Lançado no Prime Video no dia 20 de março de 2026, Agente Zeta chegou com uma promessa ambiciosa: ser a grande resposta ibero-americana a franquias gigantescas do gênero, como James Bond e Jason Bourne.
Sob a direção de Dani de la Torre e encabeçado por Mario Casas, o thriller de espionagem espanhol tenta equilibrar o clima de conspiração global com dramas familiares densos.
Mas será que a superprodução consegue se sustentar do começo ao fim ou acaba caindo nas velhas armadilhas de produções focadas apenas no algoritmo do streaming? Vamos descobrir.
Sinopse
A trama acompanha Iago Zeta (Mario Casas), um agente da inteligência espanhola (CNI) que vive isolado no campo cuidando de sua mãe adoentada. Ele é arrastado de volta à ativa quando quatro ex-agentes espanhóis são assassinados simultaneamente em diversas partes do mundo.
O que conecta essas mortes é a chamada “Operação Ciénaga”, uma missão ultrassecreta realizada na Colômbia em 1987, que visava derrubar uma aliança entre traficantes e o grupo terrorista ETA, mas que terminou em um massacre e diversas mortes de inocentes.
A grande reviravolta para Zeta é que o quinto membro daquela operação – e único sobrevivente dos ataques recentes – é Salvador Ancares (Luis Zahera), o próprio pai do protagonista, que ele acreditava estar morto. Durante sua caçada em busca da verdade e do pai, Zeta cruza o caminho de Alfa (Mariela Garriga), uma letal agente colombiana com motivações próprias e um desejo obscuro de vingança.
Crítica do filme Agente Zeta
Um início eletrizante e visuais de cair o queixo
Se tem uma coisa que Agente Zeta sabe fazer logo de cara é prender a respiração do espectador. O filme tem uma abertura excelente, apresentando sequências de ação dinâmicas e uma cena de perseguição super tensa em uma favela do Rio de Janeiro.
Fica claro que a produção quis investir pesado para dar uma escala verdadeiramente internacional à história, levando as câmeras para locações reais na Espanha (Galiza e Castela-La Mancha), Estônia (Tallinn) e América Latina.
Essa estética caprichada aliada a uma montagem frenética entrega um valor de produção impecável, que facilmente bate de frente com grandes blockbusters hollywoodianos. De la Torre manda muito bem ao construir a atmosfera crua de espionagem.

O peso das explicações e a quebra de ritmo
O grande calcanhar de Aquiles do longa, no entanto, é o roteiro. Co-escrito por nomes experientes do suspense, como Oriol Paulo, o texto sofre com uma queda drástica de ritmo logo após o primeiro ato empolgante. Em vez de deixar o público bancar o detetive e descobrir os mistérios junto com o protagonista, o filme opta pelo caminho mais fácil e mastiga a narrativa através de diálogos expositivos intermináveis, reuniões corporativas de agências de inteligência e uma enxurrada de flashbacks.
Quando o grande mistério sobre a verdadeira identidade da misteriosa sexta agente infiltrada, codinome Casiel, e os motivos sanguinolentos da agente Alfa vêm à tona, a previsibilidade já tomou conta da tela. Isso acaba minando o impacto emocional que a história da Operação Ciénaga poderia ter.
Atuações que seguram a onda
Ainda que o roteiro prefira explicar demais em vez de mostrar, o elenco garante que a gente não perca o interesse. Mario Casas entrega um Zeta mais introspectivo e vulnerável, que carrega nas costas não só a pressão do trabalho, mas os traumas da própria família. Mas quem realmente rouba a cena em todas as suas aparições é Luis Zahera.
Na pele de Salvador, ele é o eixo dramático da história e traz uma intensidade absurda para a tela. A dinâmica de gato e rato entre Zeta e a colombiana Alfa rende uma rivalidade interessante, embora a química entre os dois pudesse ter sido muito mais explorada pelo roteiro para aumentar a tensão da investigação.
Fórmula pronta para o streaming
No fim das contas, Agente Zeta segue à risca a cartilha das produções criadas para a era do streaming. A estrutura foca na acessibilidade e em cenas de impacto rápido para garantir que o espectador não pegue o celular no meio da sessão. Contudo, a estrutura é familiar até demais: uma missão do passado que deu errado, segredos de Estado enterrados e agências traindo umas às outras.
É um filme que prefere investir na aparência e nas sequências de embate físico, em vez de arriscar e trazer alguma inovação real para a profundidade psicológica e política do gênero de espionagem.
Conclusão
Agente Zeta é aquele “filme pipoca” perfeito para um domingo à tarde em que você só quer desligar a cabeça. Ele entrega ação competente, um protagonista carismático e cenários belíssimos. Se você for assistir esperando um suspense revolucionário ou um mistério de roer as unhas, provavelmente vai se frustrar com as resoluções mastigadas e a previsibilidade da história.
Mas, se a ideia é embarcar em uma aventura global que diverte rápido e sem muita exigência, essa missão espanhola tem energia o suficiente para fazer o play no Prime Video valer a pena.
Elenco do filme Agente Zeta, do Prime Video
- Mario Casas
- Luis Zahera
- Mariela Garriga
- Christian Tappan
- Nieve de Medina
- Cristina Umaña
- Nora Navas
- Ricardo de Barreiro


















