Ninguém Pode Provar Nada crítica do documentário

‘Ninguém Pode Provar Nada’ revisita a trajetória de Ezequiel Neves, o mentor de Cazuza

Foto: Divulgação
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Vocês já ouviram falar do álbum solo de Keith Richards chamado “I’m Not Silly, I’m Only Crazy”? Provavelmente não, porque ele nunca existiu. Ainda assim, em 1976, o jornalista mineiro Ezequiel Neves conseguiu convencer muita gente do contrário. Em sua coluna no Jornal da Música, ele descreveu o suposto disco com tamanha riqueza de detalhes que fãs foram à loucura e saíram em busca do álbum inexistente.

É justamente a partir de episódios como esse que o diretor Rodrigo Pinto constrói “Ninguém Pode Provar Nada – A Inacreditável História de Ezequiel Neves”. Misturando documentário e ficção, o filme conta as muitas versões do jornalista que ajudou a moldar a cena do rock nacional entre as décadas de 1970 e 1980.

Após passar pelo Festival do Rio, em 2025, o longa tem estreia prevista nos cinemas e no streaming nos próximos meses, com distribuição da Giros Filmes e Ton Ton Filmes.

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Sinopse

Pioneiro ao escrever sobre rock no Brasil, Ezequiel Neves construiu uma trajetória que atravessou o jornalismo e a música. Após anos na imprensa, onde ganhou o apelido de “Zeca Jagger”, tornou-se produtor musical e letrista, trabalhando com nomes como Rita Lee e Barão Vermelho e acompanhando de perto a trajetória de Cazuza, de quem se tornou mentor e parceiro criativo.

Para construir as histórias do protagonista, o filme mergulha em um vasto acervo de fotos, vídeos e documentos. A investigação reúne mais de 150 horas de entrevistas inéditas, sendo 60 apenas com o próprio Ezequiel, além de arquivos falsos, entrevistas recriadas por inteligência artificial e trechos de filmes inventados, recursos que aproximam o documentário da forma como o jornalista construía suas narrativas, transitando entre fato e invenção.

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Crítica do documentário Ninguém Pode Provar Nada

Onde já se viu um jornalista inventar relatos?

Essa foi a pergunta que ficou na minha cabeça ao assistir “Ninguém Pode Provar Nada”. Entre as décadas de 1970 e 1980, o protagonista do documentário, Ezequiel Neves, construiu seu nome no jornalismo musical misturando fato e ficção: escreveu sobre discos que não existiam, inventou álbuns e publicou entrevistas que nunca aconteceram. Como ele mesmo disse:

“Se você é jornalista, você é um ficcionista. Se você está relatando um fato verdadeiro, ele não é verdadeiro a partir do seu relato, embora você seja muito fiel. Quando eu não tinha relato, eu inventava.”

No mínimo contraditório, não acham? Mas, ao longo de 1h45, o filme se aprofunda nessas ambiguidades sem romantizá-las e devolve ao espectador uma pergunta desconfortável: qual é o limite da mentira?

Ninguém Pode Provar Nada filme documentário
Foto: Divulgação

Criatividade x Fake News

Ao meu ver, o limite está na criação artística. Mas, uma coisa é certa: diferente dos anos 70, hoje não há espaço para invenção de fatos sem consequências, e talvez Ezequieis não sobrevivessem à era digital.

No entanto, o filme não ignora essa realidade, pelo contrário, sugere que a intenção pode alterar completamente o significado de uma história, como sugere o trecho: “A fake news traz a violência. As coisas que o Zeca inventava eram reais. Embora inventadas”.

Milton Cunha ❤️ Penny Lane

Além das ambiguidades e contradições, o longa também se dedica às paixões de Ezequiel, especialmente Rita Lee e Cazuza. A sensação que tive ao conhecer esse lado de Neves foi como se o carnavalesco Milton Cunha e a personagem Penny Lane (Kate Hudson), de “Quase Famosos” (2000), tivessem se misturado em um grande suco de Brasil.

Com trânsito livre pelos bastidores do rock brasileiro, Ezequiel aparece como uma dessas figuras que atravessam histórias e espalham caos criativo sem necessariamente ocupar o centro do palco, exatamente como Cunha e Lane.

Ninguém Pode Provar Nada é bom?

No fim, “Ninguém Pode Provar Nada” não transforma Ezequiel Neves em um gênio incompreendido. O filme apresenta uma figura rebelde, corajosa, complexa e mantém aberta a provocação entre verdade e invenção, reforçando que algumas histórias são fortes justamente pela maneira que são contadas.

Trailer do filme Ninguém Pode Provar Nada

YouTube player

Elenco do documentário Ninguém Pode Provar Nada

  • Emilio de Mello
  • Felipe David Rodrigues
  • Edson Zille
  • Adassa Martins
  • Lorenzo Papa
Escrito por
Luiza Lara

Jornalista em formação e especialista em mídia e cultura. Luiza é fã de comédias românticas, cultura pop e não perde um tapete vermelho na temporada de premiações.

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