festival do rio 2026 programação

Com candidatos ao Oscar e filmes inéditos, Festival do Rio transforma capital carioca no epicentro do cinema

Foto: Divulgação
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Entre os dias 1º e 11 de outubro de 2026, o Rio de Janeiro volta a se transformar no epicentro do cinema mundial com a realização da 28ª edição do Festival do Rio. Consolidado como a maior vitrine da cinematografia brasileira e o principal ponto de encontro da cinefilia na América Latina, o evento ocupa 28 salas comerciais e espaços culturais da cidade com uma seleção que ultrapassa 350 produções entre longas, curtas, documentários e séries.

Da efervescência do Cine Odeon – Centro Cultural Luiz Severiano Ribeiro, na Cinelândia, às projeções ao ar livre e gratuitas no recém-inaugurado Centro Cultural FGV / FGV Arte, em Botafogo, o festival reafirma sua vocação de aproximar grandes mestres e novas vozes do público. Paralelamente às telas, o setor audiovisual se conecta no Armazém da Utopia, no Cais do Porto, sede do RioMarket 2026 e de iniciativas estratégicas de mercado.

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Abertura e encerramento: o glamour internacional no Cine Odeon

Abertura de gala com ‘A Bola Preta’

A abertura oficial da maratona cinematográfica, no dia 1º de outubro de 2026, traz a estreia nacional do épico espanhol A Bola Preta (La Bola Negra). Dirigido pela consagrada dupla Javier Calvo e Javier Ambrossi — mundialmente conhecidos como “Os Javis” —, o longa aterrissa no Brasil respaldado pelo prêmio de Melhor Direção no Festival de Cannes 2026, onde arrancou 20 minutos ininterruptos de aplausos de pé.

Inspirada em escritos remanescentes do poeta Federico García Lorca e na peça La piedra oscura, de Alberto Conejero, a obra foi rodada em película 35mm e entrelaça as vidas de três homens gays em diferentes períodos da história da Espanha (1932, 1937 e 2017). O elenco traz o cantor Guitarricadelafuente, Miguel Bernardeau, Carlos González, além de participações especiais das divas Penélope Cruz e Glenn Close.

Celebrando a escolha para a gala de abertura, a diretora-executiva do festival, Ilda Santiago, ressaltou:

“Javier Calvo e Javier Ambrossi são cineastas extraordinários, com um olhar único para a complexidade humana. A Bola Preta é uma obra arrebatadora, de enorme sensibilidade e força estética”.

A Bola Preta é o filme de abertura do Festival do Rio 2026
“A Bola Preta” é o filme de abertura do Festival do Rio 2026 (Foto: Divulgação)

Encerramento duplo: ‘100 Dias’ e ‘Club Kid’

A noite de 10 de outubro de 2026 reserva uma jornada dupla no Cine Odeon para encerrar a programação de exibições:

  • Gala de encerramento brasileira: a première mundial de 100 Dias, primeiro longa-metragem em live-action do cineasta carioca Carlos Saldanha (reconhecido por sucessos como A Era do Gelo e Rio). Protagonizado por Filipe Bragança no papel do navegador Amyr Klink, o filme adapta a épica travessia solitária a remo realizada em 1984 entre a África do Sul e o litoral baiano, com distribuição nacional da Buena Vista International (Disney).
  • Gala de encerramento internacional: A exibição de Club Kid, comédia dramática escrita, dirigida e estrelada por Jordan Firstman. Rodado em 35mm na cultura queer de Nova York, o filme foi disputado no Festival de Cannes — onde teve seus direitos adquiridos pela influente distribuidora A24 — e exibido no Festival de Toronto.

