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‘A Última Ceia’, o fermento que chegou

Foto: Imagem Filmes / Divulgação
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Como vai, caro leitor? Bem-vindo novamente ao nosso mundo cinematográfico. Sobre o  filme “A Última Ceia”, tomaremos o cuidado de não trazer qualquer crença dogmática ao tema, pois nosso site é leigo. E, como diria Jesus, “todos são bem-vindos”.

Imagine-se assistindo a um remake de Branca de Neve e os Sete Anões, tal como concebido por Walt Disney em 1937, sem alterações de roteiro, totalmente fiel à história original. Você assistiria?

Talvez esteja aí uma explicação para a força desta História — possivelmente a maior história de amor à humanidade já contada —, que, mesmo reencenada inúmeras vezes ao longo de mais de dois milênios, não perde seu encanto.

Seja você ligado ou não ao cristianismo, é difícil negar o peso transformador do Novo Testamento no mundo. Tanto que já vimos produções marcantes como A Paixão de Cristo, A Última Tentação de Cristo — esta bastante polêmica —, Jesus de Nazaré, Apóstolo Pedro e a Última Ceia e The Chosen, sem que o tema se esgote.

Nesta produção sem grandes pretensões cinematográficas, mas com notável fidelidade ao Novo Testamento e boas interpretações, conseguimos nos conectar a algumas bases das palavras de Jesus e à história de Israel naquele período. Claro que, como em todo filme histórico, há cenas e comentários que nascem da liberdade criativa dos roteiristas. Afinal, não se trata de um documentário.

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Sinopse

O filme se inicia com uma das muitas pregações de Jesus (James Ward), desta vez às margens do lago de Tiberíades — ou Genesaré —, próximo a Cafarnaum e Betsaida, em Israel. Surge então a necessidade de alimentar o povo, já que o pouco que os discípulos tinham não bastava. É ali que ocorre um dos milagres mais conhecidos de Jesus: a multiplicação dos pães e peixes, citada nos quatro Evangelhos, em que ele ensina que tanto o corpo quanto o espírito humano necessitam de alimento.

A celebração da Páscoa Judaica (Pessach) se aproxima — sim, Jesus era judeu, caso você não saiba —, momento central na memória da fuga dos hebreus do Egito sob a liderança de Moisés.

Há uma ceia que deve ser preparada segundo a tradição, e os discípulos começam a procurar um local onde possam se reunir para celebrar o Seder de Pessach, palavra que significa “ordem”, em hebraico. Trata-se de um jantar ritual realizado na primeira noite — ou nas duas primeiras, fora de Israel — da festa de Pessach.

A mesa inclui a keará — prato com alimentos simbólicos —, a matzá — pão sem fermento —, as ervas amargas (maror) e o vinho.

Crítica do filme A Última Ceia

Jesus e seus discípulos chegam ao Templo depois de passarem seis dias em Betânia e logo passam a ser observados pelo sumo sacerdote Caifás (James Faulkner, de Game of Thrones), que se inquieta com a influência de Jesus sobre o povo, sobretudo porque sua principal mensagem fala de paz, e não de luta física.

Ao ver o comércio instalado diante do Templo, Jesus se revolta com o absurdo praticado à frente da Casa do Pai, num episódio que inevitavelmente remete a certas situações ainda existentes hoje, em que alguns pregadores utilizam a Palavra como meio de acesso a bens materiais. O povo o apoia, e é então que Caifás começa a planejar o que fazer com aquele homem a quem muitos chamam de Messias.

O filme retrata também o primeiro contato de Judas Iscariotes (Robert Knepper, de Prison Break) — sim, há outro Judas entre os discípulos, conhecido como Judas Tadeu — com os emissários de Caifás, além de sua dúvida atroz sobre trair ou não Jesus, bem como sua discordância em relação à forma como o mestre deveria agir diante dos romanos.

a última ceia crítica do filme 2026 - Flixlândia
Foto: Imagem Filmes / Divulgação

A grande preocupação dos discípulos em relação à ceia era justamente evitar a captura de Jesus e do grupo pelos soldados de Caifás, razão pela qual buscavam agir com o máximo de discrição.

