Sabe aquele tipo de episódio que te faz olhar para a tela e pensar “o que diabos eu acabei de assistir?” Pois é, o quinto episódio da quinta temporada de The Boys, intitulado “Tudo ou Nada”, chegou exatamente com essa energia.
Apostando em um formato totalmente diferente do habitual, a série decidiu contar os eventos de um único dia através de perspectivas fragmentadas e não lineares de vários personagens.
O resultado é um episódio polarizador: enquanto algumas histórias beiram a aleatoriedade e quebram o ritmo, outras entregam atuações espetaculares, críticas sociais afiadas e um banho de sangue inesquecível.
Sinopse
A trama principal continua acompanhando a busca implacável de Capitão Pátria e Soldier Boy pelo composto V1, o que os leva até Los Angeles para um encontro recheado de celebridades de Hollywood que dá muito errado. Longe dali, na sede da Vought, Mana Sábia finalmente revela para Ashley o seu verdadeiro e assustador plano para o destino da humanidade.
O episódio também tira um tempo para focar nos dramas paralelos, mostrando os bastidores bizarros do Black Noir lidando com a inveja fatal do Profundo, os instintos peculiares do cachorro Terror (que acaba humanizando um pouco o grupo dos The Boys) e, principalmente, a queda emocional e trágica de Firecracker em sua devoção cega ao Homelander.
Crítica do episódio 5 da temporada 5 de The Boys
O caos em formato de vinhetas
A decisão de fatiar o episódio usando “title cards” para a perspectiva de cada personagem é ambiciosa, mas deixa o ritmo da narrativa um pouco instável. Por um lado, os trechos focados no Black Noir e no Terror parecem um pouco com enrolação. Acompanhar o Profundo matando o diretor Adam Bourke no banheiro com uma guelra é nojento e cômico, mas não adiciona muito à história geral.
Da mesma forma, os sonhos sexuais absurdos do cachorro Terror com um boneco do Capitão Pátria são a epítome do humor escrachado da série. No entanto, a perspectiva do cãozinho acaba tendo uma utilidade genuína: ela serve como uma janela para vermos a vulnerabilidade de personagens durões como Francês, Leitinho e o próprio Bruto, que mostra um raro momento de alívio e humanidade quando Hughie salva a vida de Terror após ele comer bolo de chocolate.

A reunião de Supernatural (e de Superbad)
Para os fãs de cultura pop, o núcleo de Los Angeles foi um delírio maravilhoso. O criador Eric Kripke finalmente conseguiu reunir Jared Padalecki (interpretando Senhor Maratona) e Misha Collins (o Super Malquímico) com Jensen Ackles (Soldier Boy). Além dessa homenagem a Supernatural, a cena no porão parecia uma sequência de É o Fim, trazendo Seth Rogen, Christopher Mintz-Plasse, Kumail Nanjiani e Will Forte como versões insuportáveis deles mesmos, satirizando perfeitamente o ativismo de fachada das celebridades.
A tensão explode de forma brutal quando Maratona e Malquímico tentam trair Homelander. Em uma reviravolta, Soldier Boy decide proteger o filho (“ele é o meu esquisitão assexual”, diz ele), o que resulta em uma carnificina cômica, com direito ao Maratona quebrando as pernas em óleo de bebê e Seth Rogen sendo partido ao meio pelo Soldier Boy. Alguns críticos apontaram que esse estilo de piada com famosos já está meio desgastado, mas o nível de exagero encaixou perfeitamente no universo da série.
O apocalipse literário de Mana Sábia
Um dos momentos mais arrepiantes e silenciosos do episódio foi a revelação do plano da Sister Sage. Vendida sempre como a pessoa mais inteligente do mundo, descobrimos que ela não se importa nem um pouco com fama, dinheiro ou o Homelander. Na verdade, ela orquestrou a tomada do país como uma etapa para liberar o vírus letal para supers, jogar humanos e super-heróis em uma guerra mundial e ver o mundo queimar.
O motivo? Ela simplesmente quer se isolar em um bunker e passar o resto da vida lendo seus livros em paz, sem ser incomodada. A ideia remete fortemente ao clássico episódio “Time Enough at Last” de Além da Imaginação (Twilight Zone), mostrando uma frieza sociopata e genial que eleva o perigo da personagem.
O arco trágico (e brilhante) de Firecracker
Se o núcleo de Hollywood entregou a comédia, a história da Firecracker carregou o peso emocional e dramático do episódio. A performance de Valorie Curry foi um destaque absoluto ao mostrar o vazio de uma personagem que destrói a si mesma e aos outros por pura necessidade de aceitação. Chegou a doer assistir ela trair o pastor Greg, que cuidou dela na infância, acusando-o de pedofilia na TV apenas para agradar as loucuras megalomaníacas de Homelander.
Completamente imersa no papel de fanática religiosa, sua morte foi tão poética quanto brutal. Ao tentar consolar o líder dos Sete dizendo que “até Deus precisa de amor”, ela ofende a percepção distorcida que ele tem de si mesmo. Capitão Pátria pune a vulnerabilidade dela esmagando sua cabeça contra uma estátua de águia americana — uma crítica nada sutil àqueles que sacrificam sua moralidade para agradar tiranos que nunca irão protegê-los.
Conclusão
Sendo bem sincero, o episódio 5 não faz a trama geral andar tantos passos para frente no que diz respeito à busca pelo V1. Ao invés disso, a série escolheu entregar um respiro narrativo focado em estudos de personagens, fan service e bizarrices extremas.
Apesar de a estrutura em vinhetas ter deixado o episódio um tanto bagunçado, as partes individuais são fortes demais para serem ignoradas. Entre atuações memoráveis, surpresas grotescas e uma lente de aumento na hipocrisia de seus personagens, The Boys nos lembra por que ainda é uma das séries mais corajosas e chocantes da televisão.
Onde assistir à série The Boys?
Trailer da temporada 5 de The Boys
Elenco da 5ª temporada de The Boys
- Karl Urban
- Jack Quaid
- Antony Starr
- Erin Moriarty
- Jessie T. Usher
- Laz Alonso
- Chace Crawford
- Tomer Capone
- Karen Fukuhara
- Nathan Mitchell
- Colby Minifie
- Susan Heyward
- Valorie Curry
- Daveed Diggs















