Confira a crítica do filme "Transmitzvah", drama argentino de 2024 com Penélope Guerrero disponível para assistir na Netflix

‘Transmitzvah’ é uma obra ambiciosa

Foto: Netflix / Divulgação
Compartilhe

“Transmitzvah”, o novo filme de Daniel Burman disponível na Netflix, é uma obra que desafia as convenções do cinema latino-americano ao explorar a interseção entre identidade de gênero e fé.

Com Penélope Guerrero no papel principal, a produçãomistura humor, drama e música para narrar a história de Mumy Singer, uma mulher trans que decide reivindicar sua conexão com o judaísmo celebrando um Bat Mitzvah na vida adulta. Embora ambicioso, o longa sofre com problemas estruturais, mas acerta ao abordar temas raramente explorados no cinema.

Frete grátis e rápido! Confira o festival de ofertas e promoções com até 80% OFF para tudo o que você precisa: TVs, celulares, livros, roupas, calçados e muito mais! Economize já com descontos imperdíveis!

Sinopse do filme Transmitzvah (2024)

A história começa com Rubén Singman (Milo Burgess-Webb), um adolescente judeu de 13 anos que surpreende sua família ao anunciar que não realizará o tradicional Bar Mitzvah, mas sim um Bat Mitzvah, adotando o nome Mumy, em homenagem à avó. A reação mista da família culmina na partida de Rubén, que anos depois ressurge como Mumy Singer (Penélope Guerrero), uma diva da música iídiche.

Agora adulta e famosa, Mumy retorna a Buenos Aires para fazer um show, mas seu objetivo principal é realizar a cerimônia que lhe foi negada no passado. Com a ajuda de seu irmão Eduardo (Juan Minujín), ela embarca em uma jornada que combina reconciliação familiar, redescoberta espiritual e momentos de puro surrealismo.

Você também pode gostar disso:

+ Humor macabro e gore dão a tônica de ‘Casamento Sangrento’

+ ‘Piano de Família’, uma herança de dor e superação em forma de arte

+ ‘Enfeitiçados’ tem momentos de brilho, mas passa longe de ser marcante

Crítica de Transmitzvah, da Netflix

“Transmitzvah” é um filme que carrega a marca autoral de Daniel Burman, com sua habilidade de entrelaçar absurdismo e questões humanas profundas. No entanto, essa ousadia nem sempre resulta em uma narrativa coesa. O enredo, repleto de subtramas e digressões, às vezes parece perder o foco, o que pode confundir o espectador. A edição fragmentada, que alterna entre passado e presente, intensifica essa sensação de desorientação.

Penélope Guerrero brilha como Mumy, conferindo à personagem uma presença magnética e carismática. Sua atuação combina humor afiado e vulnerabilidade emocional, o que ajuda a ancorar o filme em meio às suas muitas mudanças de tom.

A dinâmica entre Mumy e Eduardo é outro ponto alto, com Minujín trazendo leveza e profundidade à relação dos irmãos. Essa conexão é o coração emocional da narrativa, e suas interações trazem os momentos mais autênticos do longa.

Cenas musicais

No entanto, nem tudo funciona tão bem. As cenas musicais, que deveriam ser um ponto forte, sofrem com problemas técnicos como sincronia labial inconsistente e falta de emoção nas performances. Além disso, algumas subtramas, como o relacionamento de Mumy com sua mãe e seu parceiro, ficam inacabadas, deixando arcos narrativos importantes sem resolução.

Visualmente, o filme é deslumbrante. A iluminação neon e o design de produção criam um ambiente vibrante, especialmente nas cenas ambientadas na loja de roupas da família e no show de Mumy. Essas escolhas estéticas ajudam a compensar os momentos em que o roteiro falha em manter a narrativa coesa.

A abordagem de Burman sobre temas de inclusão e identidade é, por vezes, incisiva, mas também tropeça em clichês e momentos que podem soar insensíveis. O filme é mais eficaz quando explora a jornada pessoal de Mumy, mostrando que a reconciliação entre fé e identidade não precisa seguir um caminho convencional.

