a morte de robin hood crítica do filme de 2026

‘A Morte de Robin Hood’ prova que alguns mitos precisam terminar sem absolvição

Foto: Divulgação / Imagem Filmes
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Parece que Hollywood tem essa mania persistente de fazer novos filmes do Robin Hood a cada poucos anos, mesmo quando ninguém parece muito interessado em ver o herói da floresta de Sherwood de novo. Mas a verdade é que, quando a A24 anunciou que traria sua própria versão da lenda, as coisas mudaram de figura.

Sob o comando de Michael Sarnoski — diretor que já tinha mostrado a que veio no excelente Pig: A Vingança —, A Morte de Robin Hood foge totalmente daquela imagem colorida e romântica do sujeito simpático de meia-calça verde que roubava dos ricos para dar aos pobres. O que temos aqui é um filme maduro, melancólico e incrivelmente humano, focado no crepúsculo de um homem que transformou a violência em propaganda e agora precisa encarar as consequências das suas escolhas.

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Sinopse

A história se passa em 1247, no fim da Idade Média inglesa. Encontramos um Robin Hood (Hugh Jackman) envelhecido, amargurado e cansado de viver isolado sob o peso de um passado brutal. Logo de cara, ele desmitifica a própria lenda para uma garotinha perdida na floresta, reagindo com uma violência chocante e defensiva que mostra o quanto ele se condicionou a viver sob alerta. Afinal, após uma vida inteira de crimes e assassinatos, metade da Inglaterra tem uma jura de morte contra ele.

A trama engrena quando seu leal e antigo parceiro de bando, João Pequeno (Bill Skarsgård), que tinha abandonado o crime para formar uma família, ressurge implorando por ajuda para defender sua fazenda de uma cobrança violenta. O confronto resulta em um banho de sangue catastrófico.

A fazenda é destruída, mas João Pequeno consegue salvar sua filhinha traumatizada, a Pequena Margaret (Faith Delaney), e resgatar um Robin quase mortalmente ferido. Ele deixa o arqueiro na praia de uma ilha isolada que abriga um priorado pacífico liderado pela Irmã Brigid (Jodie Comer), uma mulher com dons de cura excepcionais.

Lá, mantendo sua real identidade em segredo, Robin começa a se recuperar fisicamente enquanto ajuda nas tarefas diárias e desenvolve uma curiosa amizade com um misterioso Leproso (Murray Bartlett). O silêncio e a tranquilidade da ilha, porém, trazem à tona perguntas e autojulgamentos que nenhuma batalha jamais faria.

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Crítica do filme A Morte de Robin Hood

O “tratamento Logan” aplicado à lenda de Sherwood

Não dá para começar a falar desse filme sem exaltar o trabalho monumental de Hugh Jackman. O ator australiano se entrega ao papel de uma forma tão visceral que é impossível não lembrar do que ele fez com o Wolverine em Logan. Ele interpreta um fora da lei em ruínas, com cabelos grisalhos, barba pesada e cicatrizes profundas na carne e na alma.

Cada flecha que ele dispara não é mostrada como um feito heroico ou acrobático, mas como um lembrete doloroso de que sua única habilidade real na vida sempre foi matar. A dinâmica dele cuidando da Pequena Margaret (Faith Delaney) reforça ainda mais essa sensação de “herói quebrado que encontra um propósito tardio ao proteger uma criança”. É uma atuação crua, em que Jackman se dissolve no personagem e mostra um cansaço existencial que dá o tom exato do melodrama.

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Foto: Divulgação / Imagem Filmes

O poder do silêncio e o contraste visual da expiação

O diretor Michael Sarnoski repete a sensibilidade de Pig: A Vingança para construir personagens de uma força dramática absurda. Junto ao diretor de fotografia Pat Scola, ele cria uma experiência visual de tirar o fôlego. A transição do primeiro ato para o restante do filme é genial: no início, as filmagens acontecem em um widescreen de aspecto 2.4:1, com imagens escuras, rostos cobertos de lama, silhuetas e uma violência crua.

