Chegamos ao penúltimo episódio da segunda temporada de Demolidor: Renascido (Daredevil: Born Again), e a tensão chegou a um nível quase insuportável. O episódio 7 atua como uma verdadeira panela de pressão prestes a explodir antes do tão aguardado finale.
O foco principal da narrativa recai sobre a dualidade, as escolhas impossíveis e o preço altíssimo que os personagens pagam por estarem na órbita de Matt Murdock ou Wilson Fisk.
Sinopse
A trama lida diretamente com as consequências caóticas do episódio anterior. Karen Page se encontra atrás das grades, sendo forçada a encarar um tribunal antijusticeiros que não passa de uma farsa orquestrada pelo prefeito Fisk. Para tentar conter a escalada do Rei do Crime, Matt Murdock toma decisões perigosas, incluindo soltar ninguém menos que o Mercenário para evitar o assassinato da Governadora McCaffrey.
Paralelamente, acompanhamos o trágico arco de Daniel Blake, que toma uma decisão definitiva envolvendo a jornalista BB Urich e a ira do assassino Buck, tudo isso enquanto Matt faz um retorno triunfal ao tribunal, mas desta vez, vestindo terno e gravata.
Crítica do episódio 7 da temporada 2 de Demolidor: Renascido
O retorno triunfal de Matt e a batalha psicológica de Karen
Se tem algo que esse episódio entregou para os fãs mais antigos foi a volta empolgante de Matt Murdock aos tribunais como advogado de defesa. A cena em que ele entra de surpresa no tribunal para atuar como co-conselheiro de Kirsten McDuffie na defesa de Karen foi simplesmente de arrepiar. Mas a guerra do episódio não se restringiu à corte de justiça.
Karen entregou algumas das melhores cenas de diálogo da temporada. Ela não apenas peitou Wilson Fisk na cadeia — debochando que nunca o tinha visto tão amedrontado —, como também protagonizou um embate psicológico tenso com Heather Glenn.
A conversa, que começou como uma avaliação psicológica, logo virou um jogo de ofensas pessoais sobre o passado trágico de Karen e seu relacionamento com Matt, culminando em Heather perdendo totalmente o controle e estapeando o rosto de Karen. Fica muito claro que Heather está em uma espiral sombria e cada vez mais próxima de abraçar a identidade da vilã Musa.

Dualidade e alianças indigestas
Um dos dilemas morais mais fortes da temporada ocorreu aqui. Para proteger Nova York e impedir que a Governadora McCaffrey fosse eliminada (já que ela é a única ameaçando o poder de Fisk ativamente), Matt se vê obrigado a confiar em Poindexter.
Soltar o homem que assassinou Foggy Nelson e o Padre Lantom é uma decisão que mastiga a consciência de Matt, mas ele entende que precisa usar um assassino em prol de um bem maior. Surpreendentemente, Bullseye faz a sua “única boa ação”, eliminando o capanga de Fisk, salvando a governadora e saindo de cena com um sorriso perturbador no rosto.
O fim trágico (e digno) de Daniel Blake
A narrativa paralela de Daniel Blake roubou a cena de uma forma brutal e comovente. O personagem, que flertou com o poder do império fascista de Fisk durante boa parte da história, não conseguiu segurar o peso da própria consciência.
Em um momento genuíno de sacrifício, ele desiste de entregar BB para ser morta, salva a jornalista e volta para encarar as consequências de mãos vazias. A sequência em que Buck espanca e tortura Blake, culminando com um tiro no rosto do personagem, é de embrulhar o estômago. Foi um fim triste, mas brilhantemente executado para mostrar que ninguém sai ileso quando decide parar de alimentar a máquina de moer carne de Wilson Fisk.
Nostalgia e o desespero do Rei do Crime
O roteiro também acertou em cheio no “fan service” orgânico. Vimos conexões nostálgicas da era da Netflix, como o retorno fundamental do detetive Brett Mahoney atuando por dentro da polícia, além de interações muito boas com Jessica Jones. Foi por meio dela e de Mr. Charles que tivemos o lore de que Luke Cage está em alguma missão no exterior.
Do lado dos vilões, a espiral de desespero do Rei do Crime é fascinante. Ele está perdendo o controle público e voltando a agir como a sua versão impulsiva e agressiva de antes de Vanessa, achando que pode simplesmente matar uma governadora de estado e sair impune.
Conclusão
O episódio 7 da temporada 2 de Demolidor: Renascido cumpre muito bem a difícil missão de preparar o palco para o grande final. Ele intercala momentos de emoção profunda com sequências políticas urgentes e cenas de tribunal muito satisfatórias.
A imagem final de Matt, baleado e ferido, buscando refúgio e rezando para São Judas Tadeu (o santo das causas impossíveis) antes de ser amparado por Jessica Jones na igreja, sintetiza perfeitamente o tom de desespero da série. A série não tem medo de sujar as mãos de seus heróis nem de matar bons personagens, e é justamente isso que torna a série tão viciante.
Trailer da 2ª temporada de Demolidor: Renascido
Elenco da temporada 2 de Demolidor: Renascido
- Charlie Cox
- Vincent D’Onofrio
- Deborah Ann Woll
- Margarita Levieva
- Ayelet Zurer
- Wilson Bethel