Chega a noite, e Jesus se reúne com os discípulos, passando pela cerimônia do lava-pés, em que reafirma sua principal bandeira: o amor ao próximo traduzido em gesto de humildade, quebrando as convenções da época.

Ao lavar os pés de Judas Iscariotes, Jesus deixa claro que já sabia o que aconteceria naquela noite. Após a partilha do pão — o pão ázimo, sem fermento, utilizado para simbolizar a pressa com que os judeus deixaram o Egito — e do vinho, eles seguem para o monte das Oliveiras, onde Jesus ora e aceita o momento que está por vir.

Então Judas chega com os soldados de Caifás, consumando a traição ao mestre. A partir daí, o roteiro de Jesus entra em seu trecho mais doloroso, aquele que retrata a dimensão de seu amor pela humanidade.

Conclusão

Não é um thriller. E talvez nem pudesse ser. Não há como transformar o Evangelho em um filme que contenha emoções muito diferentes de amor, perda, tristeza, fé, alegria e esperança pela humanidade.

Nota-se que a direção procurou seguir ao máximo os diálogos originais, as expressões dos atores demonstrando aquilo que parecia realmente ter acontecido.

As imagens são honestas, sem se preocuparem demais com visuais esplêndidos, porém nos colocando em um mundo que já aconteceu há muito tempo.

As sequências cenográficas possuem um ritmo constante, sem pender demais para cima ou para baixo, parece que tentando enfatizar ao máximo o conteúdo dos diálogos. O áudio está muito bom, também sem criar grandes efeitos sonoros. Parece que tudo se concentrou ao núcleo do roteiro bíblico.

Poderia muito bem ter sido uma produção para televisão, mas o momento pediu que se inaugurasse a estreia na semana da Páscoa. A direção prefere a reverência à invenção, preservando o tom da narrativa, ainda que isso reduza parte de seu impacto cinematográfico.

Mas é uma obra feita com sobriedade, sinceridade e fidelidade. As atuações se encaixam bem e procuram expressar o que cada personagem poderia ter feito — ou como poderia ter se comportado — no contexto desta História.

Se você não compartilha da fé cristã, o filme vale ao menos pela curiosidade histórica e pelo contato com um enredo que molda a vida de muita gente neste planetinha problemático — aproximadamente 2,4 bilhões de pessoas. Se você já conhece bem essa História, também está tudo bem: aqui, o interesse talvez esteja menos na novidade e mais na reverência.

Neste momento em que se aproximam novamente as celebrações da Páscoa cristã e da Páscoa judaica,vale a pena parar um pouco e pensar que talvez esse grande personagem fosse traído e entregue novamente nos dias de hoje, apenas por ter a audácia de dizer que era o Filho de Deus. Também vale pensar que, se ele não tivesse existido como ser humano, poderíamos estar em meio a guerras ainda mais sangrentas e disputas ainda maiores por riqueza e poder — não por uma questão de dogma, mas pela influência exercida sobre o pensamento de bilhões de pessoas.

Vale um ovo de chocolate de 1 kg com refri. Boa Páscoa! Chag Pesach kasher vesameach!

Trailer do filme A Última Ceia

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Elenco de A Última Ceia (2026)

  • Jamie Ward
  • Robert Knepper
  • Henry Garrett
  • James Oliver Wheatley
  • Charlie MacGechen
  • James Faulkner
Escrito por
Cleon

Cleon (pseudônimo de Antonio Filho) é da área de TI, mas vive com a cabeça nas estrelas. Trocou linhas de código por linhas de roteiro — e escreve sobre séries e filmes como quem decifra algoritmos de emoção humana.

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