mundo que gradualmente perde a sua humanidade.

YouTube player

Infância roubada pela guerra

O filme opera de maneira sutil e devastadora ao retratar como a guerra, mesmo sem estar no primeiro plano, rouba a inocência das crianças. As mudanças são graduais e por isso mais dolorosas: a proibição de palavras em inglês, a escassez de comida, o sumiço dos pais que são convocados para o exército.

No entanto, a cena mais cruel é quando um grupo de meninos mais velhos caçoa de Yasuaki, ridicularizando sua deficiência e dizendo que ele jamais poderia lutar na guerra. É a primeira vez que a crueldade do mundo adulto, fomentada pelo nacionalismo, atinge diretamente a bolha de segurança da Tomoe Gakuen.

O ponto de ruptura é a sequência final, onde Totto-chan, após um evento traumático, corre pela cidade, deixando para trás o cenário bucólico e mergulhando em um ambiente urbano sujo e desolador. Internamente, sua imaginação, antes colorida e alegre, se torna sombria e distorcida.

A cena em que ela, ainda em sua fuga, encontra crianças brincando de guerra, soldados feridos e uma mãe chorando a perda do filho, é um soco no estômago. O clímax é alcançado quando Totto-chan, finalmente, não consegue mais fugir da “sujeira do mundo”, caindo em uma poça d’água e chorando. É o fim da inocência, um momento de perda irreversível que, embora doloroso, é contado com uma honestidade brutal.

Conclusão

Totto-chan: A Menina na Janela é um filme comovente, agridoce e incrivelmente humano. Baseado em uma história real, ele celebra a resiliência e a curiosidade de uma menina que, contra todas as expectativas, encontrou um lugar que a aceitou por quem ela era.

O filme se alinha a outras grandes obras que abordam a perda da inocência infantil em tempos de guerra, como O Império do Sol e O Túmulo dos Vagalumes, mas o faz com um toque de delicadeza e poesia visual que o torna único. A animação se mostra a escolha perfeita para traduzir a sensibilidade do material original, permitindo que a fantasia da infância conviva com a dura realidade do amadurecimento.

Ao final, a história de Totto-chan é um lembrete de que, mesmo em meio à destruição e à dor, a esperança pode ser encontrada na capacidade humana de amar, de se adaptar e de, acima de tudo, abrir a janela para a alegria, não importa o quão difícil a vida se torne.

Onde assistir ao anime Totto-chan: A Menina na Janela?

O filme estreou nesta quinta-feira, 9 de outubro de 2025, exclusivamente nos cinemas brasileiros.

Quem está no elenco do filme Totto-chan: A Menina na Janela (2023)?

  • Liliana Ôno
  • Kôji Yakusho
  • Shun Oguri
  • Anne Watanabe
  • Karen Takizawa
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Procuram-se colaboradores
Procuram-se colaboradores

Últimas

Artigos relacionados
O Palhaço no Milharal resenha crítica do filme 2025 Flixlândia
Críticas

[CRÍTICA] ‘O Palhaço no Milharal’: terror despretensioso diverte ao abraçar o próprio exagero

Todo ano surgem filmes de terror que prometem reinventar o gênero, discutir...

De Férias com Você resenha crítica do filme Netflix 2026 Flixlândia
Críticas

[CRÍTICA] ‘De Férias com Você’: um clichê confortável (e esquecível) na Netflix

Sabe aquele momento pós-festas de fim de ano, quando o clima esfria...

Verão de 69 resenha crítica do filme 2025 Disney+ Flixlândia (1)
Críticas

[CRÍTICA] ‘Verão de 69’: diversão leve, mas pouco memorável

Indicado ao Critics Choice Awards 2026, “Verão de 69” se encaixa naquele...

Belén Uma História de Injustiça 2025 resenha crítica do filme Prime Video Flixlândia (1)
Críticas

[CRÍTICA] ‘Belén: Uma História de Injustiça’, um drama de tribunal que não pede desculpas

Quando a gente pensa em “filme de tribunal”, logo vem à cabeça...

Transamazônia resenha crítica do filme 2026 Flixlândia
Críticas

[CRÍTICA] ‘Transamazônia’: a selva sob o filtro estético (e problemático) do olhar estrangeiro

Demorou, mas chegou. Depois de rodar o circuito de festivais, ser indicado...

Agentes Muito Especiais 2026 resenha crítica do filme brasileiro Flixlândia
Críticas

[CRÍTICA] ‘Agentes Muito Especiais’: sobra carisma, mas falta roteiro

Agentes Muito Especiais é fruto de uma ideia original concebida pelo saudoso...

tom e jerry uma aventura no museu 2026 filme resenha crítica Flixlândia
Críticas

[CRÍTICA] ‘Tom & Jerry: Uma Aventura no Museu’, uma união confusa entre dois mundos

O novo filme de Tom e Jerry apresenta uma aventura bastante diferente...