A frase “Deus não se importa com os detalhes” resume bem a mensagem principal do longa: a autenticidade pessoal é mais importante do que qualquer tradição imposta.

Acompanhe o Flixlândia no Google Notícias e fique por dentro do mundo dos filmes e séries do streaming

Conclusão

“Transmitzvah” é uma obra ambiciosa que mistura questões de gênero, fé e música em uma narrativa única. Apesar de seus problemas de ritmo e estrutura, o filme oferece uma perspectiva rara e necessária sobre a experiência trans no contexto judaico.

Com momentos memoráveis e atuações sólidas, especialmente de Penélope Guerrero, a produção se destaca por sua originalidade e coragem de explorar temas pouco abordados no cinema latino-americano. Embora imperfeito, “Transmitzvah” é uma jornada que vale a pena pela força de sua mensagem e pela celebração da liberdade de ser quem somos.

Siga o Flixlândia nas redes sociais

Instagram
Twitter
TikTok
YouTube

Onde assistir ao filme Transmitzvah?

O filme está disponível para assistir na Netflix.

Trailer de Transmitzvah (2024)

YouTube player

Elenco de Transmitzvah, da Netflix

  • Penélope Guerrero
  • Juan Minujín
  • Alejandro Awada
  • Gustavo Bassani
  • Alejandra Flechner

Ficha técnica do filme Transmitzvah

  • Título original: Transmitzvah
  • Direção: Daniel Burman
  • Roteiro: Daniel Burman, Ariel Gurevich
  • Gênero: comédia, drama
  • País: Argentina
  • Duração: 100 minutos
  • Classificação: 14 anos
Escrito por
Giselle Costa Rosa

Navegando nas águas do marketing digital, na gestão de mídias pagas e de conteúdo. Já escrevi críticas de filmes, séries, shows, peças de teatro para o sites Blah Cultural e Ultraverso. Agora, estou aqui em um novo projeto no site Flixlândia.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Procuram-se colaboradores
Procuram-se colaboradores

Últimas

Artigos relacionados
Rodrigo Santoro no filme Corrida dos Bichos, de 2026, do Prime Video
Críticas

Com Rodrigo Santoro brilhando, ‘Corrida dos Bichos’ diverte, mas peca pelo excesso de tramas

O cinema brasileiro anda com tudo, conquistando espaço com sucessos recentes de...

Com Wagner Moura e Greta Lee, thriller de ficção científica ‘A Última Casa’ ganha trailer e data de estreia veja (2)
Críticas

‘A Última Casa’: Wagner Moura brilha em suspense que começa genial, mas tropeça no final

Imagine acordar em uma manhã qualquer, tentar abrir a porta da frente...

HONESTINO filme brasileiro de 2026
Críticas

‘Honestino’ é um registro indispensável sobre a resistência estudantil

Honestino é um longa-metragem brasileiro que combina documentário e ficção sob a...

Desejo em Manhattan The Dutchman crítica do filme 2025
Críticas

‘Desejo em Manhattan’ transforma o metrô de Nova York em arena de tensão racial

Adaptar uma obra literária ou teatral icônica para o cinema é sempre...

cena do filme Insaciável (2026)
Críticas

‘Insaciável’: terror tem boas sacadas mas deixa a plateia com fome de mais sustos

Com o furacão “Obsessão” arrasando bilheterias ao redor do mundo, “Insaciável” (Saccharine...

cena do filme Insaciável (2026)
Críticas

‘Insaciável’ entrega gore potente e crítica social, mas tropeça no final

O terror corporal tem se mostrado um terreno fértil para discutir questões...

crítica do filme Clika 2026
Críticas

‘Clika’ é uma uma peça promocional em forma de filme

O universo da música regional mexicana e o movimento dos corridos tumbados...