Ruby Rose em cena do filme A Protetora de 2020

‘A Protetora’: Ruby Rose salva o dia em um ‘Duro de Matar’ genérico

Foto: Divulgação
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Sabe aquele filme que parece ter saído direto de uma locadora dos anos 90, com a promessa de muita bala, pancadaria e um roteiro que você já viu dezenas de vezes? A Protetora (ou The Doorman, no original) é exatamente isso.

Lançado em 2020 e aportando recentemente na Netflix, o filme protagonizado pela sempre ágil Ruby Rose e pelo veterano Jean Reno, comandado pelo diretor japonês Ryûhei Kitamura, não tenta reinventar a roda, assumindo sua identidade de filme B de ação com orgulho (e com todos os defeitos que vêm junto no pacote).

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Sinopse

A trama acompanha Ali (Ruby Rose), uma ex-militar das forças especiais que, após falhar miseravelmente em uma missão de proteção diplomática no Leste Europeu que resultou em tragédia, retorna a Nova York carregando um forte trauma e transtorno do estresse pós-traumático. Tentando recomeçar, ela aceita a ajuda de seu tio Pat (Philip Whitchurch) e consegue um emprego tranquilo como porteira de um luxuoso e antigo prédio que está passando por reformas, ficando praticamente vazio durante o feriado de Ação de Graças.

O que deveria ser um recomeço pacífico vira um pesadelo quando um grupo de mercenários implacáveis, liderados pelo sofisticado Victor Dubois (Jean Reno) e seu capanga Borz (Aksel Hennie), invade o edifício. O objetivo deles? Encontrar quadros valiosíssimos da Segunda Guerra Mundial escondidos nas paredes de um dos apartamentos. Para piorar, a família da falecida irmã de Ali, composta pelo cunhado Jon (Rupert Evans) e seus sobrinhos Lily (Kíla Lord Cassidy) e Max (Julian Feder), calha de estar no prédio. Agora, Ali precisa usar todo o seu treinamento para eliminar os invasores e proteger a família.

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Crítica do filme A Protetora (2020)

Não dá para falar de A Protetora sem citar o clássico Duro de Matar ou até mesmo o nostálgico A Força em Alerta 2. A premissa de um herói isolado num ambiente fechado contra terroristas armados até os dentes é seguida à risca.

O problema é que, enquanto os clássicos de Bruce Willis e Steven Seagal esbanjavam carisma, o roteiro de A Protetora recicla situações sem muita criatividade. É uma história sem originalidade, repleta de clichês do gênero e com vilões que tomam decisões pra lá de questionáveis (como manter testemunhas vivas sem motivo algum) simplesmente para a trama andar.

Ruby Rose no filme A Protetora de 2020
Foto: Divulgação

Altos e baixos

O diretor Ryûhei Kitamura é conhecido pelos fãs de terror por entregar violência visual estilizada em obras como O Último Trem (Midnight Meat Train) e Versus. Aqui, no entanto, ele parece um pouco fora do seu tom habitual, apostando no genérico. Embora as cenas de ação possuam boas coreografias e momentos legítimos de “gun-fu”, a edição acaba pecando pelo excesso de cortes rápidos.

Há momentos em que o cineasta usa movimentos de câmera giratórios em uma cena simples de jantar, o que soa desnecessário, embora em contrapartida, traga alguns respiros interessantes inspirados em sua bagagem oriental ao lentificar detalhes de certos golpes. Vale destacar também que o CGI, embora presente e regular, é cuidado o suficiente para não distrair o público do que realmente importa.

Entre apatia e esforço

O grande ponto luminoso do filme é Ruby Rose. A atriz carrega a produção nas costas, entregando a fisicalidade que aprendeu nos tempos de Batwoman e convencendo no papel de ex-militar que não precisa de dublês. Ela vende bem o trauma da personagem logo nos empolgantes minutos iniciais do longa.

Por outro lado, o mestre Jean Reno parece estar operando no modo piloto automático. Enquanto alguns enxergam uma certa elegância e tranquilidade europeia em seu vilão amante das artes, a verdade é que o ator exala um cansaço nítido em tela, carecendo daquela aura ameaçadora que o personagem pedia. Quem realmente rouba a cena do lado dos vilões é Aksel Hennie, que vive Borz, o verdadeiro capanga desprezível e imprevisível que não liga para ninguém.

Infelizmente, a dinâmica familiar quase estraga o filme. Os sobrinhos, interpretados por Kíla Lord Cassidy e Julian Feder, sofrem com falas ruins, reações engessadas e se provam personagens terrivelmente irritantes que testam a paciência do espectador e a lógica do roteiro. Ainda sobrou um espacinho para Louis Mandylor fazer uma ponta bem humorada como o arrombador de cofres da equipe.

Afinal, a Protetora é bom?

No fim das contas, A Protetora é uma daquelas clássicas fitas de “Sessão da Tarde” super violentas. O longa de 97 minutos falha miseravelmente se você estiver em busca de roteiro profundo, personagens complexos ou até mesmo de inovação.

Contudo, se as suas exigências estiverem baixas e a sua saudade dos filmes trogloditas e frenéticos dos anos 80 e 90 estiver em alta, as habilidades de combate de Ruby Rose entregam a diversão descompromissada necessária para desligar o cérebro durante um fim de semana chuvoso.

Onde assistir ao filme A Protetora?

Trailer de A Protetora (2020)

YouTube player

Elenco do filme A Protetora

  • Ruby Rose
  • Jean Reno
  • Aksel Hennie
  • Rupert Evans
  • Kíla Lord Cassidy
  • Julian Feder
  • Louis Mandylor
  • David Sakurai
  • Philip Whitchurch

Ficha técnica

  • Título Original: The Doorman (no Brasil, A Protetora)
  • Direção: Ryûhei Kitamura
  • Roteiro: Lior Chefetz, Joe Swanson, Harry Winer (História de Greg Williams e Matt McAllester)
  • Duração: 97 minutos
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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