A Mensageira 2026 crítica do filme - Flixlândia

‘A Mensageira’ entrega uma obra visualmente hipnótica

Foto: Filmes do Estação / Divulgação
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A Mensageira, dirigido por Iván Fund, que estreia nos cinemas em 19 de março de 2026, é uma coprodução entre Argentina, Espanha e Uruguai que se tornou uma das obras mais aclamadas da temporada ao conquistar o Urso de Prata (Prêmio do Júri) no Festival de Berlim 2025.

Marcado por uma estética autoral em preto e branco que busca evocar uma atmosfera atemporal, o filme destaca-se também como um símbolo de resistência cultural, tendo sido viabilizado por parcerias internacionais em um período de severos desafios para a indústria cinematográfica argentina.

A produção reforça o olhar sensível do diretor ao integrar talentos recorrentes de sua filmografia em um projeto que já é considerado um dos grandes expoentes do ano.

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Sinopse

Anika (Anika Bootz), uma menina de nove anos, possui um dom extraordinário: ela consegue ouvir e se comunicar com os animais. Viajando pelas estradas rurais da Argentina em um motorhome desgastado, ela é acompanhada por Myriam (Mara Bestelli) e Roger (Marcelo Subiotto), dois adultos que transformaram o talento da criança em um meio de subsistência, oferecendo serviços de “médium pet” para donos de animais em luto.

Enquanto cruzam paisagens desoladas, a linha entre o charlatanismo comercial e a conexão espiritual genuína se dissolve, revelando uma história sobre solidão, perda e os laços inesperados que se formam quando tentamos traduzir o indizível.

Crítica do filme A Mensageira

A estética do preto e branco e a atmosfera de fábula

A decisão de filmar em preto e branco transcende o visual. Essa escolha auxilia na remoção das distrações da realidade colorida, permitindo que o público foque inteiramente na conexão emocional entre os protagonistas e os animais.

O recurso também evoca a sensação de uma fábula atemporal e, ao mesmo tempo, realista. Essa crueza visual acentua as texturas do veículo deteriorado e a vastidão das estradas portenhas, criando um contraste poético com a delicadeza de Anika. A ausência de cores eleva a narrativa a um plano simbólico, onde o foco recai sobre as expressões faciais e a carga dramática de cada encontro.

A Mensageira 2026 crítica do filme - Flixlândia (1)
Foto: Filmes do Estação / Divulgação

Entre o místico e o psicológico

Ao longo da projeção, um questionamento central se impõe: Anika realmente tem o dom de falar com os animais? Essa incerteza permanece no ar, pois o roteiro não entrega respostas definitivas. Contudo, é possível conjecturar que a menina transita em um limiar onde sua extrema sensibilidade infantil pode ser interpretada tanto como uma habilidade sobrenatural quanto como uma empatia aguçada.

Essa ambiguidade é fundamental, pois o filme sugere que a natureza do dom é menos importante do que o conforto que ele proporciona. Seja ouvindo vozes ou apenas traduzindo as angústias dos tutores, o resultado é o mesmo: uma ponte de cura para quem lida com a perda e a dor.

Charlatanismo e sobrevivência na estrada

Paralelamente à aura mágica da protagonista, o roteiro mergulha no pragmatismo das sessões espirituais. A dinâmica estabelecida por Myriam e Roger revela a face cruel da sobrevivência: eles utilizam a criança como um produto comercial para manter o motorhome em movimento. Embora possa parecer vilania, o comportamento é apresentado como uma resposta à necessidade.

O cinismo desses adultos é constantemente testado pela pureza da menina. O que começa como um golpe acaba se transformando em algo genuíno quando o trio percebe que, para além do lucro, estão oferecendo uma forma inesperada de redenção, tanto para os clientes quanto para si mesmos.

Conclusão

A Mensageira equilibra a crueza da realidade com a delicadeza do fantástico, entregando uma obra visualmente hipnótica. A atuação sensível de Anika Bootz e a direção precisa de Iván Fund, que transforma o silêncio em uma linguagem poderosa, são os pontos altos. Por outro lado, o ritmo contemplativo e a recusa em fornecer conclusões literais podem desafiar espectadores que buscam maior dinamismo.

No entanto, sua maior vitória reside no simbolismo de sua existência: ao conquistar prestígio global em meio a crises de financiamento, o filme se firma como um manifesto, provando que o cinema latino-americano ainda é capaz de produzir poesia visual de alcance universal.

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Elenco do filme A Mensageira (2026)

  • Anika Bootz
  • Mara Bestelli
  • Marcelo Subiotto
  • Betania Cappato
Escrito por
Bruno de Oliveira

Sou um apaixonado por filmes, séries e cultura pop em geral. Entre um blockbuster e um filme introspectivo e intimista encontro meu lugar no mundo e me sinto a vontade para viajar seja lá para qual mundo for.

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