A Casa dos Espíritos 2026 crítica da série do Prime Video - Flixlândia (1)

Crítica | Entre a magia e a política: por que a nova versão de ‘A Casa dos Espíritos’ é a que merecíamos

Foto: Prime Video / Divulgação
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Mais de trinta anos após o filme de Hollywood que tentou adaptar a obra-prima de Isabel Allende — e que acabou entregando uma visão americanizada e fria com nomes como Meryl Streep e Jeremy Irons —, o clássico finalmente ganha a adaptação que sempre mereceu.

A nova minissérie do Prime Video, dividida em oito episódios, decide voltar às raízes: é a primeira vez que a história ganha as telas em espanhol, seu idioma original, e gravada no próprio Chile. Com uma superprodução que envolve a própria autora como produtora executiva, “A Casa dos Espíritos” chega para fazer jus ao legado da literatura latino-americana, misturando realismo mágico com a dura realidade política do continente.

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Sinopse

A trama é uma saga imersiva que acompanha a família Trueba ao longo de quase todo o século XX, em um país sul-americano não nomeado (mas claramente o Chile), indo desde os anos 1920 até o brutal golpe militar dos anos 1970. No centro de tudo está Esteban Trueba (Alfonso Herrera), um fazendeiro de temperamento explosivo, autoritário e profundamente conservador que constrói sua riqueza explorando quem está abaixo dele.

A história, no entanto, é guiada pelas mulheres que o cercam e que sobrevivem a ele, focando em três gerações: a esposa Clara (Nicole Wallace na juventude e Dolores Fonzi na fase adulta), uma mulher com dons de telepatia e clarividência; sua filha Blanca; e sua neta Alba. Juntas, elas navegam por amores proibidos, diferenças de classe, revoluções e fantasmas literais e metafóricos.

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Crítica da série A Casa dos Espíritos

Um resgate cultural e a força do olhar feminino

O maior acerto dessa nova versão é, sem dúvidas, sua identidade. Gravar a série no Chile, utilizando locações reais como o Palácio Bruna em Santiago, e com um elenco majoritariamente latino, confere à produção um calor e uma legitimidade maravilhosos.

Além disso, a minissérie acerta em cheio ao centralizar a narrativa sob uma perspectiva feminina. A atriz Dolores Fonzi resumiu perfeitamente ao dizer que a série mostra “quantas mulheres precisam para sobreviver a um homem”. Esse foco permite que a história transcenda o melodrama familiar para se tornar uma vitrine da resiliência feminina diante do machismo estrutural e da opressão política.

A Casa dos Espíritos crítica da série do Prime Video 2026 - Flixlândia (1)
Foto: Prime Video / Divulgação

O choque entre o realismo mágico e a tensão histórica

“A Casa dos Espíritos” abraça o realismo mágico com bastante naturalidade. Os dons de Clara de falar com espíritos e prever mortes não são tratados como espetáculos exagerados, mas como parte do cotidiano da família. Contudo, essa dinâmica deve dividir opiniões: enquanto a sutileza vai encantar alguns, outros certamente vão sentir que premonições tão exatas acabam tirando o peso das escolhas humanas, fazendo com que as tragédias do país pareçam obra do destino e não da política.

Quando a série foca no contexto histórico — especialmente as desigualdades, as tensões de classe e a ditadura —, ela é um soco no estômago. A violência mostrada é pesada e visceral, mas nunca gratuita; ela é essencial para entendermos as feridas que a sociedade chilena carrega.

Atuações que sustentam a trama

O elenco faz um trabalho monumental, especialmente porque os atores precisam carregar personagens muito densos e repletos de falhas. Alfonso Herrera é o grande destaque, sendo o único a aparecer fisicamente em todos os oito episódios. Ele assume o enorme desafio de humanizar o tirânico Esteban Trueba, revelando suas carências e inseguranças sem, em nenhum momento, passar pano para suas atitudes desprezíveis.

Do lado feminino, Dolores Fonzi brilha como a Clara adulta, trazendo um ar sereno e um cansaço existencial fascinante. Outra revelação maravilhosa é Noelia Coñuenao no papel de Pancha García, entregando uma atuação carregada de dor e revolta que representa a exploração brutal de várias mulheres invisibilizadas na história.

O preço de ser fiel demais

Por ter Isabel Allende nos bastidores, o respeito ao material original é enorme. Porém, esse é o tipo de fidelidade que às vezes custa caro ao audiovisual. A série adota um ritmo de “fogo lento”, o que pode tornar alguns episódios arrastados e exigir bastante paciência do público.

E, ironicamente, mesmo tentando ser o mais fiel possível, os roteiristas tomaram decisões polêmicas que podem irritar os fãs do livro, como a remoção completa do personagem “o poeta” e de um importante membro da família Trueba. Outro ponto que deixa a desejar é o desenvolvimento dos romances, que em alguns momentos parecem rasos e apressados, dificultando a conexão emocional do espectador com o que deveria ser um amor épico.

Conclusão: a série A Casa dos Espíritos é boa?

No fim das contas, “A Casa dos Espíritos” do Prime Video é uma série robusta, esteticamente belíssima e ambiciosa. Embora tropece no ritmo arrastado e em resoluções que pesam demais na “magia” para explicar problemas complexos, a produção supera de longe a tentativa de Hollywood de 1993, entregando a adaptação definitiva que a obra pedia.

Mais do que um drama familiar, é um retrato impactante sobre memória, traumas e as consequências dos nossos atos através das gerações. É um mergulho brutal e recompensador, que nos lembra da importância de entender as partes sombrias do passado para garantir que elas nunca mais se repitam.

Onde assistir à série A Casa dos Espíritos?

Trailer de A Casa dos Espíritos (2026)

YouTube player

Elenco de A Casa dos Espíritos, do Prime Video

  • Alfonso Herrera
  • Dolores Fonzi
  • Nicole Wallace
  • Fernanda Castillo
  • Juan Pablo Raba
  • Fernanda Urrejola
  • Rochi Hernández
  • Antonia Zegers
  • Catalina Saavedra
  • Amparo Noguera
  • Aline Küppenheim
  • Eduard Fernández
  • Maribel Verdú
  • Nicolás Francella
  • Pedro de Tavira
  • Sara Becker
  • Pedro Fontaine
  • Chiara Parravicini
  • Francesca Turco
  • Noelia Coñuenao
  • Gabriela Aguilera
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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