Leia a crítica do filme O Telefone Preto 2 (2025) - Flixlândia

‘O Telefone Preto 2’: sequência honra referências e propõe algo novo

Foto: Universal Pictures / Divulgação
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Após o sucesso inesperado do primeiro filme, lançado em 2021, a sequência “O Telefone Preto 2”, dirigida por Scott Derrickson, mergulha em um universo mais amplo e sobrenatural, explorando novos horizontes dentro da franquia.

Mais do que continuar uma história sobre um serial killer, o filme investe nas consequências do trauma, no peso das lembranças familiares e na mitologia ao redor do vilão, elevando a narrativa para um terror mais psicológico e atmosférico.

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Sinopse

A trama se passa em 1982, quatro anos após os acontecimentos do primeiro filme. Finney Blake, agora adolescente, carrega as cicatrizes físicas e emocionais do encontro traumático com o assassino conhecido como Grabber. Sua irmã mais nova, Gwen, possui dons psíquicos manifestados em sonhos perturbadores, nos quais espíritos de crianças e o próprio espírito do Grabber a assombram.

Guiados por essas visões, eles seguem até um acampamento de inverno onde o passado da família e uma presença maligna reveladora os aguardam, intensificando o clima de horror sombrio e sobrenatural.

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Crítica

Derrickson e o roteirista C. Robert Cargill assumem um risco corajoso ao alterar o tom do filme, migrando do estilo slasher tradicional do primeiro longa para um thriller sobrenatural com ecos de clássicos como “A Hora do Pesadelo.

Essa abordagem confere ao segundo filme uma identidade própria, reforçada pela ambientação nos anos 1980, que é trabalhada com cuidado na direção de arte, fotografia e trilha sonora, dando à produção uma atmosfera nostálgica e ao mesmo tempo onírica.

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Personagens e temas profundos

O foco em Gwen, interpretada por Madeleine McGraw, oferece ao roteiro uma profundidade emocional centrada nos traumas familiares, redenção e espiritualidade. O enredo amplia o universo psicológico dos personagens, mostrando as diferentes maneiras pelas quais eles enfrentam o terror — Finney prefere a negação através da violência e da fuga, enquanto Gwen aceita seus dons e responsabilidades. Essa dualidade cria um contraponto interessante e cria empatia para ambos.

Visualmente, “O Telefone Preto 2” investe em uma estética vintage que homenageia o terror dos anos 1980, utilizando Super 8, ruídos arranhados no som e uma paleta de cores fria que amplifica o efeito do frio e da isolação no acampamento. A referência a ícones do gênero, como Freddy Krueger e o ambiente dos acampamentos de verão com toques de “Sexta-Feira 13,” é clara, mas não soa repetitiva ou derivativa, funcionando mais como tributo do que simples cópia.

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Fragilidades na narrativa

Apesar das qualidades técnicas e da ambição, o roteiro peca ao tentar explicar demais a mitologia por trás do mal, o que dilui o mistério e suspense orgânico. Algumas situações repetitivas, principalmente as visões de Gwen, causam certa fadiga no ritmo da narrativa. Além disso, a ideia de que os protagonistas ainda não saibam informações básicas sobre o Grabber, considerando os fatos já mostrados no filme original, parece pouco crível.

Ethan Hawke continua a ser a figura perturbadora que encarna o Grabber, agora em uma forma mais fantasmagórica e onírica, com sua voz e máscara sustentando o terror mesmo com menor presença em tela. Mason Thames entrega uma evolução convincente de Finney, demonstrando suas complexidades internas, enquanto Madeleine McGraw se firma como a verdadeira protagonista da sequência. Demián Bichir, em atuação discreta, acrescenta camadas ao drama familiar e ao enredo.

Conclusão

“O Telefone Preto 2” consegue transformar uma franquia inicialmente limitada a um thriller de abdução em um árduo mergulho no sobrenatural, explorando traumas e vínculos familiares de modo criativo e visualmente impactante.

Embora nem sempre eficiente em manter o suspense e por vezes perca força na narrativa, a película apresenta uma sequência relevante que honra suas referências e propõe algo novo. O resultado é um filme que diverte e inquieta, consolidando a mitologia do Grabber como uma ameaça além da vida.

Onde assistir ao filme O Telefone Preto 2?

O filme estreia nesta quinta-feira, 16 de outubro de 2025, exclusivamente nos cinemas brasileiros.

Quem está no elenco de O Telefone Preto 2 (2025)?

  • Mason Thames
  • Ethan Hawke
  • Madeleine McGraw
  • Jeremy Davies
  • Arianna Rivas
  • Miguel Mora
  • Demián Bichir
  • Anna Lore
Escrito por
Marcelo Fernandes

Jornalista, músico diletante, produtor cultural e fã de guitarras distorcidas e bandas obscuras.

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