crítica do filme Enola Holmes 3 da Netflix 2026

‘Enola Holmes 3’ demonstra cansaço na fórmula, mas deve agradar aos fãs

Foto: Divulgação / Netflix
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Quando o primeiro filme estreou, fomos imediatamente conquistados por uma protagonista carismática que corria na contramão de tudo o que a sociedade vitoriana exigia. Agora, alguns anos depois, Enola Holmes 3 desembarca na Netflix com um desafio muito maior do que simplesmente desvendar mais um crime.

A grande questão do novo longa não é apenas quem é o culpado, mas sim: quem é Enola quando ela não está apenas vivendo à sombra de seu famoso irmão?. Com uma mudança na cadeira de direção e a promessa de expandir ainda mais esse universo vibrante, o terceiro capítulo entrega entretenimento, mas também nos faz questionar se a franquia não está começando a andar em círculos.

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Sinopse

A trama nos tira da cinzenta Londres e nos leva direto para as paisagens ensolaradas e idílicas de Malta, onde Enola (Millie Bobby Brown) está prestes a se casar com Lord Tewkesbury (Louis Partridge). Porém, o que deveria ser um final feliz tradicional é interrompido quando o Dr. Watson (Himesh Patel) surge com uma notícia desesperadora: Sherlock (Henry Cavill) foi sequestrado.

Para piorar o cenário, a mãe de Tewkesbury, Lady Tewkesbury (Hattie Morahan), também desaparece. Em uma trama que envolve a perigosa Moriarty / Mira Troy (Sharon Duncan-Brewster), um tesouro afegão roubado e disputas políticas contra o imperialismo britânico em Malta, Enola precisa colocar as investigações acima do seu próprio casamento.

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Crítica do filme Enola Holmes 3

O dilema entre o altar e a aventura

O grande acerto do roteiro de Jack Thorne é, sem dúvida, o debate interno da protagonista. A ideia de Enola se casar no século XIX traz à tona um medo genuíno e muito atual: o de perder a própria identidade e até mesmo o seu sobrenome em prol da vida de casada. É revigorante ver a história tratar o casamento não como o prêmio final, mas como uma possível prisão para uma mente tão livre.

Essa angústia permeia os melhores diálogos do filme, especialmente as conversas de Enola com Sherlock e com sua mãe, Eudoria (Helena Bonham Carter), que sempre a criou para ser dona de si mesma. Além disso, a presença de Tewkesbury funciona muito bem. O personagem de Louis Partridge é o retrato de um parceiro saudável, que entende as necessidades de Enola e não se intimida com a independência dela.

Enola Holmes 3 2026 crítica do filme da Netflix
Foto: Divulgação / Netflix

Uma franquia que cresceu demais?

Se o desenvolvimento pessoal de Enola agrada, o escopo da aventura deixa um pouco a desejar. O filme comete o erro de tentar ser maior do que realmente consegue abraçar, esquecendo a atmosfera despretensiosa que consagrou a franquia. Ao inserir conspirações sobre colonialismo e um tesouro escondido no Afeganistão, a história fica inchada. As críticas sociais estão ali, mas soam panfletárias e servem apenas como um pano de fundo raso para a ação.

Outro ponto que incomoda é a perda de espaço da própria protagonista. Sempre que Sherlock aparece na tela, ele atrai todas as atenções, dando a sensação de que o filme está mais interessado nele do que na jornada da própria irmã. E quando focamos na investigação, as pistas parecem se resolver de forma muito conveniente, dependendo de coincidências ou de saídas fáceis, como a brincadeira com o nome Adeline Rathe (que na verdade era “The Wrath of Adeline”, um navio). Para quem já consome as histórias de detetive, o mistério se torna bastante previsível.

Direção e peso do elenco

Na cadeira de diretor, Philip Barantini substitui Harry Bradbeer e prefere não arriscar. Ele mantém o dinamismo e as tradicionais quebras de quarta parede, mas a estrutura do filme acaba soando episódica e com pouca coesão entre os atos. O visual em Malta traz um frescor necessário, escapando daquele clima sombrio de Londres, mas algumas escolhas, como a peruca distrativa e os figurinos pesados de Enola em meio às cenas de ação, prejudicam a imersão.

Apesar dos tropeços criativos, o elenco segura as pontas maravilhosamente bem. Millie Bobby Brown nasceu para esse papel, esbanjando carisma e transitando com naturalidade entre a comédia e a emoção. É visível o quanto ela se sente confortável vivendo a heroína. O embate dela com a antagonista Moriarty, vivida de forma imponente por Sharon Duncan-Brewster, rende ótimos momentos na tela. Já Henry Cavill continua entregando uma versão melancólica e elegante de Sherlock, ainda que ele funcione mais como uma peça decorativa no enredo deste terceiro filme.

Enola Holmes 3 é bom?

No fim das contas, Enola Holmes 3 é exatamente o entretenimento de fim de semana que os fãs da franquia estão buscando. Ele não reinventa a roda e, de fato, demonstra um claro cansaço na fórmula, repetindo algumas batidas narrativas que já vimos nos filmes anteriores.

No entanto, a química adorável do elenco e a coragem de amadurecer a personagem — permitindo que ela se case no final, mas sem abrir mão do seu icônico sobrenome Holmes — dão à obra um coração que compensa as falhas no roteiro.

É uma aventura divertida e bem-intencionada, mas que deixa um alerta: se a Netflix planeja um quarto filme, será preciso ousar bem mais para que a jovem detetive não caia de vez na mesmice.

Onde assistir ao filme Enola Holmes 3?

  • Netflix

Trailer de Enola Holmes 3 (2026)

YouTube player

Elenco do filme Enola Holmes 3, da Netflix

  • Millie Bobby Brown (Enola Holmes)
  • Henry Cavill (Sherlock Holmes)
  • Louis Partridge (Lord Tewkesbury)
  • Helena Bonham Carter (Eudoria Holmes)
  • Sharon Duncan-Brewster (Moriarty / Mira Troy)
  • Himesh Patel (Dr. Watson)
  • Hattie Morahan (Lady Tewkesbury)

Ficha técnica

  • Título: Enola Holmes 3
  • Ano de Lançamento: 2026
  • Direção: Philip Barantini
  • Roteiro: Jack Thorne (baseado na obra de Nancy Springer)

Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

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