O cinema socioambiental ganhou novas páginas históricas na noite deste domingo, 7 de junho. Em uma cerimônia vibrante realizada no Reserva Cultural, em São Paulo, foram anunciados os grandes vencedores da Mostra Ecofalante de Cinema 2026. O destaque absoluto ficou para a seção Territórios e Memória, a principal mostra competitiva do festival, que consagrou dois longas-metragens com o prêmio máximo em um empate histórico: “Arquivo Vivo”, do aclamado diretor Vincent Carelli, e “Mounir”, assinado por Julian Borges.
O qualificado corpo de jurados desta edição, composto pela atriz e diretora Djin Sganzerla, pelo curador e cineasta Lorran Dias e pela professora e sound designer Tide Borges, teve a missão de avaliar produções de altíssimo impacto social e estético. Além do empate nos longas, o júri concedeu menção honrosa para “A Fabulosa Máquina do Tempo”, da diretora Eliza Capai, produção que também conquistou o coração do público e levou o troféu pelo voto popular.
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Quais foram os melhores filmes da Mostra Ecofalante em 2026?
A divisão do prêmio principal reflete a riqueza e a urgência dos temas debatidos na mostra. “Arquivo Vivo”, exibido em pré-estreia mundial, marca o retorno do premiado documentarista Vincent Carelli (consagrado por obras fundamentais como “Corumbiara”, “Martírio” e “Adeus, Capitão”).
O documentário faz uma revisão sensível do projeto Vídeo nas Aldeias, fundado por ele, registrando o emocionante processo de devolução de 40 anos de arquivos gravados para as novas gerações das primeiras comunidades indígenas visitadas. Segundo a justificativa do júri, o filme se destaca por não tratar as imagens como meros vestígios inertes do passado, mas como presenças vivas que retornam para fortalecer as línguas, os rituais e as lutas dos povos originários.
Dividindo os holofotes do prêmio principal, “Mounir” trouxe ao festival sua primeira exibição em solo brasileiro. Dirigido por Julian Borges, o longa acompanha a densa jornada de dez anos de um refugiado centro-africano. Filmado em três continentes, o documentário foca de forma especial na cidade de São Paulo, ponto de virada onde o protagonista se estabelece, reconstrói sua vida e conhece a diretora.
O júri elogiou a sensibilidade e a riqueza de nuances com que o filme “transforma uma trajetória singular em uma experiência profundamente humana”, borrando de forma poética as fronteiras entre realidade e ficção.
Já o premiado pelo público e menção honrosa, “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai, que já havia passado em pré-estreia mundial no prestigiado Festival de Berlim, foca no sertão do Piauí (na cidade de Guaribas). O longa acompanha a transição para a adolescência de meninas que equilibram a dura rotina de suas mães com os sonhos de futuro. De forma lúdica, doce e imaginativa, a produção aborda temas sociais complexos, gênero e pobreza sem perder a esperança.
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Quem venceu nas categorias de curta-metragem?
A força das narrativas curtas também impressionou os avaliadores na seção Territórios e Memória. O grande vencedor da categoria foi “A Pele do Ouro”, uma produção do estado de Roraima dirigida por Marcela Ulhoa e Yare Perdomo. O filme traz uma abordagem corajosa sobre a exploração sexual nos garimpos da Amazônia, sendo elogiado pela força estética e relevância política ao pensar o Brasil profundo.
A menção honrosa de curtas ficou com o estado de Alagoas, representada por “O Mapa em Que Estão Meus Pés”, do diretor Luciano Pedro Jr., que revive com delicadeza as memórias afetivas e a conexão poética de um pescador e agricultor com seu litoral.
Já a preferência do público foi para o curta “Replikka”, uma coprodução internacional entre Brasil, Estados Unidos e Reino Unido dirigida por Piratá Waurá e Heloisa Passos. Falado inteiramente na língua indígena aruak e construído junto a jovens locais, o filme retrata a reconstrução de uma gruta sagrada vandalizada em 2018. A obra carrega bagagem internacional expressiva, tendo sido premiada como melhor filme estrangeiro no Hot Docs, o maior festival de documentários da América do Norte.
