Confira a crítica do filme "A Verdadeira Dor", drama de 2025 com Jesse Eisenberg que estreou em 30 de janeiro de 2025 nos cinemas.

‘A Verdadeira Dor’: entre risos, luto e o peso da memória

Foto: Disney / Divulgação
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Jesse Eisenberg retorna à cadeira de diretor com o filme “A Verdadeira Dor” (A Real Pain), um drama tragicômico que investiga o luto, o pertencimento e as contradições humanas.

Com sua habitual ironia e diálogos afiados, Eisenberg constrói uma narrativa que se equilibra entre a comédia e o drama, mas o verdadeiro coração do filme está na atuação magistral de Kieran Culkin, que entrega uma performance complexa, oscilando entre o carismático e o trágico.

O filme, que teve sua estreia em Sundance, não é apenas uma viagem de dois primos à Polônia em busca de suas raízes judaicas. É uma exploração da forma como carregamos a dor, seja tentando absorver o sofrimento alheio ou negando a própria vulnerabilidade.

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Sinopse do filme A Verdadeira Dor

David Kaplan (Eisenberg) é um homem casado, com um filho e uma vida aparentemente estável. Já seu primo Benji (Culkin) é o oposto: sem rumo, desempregado e emocionalmente instável. Os dois decidem viajar juntos para a Polônia, visitando locais ligados à história da família, especialmente a antiga casa da avó falecida.

O que começa como uma tentativa de conexão com o passado rapidamente se transforma em um confronto entre os primos. David, contido e racional, tenta entender a dor de Benji, que esconde suas feridas atrás de um comportamento excêntrico e autodestrutivo. À medida que avançam pela jornada, a relação entre os dois oscila entre afeto e ressentimento, revelando verdades dolorosas sobre si mesmos.

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Crítica de A Verdadeira Dor (2025)

“A Verdadeira Dor” se destaca pela sua habilidade em mesclar humor e melancolia, mantendo uma atmosfera que ora é leve, ora é profundamente reflexiva. O roteiro de Eisenberg é pontual ao explorar as dinâmicas entre os primos, utilizando diálogos rápidos e naturais que parecem tirados de conversas do dia a dia.

Kieran Culkin entrega uma atuação que transcende a tela. Seu Benji é ao mesmo tempo magnético e exaustivo, alguém que domina qualquer ambiente, mas cuja energia esconde uma fragilidade esmagadora. Sua tentativa de se conectar com a dor histórica de seu povo, de absorver sofrimentos passados como forma de validar sua própria existência, é um dos pontos mais interessantes do filme.

O roteiro deixa claro que Benji não está apenas lidando com o luto da avó, mas também com uma crise de identidade que o impede de encontrar seu próprio lugar no mundo.

Aposta no realismo

A direção de Eisenberg evita o sentimentalismo fácil, apostando em um realismo seco e direto. O filme não oferece respostas prontas nem se aprofunda na história do Holocausto como uma forma de exploração emocional. Ao contrário, utiliza o passado como um pano de fundo para discutir a relação entre memória e identidade, sem transformar os protagonistas em meros espectadores de uma tragédia alheia.

O contraste entre David e Benji também se reflete na fotografia e na montagem. Enquanto um busca evitar confrontos e prefere a estabilidade, o outro parece se alimentar do caos. Pequenos detalhes, como a maneira como os personagens se movem pelas locações ou o uso da câmera para capturar momentos aparentemente triviais, ajudam a construir a tensão entre os primos.

A cena final, silenciosa e impactante, deixa um vazio no espectador. O filme não conclui sua jornada com uma resolução clara, pois sua proposta não é oferecer um fechamento emocional fácil. Em vez disso, deixa espaço para que o público reflita sobre as múltiplas formas de se lidar com a dor – algumas evidentes, outras silenciosas e invisíveis.

Conclusão

“A Verdadeira Dor” é um filme que dialoga com a dificuldade do luto e da identidade de forma autêntica e sem artifícios. Jesse Eisenberg prova mais uma vez sua capacidade de escrever personagens reais e dinâmicos, enquanto Kieran Culkin rouba a cena em uma atuação que já nasce como uma das melhores do ano.

Com diálogos inteligentes, uma direção contida e performances brilhantes, o longa se estabelece como uma das obras mais sensíveis de 2024, deixando no espectador aquela sensação de que a verdadeira dor nunca tem um só rosto – e que, no fim, cada um a carrega de uma maneira única.

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Onde assistir ao filme A Verdadeira Dor?

O filme está disponível para assistir nos cinemas.

Trailer de A Verdadeira Dor (2025)

YouTube player

Elenco do filme A Verdadeira Dor

  • Kieran Culkin
  • Jesse Eisenberg
  • Olha Bosova
  • Banner Eisenberg
  • Jakub Gasowski
  • Will Sharpe
  • Daniel Oreskes
  • Liza Sadovy

Ficha técnica de A Verdadeira Dor (2025)

  • Título original: A Real Pain
  • Direção: Jesse Eisenberg
  • Roteiro: Jesse Eisenberg
  • Gênero: drama, comédia
  • País: Estados Unidos, Polônia
  • Ano: 2025
  • Duração: 90 minutos
  • Classificação: 16 anos
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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