Crítica do filme Conselhos de um Serial Killer Aposentado (2025)

‘Conselhos de um Serial Killer Aposentado’ transita entre o grotesco e o cômico

Foto: Synapse / Divulgação
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O filme “Conselhos de um Serial Killer Aposentado”, dirigido por Tolga Karaçelik, parte de uma premissa ousada e inusitada ao explorar a amizade entre um escritor em crise e um ex-assassino em série que se torna seu conselheiro literário.

Ambientado em Nova York e misturando elementos de comédia ácida, suspense e drama, o longa mergulha no universo da crise criativa, das tensões conjugais e da banalização da violência urbana.

Apesar de contar com um elenco talentoso e cenas cômicas pontuais, o filme não consegue sustentar plenamente a complexidade dos temas propostos, esbarrando em um roteiro superficial e irregular que compromete sua força narrativa.

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Sinopse

Keane (John Magaro), um escritor falido que sofre com bloqueio criativo e um casamento desgastado com Susie (Britt Lower), vê sua vida virar de cabeça para baixo ao conhecer Kolmich (Steve Buscemi), um serial killer aposentado que se oferece para ser seu mentor e fonte de inspiração para um novo livro.

Sem que Susie saiba da verdadeira identidade de Kolmich, ele acaba assumindo o papel de terapeuta do casal, usando analogias inesperadas entre assassinatos e relacionamentos.

A trama se desenrola entre sessões de terapia inusitadas, tentativas literárias frustradas e cenas de humor constrangedor, enquanto aborda, de forma rasa, temas como decadência conjugal, violência urbana e solidão.

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Crítica

Conselhos de um Serial Killer Aposentado se destaca pela originalidade do seu ponto de partida, mesclando o universo do crime com a tragédia íntima e o humor nervoso. A ideia de um serial killer aposentado como mentor de um escritor em crise é fresca e carrega grande potencial para explorar conflitos profundos, seja sobre relacionamentos frágeis, questões existenciais ou até mesmo críticas sociais à violência cotidiana.

No entanto, o filme opta pela superficialidade, resolvendo os dramas com soluções apressadas e não desenvolvendo suficientemente suas discussões relevantes. Essa falta de aprofundamento resulta em uma narrativa que se mostra confusa e descompassada, desperdiçando a riqueza das ideias iniciais.

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Atuação e química do elenco

O trio protagonista é o verdadeiro destaque do filme. John Magaro confere a Keane uma mistura de timidez, pretensão e fragilidade que o torna uma figura quase trágica, mas ainda assim cômica em suas desventuras. Britt Lower vive Susie com uma tensão palpável, equilibrando humor seco e exasperação, construindo um contraponto essencial para o ritmo do filme.

Steve Buscemi, por sua vez, é o elemento mais carismático, imbuindo Kolmich de uma frieza desconcertante que mescla mentor e ameaça, equilibrando a faceta absurdamente cômica e o peso sombrio do personagem. A interação entre os três personagens gera cenas interessantes e por vezes muito divertidas, especialmente nas sessões de terapia surrealistas.

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Humor constrangedor e tom irregular

O humor do longa se apoia majoritariamente no embaraço e na vergonha alheia, criando momentos que oscilam entre o divertido e o desconfortável. Embora haja boas sacadas — como as sessões terapêuticas onde o assassino usa metáforas mórbidas para discutir casamento —, o tom do filme oscila demais, transitando entre a comédia ácida, o noir e a tragicomédia sem encontrar um equilíbrio claro.

Essa inconstância torna a narrativa irregular, com algumas sequências perdendo ritmo e expressividade, provocando uma experiência um tanto cansativa em sua segunda metade. Além disso, a trilha sonora e a direção de fotografia remetem ao suspense e ao terror, criando um contraste que nem sempre se harmoniza bem com o tom cômico do roteiro.

Ambientação e referências visuais

Ambientado em Nova York, o filme utiliza ambientes sombrios, bares vazios e um hotel estranho para criar uma atmosfera reminiscentes dos clássicos do terror, como Psicose e O Iluminado.

A iluminação amarelada e a fotografia contribuem para um clima de tensão que reforça a dualidade da trama, entre o macabro e o cotidiano comum. No entanto, esse cuidado estético não chega a compensar os problemas de narrativa, ficando mais como uma homenagem visual do que um elemento funcional para o fortalecimento da história.

Conclusão

Conselhos de um Serial Killer Aposentado é uma produção que desperta interesse pelo seu universo incomum e pelas performances marcantes de seu elenco, especialmente Steve Buscemi, John Magaro e Britt Lower. Contudo, a falta de profundidade e o tom instável do filme impedem que ele alcance todo o seu potencial.

Ainda assim, é uma boa opção para quem busca algo diferente dos suspense convencionais, repleto de humor negro e cenas que provocam reflexões, ainda que de forma leve e fragmentada. Vale a pena assistir, sobretudo pela originalidade da proposta e pela curiosidade de acompanhar essa improvável amizade dramatúrgica.

*Filme assistido no Festival do Rio 2025

Onde assistir ao filme Conselhos de um Serial Killer Aposentado?

O filme estreia nesta quinta-feira, 16 de outubro de 2025, exclusivamente nos cinemas brasileiros.

Quem está no elenco Conselhos de um Serial Killer Aposentado (2025)?

  • Neal McDonough
  • Mykelti Williamson
  • Sarah Jones
  • Graham Harvey
  • Christopher McDonald
  • Daylon Swearingen
  • Irene Bedard
  • Matt West
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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