O talento universitário no Curta Ecofalante
A competição Curta Ecofalante, dedicada exclusivamente a estudantes de cursos de audiovisual de todo o país, provou que a nova geração de cineastas está sintonizada com as transformações sociais. O prêmio de melhor filme foi para o Nordeste com “Um Pé de Caju”, da dupla Pablo Monteiro e Cadu Marques, estudantes da Universidade Federal do Maranhão. A obra retrata como os jovens que saíram de uma comunidade quilombola para estudar utilizam o retorno da educação como ferramenta de resistência e fortalecimento coletivo.
O júri desta categoria — composto pelo professor e cineasta Isaac Pipano, pela roteirista e diretora Larissa Barbosa e por Luciana Resende, analista ambiental do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima — destinou a menção honrosa ao curta paulista “Av. São João, 588”, de Bruna Resende e Matheus Barbosa (alunos do Senac de São Paulo), que documenta a luta das mulheres organizadas pelo direito à moradia digna.
Pelo voto popular, o vencedor foi “Trago Seu Amor de Volta”, de Raíssa Anjos, produzido por alunos da ECA-USP, que comoveu a plateia ao registrar uma busca afetiva guiada por antigas cartas de amor escritas por uma mãe falecida.
Como assistir aos filmes da Mostra Ecofalante de Cinema de graça?
Considerado o evento audiovisual mais importante da América do Sul voltado às temáticas socioambientais, a 15ª Mostra Ecofalante de Cinema estende suas exibições presenciais até o dia 10 de junho de 2026 na cidade de São Paulo. Toda a programação é totalmente gratuita, ocupando salas tradicionais como o Reserva Cultural e o Centro Cultural São Paulo (Sala Paulo Emílio), além de circular por mais 26 espaços culturais integrados ao Circuito Spcine e as Fábricas de Cultura. Os ingressos são distribuídos gratuitamente nas bilheterias antes de cada sessão.
Além das exibições, o festival prestou nesta edição uma homenagem marcante à produtora paulista Zita Carvalhosa (falecida em 2025), realizou uma retrospectiva histórica dedicada à trajetória do Seminário Flaherty e promoveu debates urgentes cobrindo mudanças climáticas, conflitos no Oriente Médio, colonialismo e saúde mental.
Exibições online e debates no YouTube
Para quem está fora da capital paulista ou prefere consumir os conteúdos de forma digital, o festival disponibiliza parte de sua seleção especial de forma gratuita nas plataformas de streaming parceiras Itaú Cultural Play e Spcine Play. Além disso, as mesas de debate e discussões deste ano são integralmente gravadas e disponibilizadas para acesso público no canal oficial do YouTube do evento.
📋 Ficha técnica e serviço da Mostra Ecofalante de Cinema 2026
- Evento: 15ª Mostra Ecofalante de Cinema
- Data: 28 de maio a 10 de junho de 2026
- Locais Principais: Reserva Cultural (Av. Paulista, 900) e Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000) + 26 salas do Circuito Spcine
- Entrada: Gratuita / Franca
- Site Oficial: www.ecofalante.org.br
- Mídias Sociais: @mostraecofalante (Instagram, Facebook e YouTube) e @mostraeco (X, antigo Twitter)
- Financiamento e Parcerias: Viabilizado por meio da Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) e do ProAC-ICMS do Governo do Estado de São Paulo (via Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas). Patrocínio de Itaú, Spcine e White Martins, com apoio da revista VEJA, Embaixada da França no Brasil, Institut Français e Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima
- Produção: Doc & Outras Coisas | Coprodução: Química Cultural | Realização: Ecofalante, Governo Federal e Ministério da Cultura