É a representação visual do caos em que Robin e João Pequeno viviam. No entanto, quando ele acorda no priorado da Irmã Brigid, o aspecto da tela muda para 1.66:1 e o filme se torna solar, bucólico e limpo. Essa escolha brilhante força o espectador a se aproximar da humanidade do protagonista e a desacelerar junto com ele. Para completar, a trilha de Jim Ghedi, com instrumentos de corda e melodias celtas, dá um peso melancólico e belíssimo à produção, embora em alguns momentos soe um pouco redundante ao tentar ditar o sentimento das cenas.

Menos ação frenética, mais drama psicológico

Quem for ao cinema esperando ver batalhas medievais colossais com exércitos e ação desenfreada vai quebrar a cara. A Morte de Robin Hood é, na verdade, um melodrama denso sobre o arrependimento. Sarnoski desconstrói o herói clássico ao sugerir que a famosa rebelião de Sherwood talvez tenha sido apenas uma desculpa bonita criada depois que os corpos já estavam frios para camuflar uma insaciável sede de sangue.

Contrariando o título clássico de Akira Kurosawa, o homem mau não consegue dormir bem, e o filme trabalha muito bem essa insônia moral do protagonista. Esse ritmo mais contemplativo e focado nos diálogos profundos — especialmente as conversas entre Robin e Irmã Brigid — foi justamente o que dividiu a crítica. Enquanto veículos internacionais elogiaram a originalidade da marcha sombria rumo ao fim inevitável, outros acharam o filme arrastado e com pouca catarse tradicional.

O custo real da redenção e o acerto de contas com o mito

A grande sacada de A Morte de Robin Hood está em seu ato final. O roteiro nos mostra que a redenção verdadeira não significa simplesmente apagar os crimes do passado com um passe de mágica, mas assumir a responsabilidade por eles enquanto ainda há tempo. Para encontrar sua paz de espírito, Robin precisa quebrar uma promessa que fez ao Leproso em seu leito de morte.

Ele decide revelar sua verdadeira identidade à Irmã Brigid, o que culmina em um acordo consensual doloroso, mas profundamente poético: ele aceita se submeter ao julgamento e se sacrificar pela própria consciência, oferecendo a ela uma espécie de vingança silenciosa e, a si mesmo, a tão desejada absolvição. Não há um clímax de ação hollywoodiano; há um ato de entrega e coragem moral que é muito mais impactante.

Filme A Morte de Robin Hood é bom?

No fim das contas, A Morte de Robin Hood prova ser um dos filmes mais ousados e sinceros sobre o folclore medieval já realizados. Ele nos força a encarar o desconforto de desconstruir os nossos heróis de infância para revelar os homens de verdade por trás das canções. Ao trocar o espetáculo fácil pela introspecção dolorosa, Michael Sarnoski e Hugh Jackman entregaram uma obra atemporal.

Pode não ser um filme de fácil digestão para todos devido ao seu ritmo desacelerado, mas termina de forma surpreendente, deixando uma mensagem real de esperança e humanidade que ecoa muito depois que os créditos começam a subir.

Trailer do filme A Morte de Robin Hood

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Elenco de A Morte de Robin Hood (2026)

  • Hugh Jackman (Robin Hood)
  • Jodie Comer (Irmã Brigid)
  • Bill Skarsgård (João Pequeno)
  • Murray Bartlett (O Leproso)
  • Faith Delaney (Pequena Margaret)
  • Noah Jupe (Arthur/Godwyn)

Ficha técnica

  • Título Nacional: A Morte de Robin Hood
  • Título Original: The Death of Robin Hood
  • Direção: Michael Sarnoski
  • Roteiro: Michael Sarnoski
  • Direção de Fotografia: Pat Scola
  • Trilha Sonora: Jim Ghedi
  • Ano de Lançamento: 2026
  • Data de Estreia no Brasil: 13 de agosto de 2026
  • Duração: 122 minutos
  • Gênero: Ação / Drama
  • Distribuição (Brasil): Imagem Filmes
  • Produção: A24
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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