Sabe aqueles dias em que você não está procurando por explosões, reviravoltas mirabolantes ou vilões caricatos, mas sim por algo que pareça… humano? Pois é, o novo drama indonésio da Netflix, “Uma Carta à Minha Juventude”, entrega exatamente isso.
Lançado globalmente no final de janeiro de 2026, o filme dirigido por Sim F. foge do espetáculo visual para focar em algo muito mais difícil de capturar na tela: o processo lento e doloroso de curar traumas de infância. É uma obra que convida o espectador a sentar e observar, mas já adianto: é preciso ter paciência, porque o filme leva o seu tempo – e bota tempo nisso – para dizer a que veio.
Sinopse
A trama gira em torno de duas almas quebradas que colidem em um orfanato. De um lado, temos Kefas (interpretado na juventude por Theo Camillo Taslim/Millo Taslim), um adolescente conhecido por ser problema puro: rebelde, agressivo e com um talento especial para afastar qualquer adulto que tente se aproximar. Essa raiva toda não é gratuita; ela vem de um trauma profundo envolvendo a morte de sua irmã mais nova, Angelina, causada pela negligência de um antigo cuidador.
Do outro lado está Simon Ferdinan (Agus Wibowo), o novo funcionário do orfanato. Ele é um homem idoso, fechado e que carrega uma tristeza pesada no olhar. O que ninguém sabe inicialmente é que Simon aceitou o emprego não por vocação, mas por necessidade financeira para pagar o próprio funeral, planejando tirar a própria vida assim que o contrato terminasse, consumido pelo luto de ter perdido a esposa e o filho.
O filme acompanha a fricção inicial entre esses dois opostos e como, através de embates e silêncios, eles acabam encontrando um no outro a peça que faltava para continuarem vivendo.
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Resenha crítica do filme Uma Carta à Minha Juventude
A grande sacada de “Uma Carta à Minha Juventude” não está em reinventar a roda dos dramas de amadurecimento, mas na honestidade com que trata seus personagens.
Menos textão, mais emoção
O que mais chama a atenção logo de cara é a contenção. O roteiro evita aqueles diálogos expositivos e melodramáticos que explicam tudo para a plateia. Em vez disso, o filme confia na linguagem corporal. A relação entre Kefas e Simon não nasce de grandes discursos motivacionais, mas de gestos pequenos e silêncios compartilhados.
As atuações são o ponto alto aqui: Taslim consegue equilibrar a vulnerabilidade e a raiva explosiva do adolescente sem cair no estereótipo do “jovem delinquente”, enquanto Wibowo entrega uma performance de “fadiga emocional” que convence sem precisar de gritaria. A dinâmica evolui de forma merecida, transformando-se de um conflito de gerações para um reconhecimento mútuo de dor.

Um teste de paciência para o espectador
Agora, nem tudo são flores. Se por um lado a direção de arte e a fotografia com iluminação suave criam um ambiente imersivo e calmo, por outro, o ritmo pode ser um problema sério para quem espera agilidade. Com cerca de 135 minutos (2h15), o filme se estende mais do que o necessário.
Há uma “barriga” no meio da trama onde os batimentos emocionais se repetem. Vemos várias cenas que reforçam o estado emocional de Kefas ou a depressão de Simon, passando a mesma informação que já tínhamos entendido meia hora antes.
Essa lentidão, embora intencional para mostrar que a cura não é rápida, às vezes cruza a linha para o marasmo, testando a atenção de quem está assistindo. Alguns cortes na edição teriam deixado a narrativa mais enxuta e impactante, sem perder a profundidade.
Previsibilidade e conforto
Outro ponto que pode dividir opiniões é a previsibilidade. Desde o início, você meio que já sabe onde aquilo vai dar: o garoto rebelde vai amolecer, e o velho triste vai encontrar um motivo para viver. O roteiro segue uma cartilha segura, optando pelo conforto emocional em vez de riscos narrativos. Até mesmo os personagens secundários, as outras crianças do orfanato, funcionam mais como dispositivos de roteiro para dar textura e calor à história do que como indivíduos complexos.
No entanto, mesmo sendo previsível, o filme funciona porque “ganha” suas emoções. A resolução, que envolve uma descoberta crítica sobre o diário de Simon e uma intervenção das crianças, é genuinamente tocante, mesmo que você tenha visto algo parecido antes,. O filme acerta ao mostrar que a cura acontece no coletivo e que, às vezes, precisamos “escrever uma carta” para o nosso eu do passado para conseguir seguir em frente.
Conclusão
“Uma Carta à Minha Juventude” é um drama gentil e tecnicamente competente, com um design de som envolvente e uma ambientação que não romantiza nem demoniza a vida no orfanato,. Ele pode não ser inovador e certamente sofre com um excesso de duração, mas sua sinceridade é inegável.
Para quem está disposto a desacelerar e embarcar em uma jornada emocional sem pressa, o filme oferece uma experiência tocante sobre como o luto molda nosso comportamento e como a empatia pode quebrar ciclos de dor. É um filme para quem curte o gênero, mas que exige que você esteja no estado de espírito certo para absorver suas pausas e silêncios.
Se você procura algo autêntico da cultura indonésia e não se importa com um ritmo mais contemplativo, vale o play na Netflix.
Onde assistir ao filme Uma Carta à Minha Juventude?
Trailer de Uma Carta à Minha Juventude (2026)
Elenco de Uma Carta à Minha Juventude, da Netflix
- Theo Camillo Taslim
- Fendy Chow
- Agus Wibowo
- Aqila Herby
- Cleo Haura
- Halim Latuconsina
















