Euphoria 3 temporada Episódio 3 crítica da série da HBO - Flixlândia

Crítica | ‘Euphoria’ (3×03): a balada da autodestruição e o fim das ilusões

Foto: Divulgação / HBO
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O terceiro episódio da terceira temporada de Euphoria, intitulado “The Ballad of Paladin” (A Balada do Paladino), consolida o que parece ser o grande tema deste novo ano da série criada por Sam Levinson: a mercantilização do próprio corpo, da própria essência e da moralidade em troca de sobrevivência, status ou uma falsa sensação de controle.

Reunindo grande parte do elenco principal em um evento catártico e altamente antecipado — o extravagante casamento de Cassie e Nate —, o episódio mistura o drama psicológico adolescente com elementos de suspense psicossocial, tropos de faroeste e uma dose generosa de comédia de humor ácido.

Apesar de sofrer com o peso de gerenciar múltiplas tramas absurdas e com ecos visíveis de conflitos de agenda nos bastidores, o capítulo entrega momentos visualmente arrebatadores e reviravoltas chocantes que redefinem o futuro e a sanidade de seus protagonistas.

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Sinopse

A narrativa do episódio ramifica-se em três eixos principais. Inicialmente, acompanhamos um flashback que revela como Jules abandonou a escola de artes para se tornar uma sugar baby, culminando em uma relação perturbadora e exclusiva com Ellis, um cirurgião plástico com desejos peculiares.

Simultaneamente, Rue continua sua perigosa ascensão no submundo do crime, evoluindo para uma traficante de armas de grosso calibre para Alamo. Forçada pelas obrigações com o cartel, ela abandona a festa de casamento para acompanhar Bishop na inusitada missão de envenenar Paladin, o pássaro de estimação da rival Laurie.

O coração do episódio, porém, é o hiperbólico casamento de Cassie e Nate, que desmorona rapidamente sob o peso das dívidas secretas do noivo. O agiota Naz interrompe a celebração e, mais tarde, embosca o casal em sua nova casa, decepando o dedo mindinho de Nate enquanto Cassie entra em desespero absoluto. A noite infernal chega ao ápice com Rue sendo interceptada pelos agentes federais da DEA a caminho de casa.

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Crítica do episódio 3 da temporada 3 de Euphoria

O teatro das ilusões e a venda de si mesmo

Se há um fio condutor que amarra as diferentes subtramas deste episódio, é a “performance”. Todos os personagens estão interpretando papéis cuidadosamente construídos para fugir de medos e traumas profundos. A introdução focada em Jules é um triunfo visual, mas mergulha rápido em um território de terror psicossocial. Quando Ellis a enrola meticulosamente em plástico filme (Saran Wrap), deixando apenas espaço para que ela respire, ele a transforma literalmente em um objeto, uma escultura viva sob seu controle.

A série traça um paralelo sombrio aqui: assim como Cassie vende a si mesma (chegando à possibilidade do OnlyFans) para bancar uma vida suburbana de fachada com um homem abusivo, Jules abandona seu potencial artístico para se tornar o fetiche de um homem rico e frio. A mercantilização é brutal e a série evidencia o altíssimo custo cobrado por essas supostas decisões de “independência”.

Euphoria temporada 3 Episódio 3 crítica da série da HBO - Flixlândia
Foto: Divulgação / HBO

O casamento do inferno e a queda de Nate Jacobs

A locação luxuosa do hotel Langham serve de palco para o ápice do ridículo e da tragédia. A atuação de Sydney Sweeney é brilhante: sua capacidade de transitar entre o sorriso plastificado para a valsa dos noivos e o desespero paranoico ao perceber que a vida que escolheu é uma mentira falida prova um enorme controle cômico e dramático. Quando a mãe de Cassie faz um monólogo deprimente a caminho do altar sobre como o casamento é brutal e decepcionante, percebemos que a garota marcha, na verdade, para a própria ruína.

Nate, por sua vez, experimenta a demolição do seu ego inflamado. O esquema imobiliário com dinheiro do agiota Naz leva a uma punição medieval: a amputação do seu dedo mindinho no tapete brega de sua própria sala de estar. Como contraponto a todo esse caos, a presença de Maddy é um retrato de maturidade. Em um vestido verde deslumbrante, ela não arma o barraco esperado pelos fãs, mas apenas observa, com uma mistura de melancolia e constatação, a implosão de seus antigos algozes. A rejeição, ela logo percebe, foi o seu maior livramento.

Rue no submundo: o faroeste urbano e o retorno de Cal

A jornada de Rue como traficante começa a exigir grande suspensão de descrença por parte do público. Vê-la convencendo criminosos a comprar fuzis AR-15 com o carisma de uma CEO aproxima a série muito mais de jogos como Grand Theft Auto ou tramas à la Breaking Bad do que do drama adolescente original.

A inclusão de claros motivos de faroeste clássico — desde as referências diretas à série dos anos 50 Have Gun – Will Travel, passando pelo pássaro Paladin, até a postura do assassino Bishop — adiciona uma camada de estranheza quase onírica ao núcleo criminoso. O balde de água fria perfeito ocorre nos minutos finais, com as luzes da DEA avisando a Rue que a “brincadeira” de mafiosa chegou ao fim.

Ainda durante as festividades, presenciamos o retorno de Cal Jacobs e seu encontro com Jules, oferecendo um desfecho agridoce e bizarro para a trama do vídeo ilícito do primeiro ano. A decisão criativa de Sam Levinson em incorporar a batalha real do saudoso Eric Dane com a esclerose lateral amiotrófica (ELA) na série, roteirizando Cal como uma figura constantemente embriagada e de fala pastosa, é uma escolha que certamente divide os críticos, mas que serviu para realçar a decadência patética do personagem.

Problemas de ritmo e a sombra dos bastidores

Mesmo com seus picos de excelência, “A Balada do Paladino” não esconde suas costuras malfeitas. A fragmentação da narrativa transparece os supostos problemas de agenda e brigas de bastidores: a dinâmica do casamento soa vazia em alguns momentos porque fica evidente que os principais atores gravaram a maioria de suas reações isoladamente contra telas falsas, em vez de contracenarem uns com os outros.

Além disso, a ausência de Labrinth na condução musical da série tem um peso imenso. As escolhas orquestrais genéricas retiraram parte da “magia sensorial” que antes tornava até as cenas mais monótonas de Euphoria em eventos transcendentes.

Conclusão

O terceiro episódio é frenético, chocante e perigosamente excessivo, mas extremamente fiel à essência polarizadora de Euphoria. Ao desmantelar a utopia suburbana e doentia de Cassie e Nate a golpes de brutalidade literal, e ao colocar Rue em uma cilada federal irreversível, Levinson demonstra que a fatura dos erros destes personagens finalmente venceu.

Trata-se de um capítulo que escancara a realidade engolindo o egocentrismo jovem, provando com sangue, suor e lágrimas que nenhuma máscara — seja ela feita de plástico filme transparente, desculpas esfarrapadas ou arranjos florais de 50 mil dólares — consegue proteger ninguém para sempre.

Onde assistir à série Euphoria?

Trailer da temporada 3 de Euphoria

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Elenco da 3ª temporada de Euphoria

  • Zendaya
  • Hunter Schafer
  • Eric Dane
  • Jacob Elordi
  • Sydney Sweeney
  • Alexa Demie
  • Maude Apatow
  • Martha Kelly
  • Chloe Cherry
  • Adewale Akinnuoye-Agbaje
  • Toby Wallace
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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