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Rumo ao Oscar 2027: o termômetro das premiações internacionais

O Festival do Rio 2026 reafirma sua posição como o grande termômetro da América Latina para a corrida pelas estatuetas da Academia de Hollywood ao exibir 16 produções pré-selecionadas por seus países para o Oscar de Melhor Filme Internacional:

  1. Feito Pipa (Brasil): Dirigido por Allan Deberton e estrelado por Lázaro Ramos, Teca Pereira e pelo jovem Yuri Gomes, o longa foi escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para representar o país no Oscar 2027 após vencer o Urso de Cristal no Festival de Berlim.
  2. A Bola Preta (Espanha): Aclamado épico de Javier Calvo e Javier Ambrossi.
  3. Josephine – Fragmentos de um Crime (EUA): Fenômeno do Festival de Sundance 2026 (onde venceu o Grande Prêmio do Júri e do Público), escrito e dirigido pela cineasta de ascendência brasileira Beth de Araújo, com elenco liderado por Channing Tatum e Gemma Chan.
  4. Cartas Amarelas (Alemanha/Turquia): Vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim 2026, dirigido por Ilker Çatak.
  5. Covarde (Bélgica): Drama de Lukas Dhont ambientado na Primeira Guerra Mundial, premiado com o Troféu de Melhor Ator em Cannes.
  6. Rose (Áustria): Obra histórica de Markus Schleinzer, que rendeu a Sandra Hüller o Urso de Prata de Melhor Atuação em Berlim.
  7. Elefantes na Névoa (Nepal/Brasil): Coprodução internacional dirigida por Abinash Bikram Shah, exibida na mostra Un Certain Regard em Cannes.
  8. Quem Matou Narciso? (Paraguai/Brasil): Investigação sobre o regime militar paraguaio dirigida por Marcelo Martinessi, vencedora do Prêmio FIPRESCI em Berlim.
  9. O Degelo (Chile): Dirigido por Manuela Martelli, centrado nas memórias dos Andes no pós-ditadura.
  10. 9 Templos Para o Céu (Tailândia): Dirigido por Sompot Chidgasornpongse.

A seleção conta ainda com os representantes de Kosovo (Dua – Tempos de Guerra, de Blerta Basholli), Marrocos (A Mais Doce, de Laïla Marrakchi), Chade (Soumsoum, a Noite das Estrelas, de Mahamat-Saleh Haroun), Noruega (Os Frutos da Terra, de Hans Petter Moland) e Palestina (Cidadão Osama, de Ahmed Hassouna).

Feito Pipa
“Feito Pipa” é o indicado do Brasil ao Oscar 2027 (Foto: Divulgação)

Première Brasil: a força criativa do cinema nacional

Principal vitrine do audiovisual do país, a Première Brasil selecionou 101 filmes brasileiros (entre longas e curtas-metragens) a partir de um universo de quase 1.500 inscritos. Desses, 45 produções disputam o cobiçado Troféu Redentor, enquanto 15 longas realizam sua estreia mundial.

O presidente da RioFilme, Leonardo Edde, destaca o papel estratégico da mostra:

“A Première Brasil tem um papel decisivo ao dar protagonismo à diversidade do cinema brasileiro. Para a Prefeitura do Rio e a RioFilme, apoiar o Festival significa fortalecer toda a cadeia audiovisual — da criação à exibição”.

Destaques das mostras competitivas e paralelas

  • Competição Longas de Ficção: Reúne obras aguardadas como Funk (de Aly Muritiba, acompanhando a cena do funk carioca com MC Sabrina e Duda Santos); Diário do Fogo (horror urbano e social de Maju de Paiva e Bernardo Florim); Oceânico (ficção científica sobre medicina psicodélica dirigida por Guilherme Coelho, com Ana Carbatti e o neurocientista Sidarta Ribeiro); A Professora de Francês (thriller de Ricardo Alves Jr., com Grace Passô); LONDON (drama queer de Victor Di Marco e Márcio Picoli, vencedor do Queer Lion em Veneza); e Vicentina Pede Desculpas (de Gabriel Martins).
  • Competição Longas Documentário: Exibe retratos de memória e história, como Elza (de Eryk Rocha, narrado pela própria voz de Elza Soares); Alucinação (de Renato Terra, Marcos Caetano e Leo Caetano, conduzido pela poética de Belchior); e O Sertão das Nossas Memórias (de Lucia Murat, reconstituindo a busca por Carlos Lamarca na Bahia).
  • A Música nas Telas (Mostra Retratos & Hors-Concours): Destaque para biografias e encontros musicais em Aldir Blanc – Resposta ao Tempo (de Marcus Fernando e Hugo Sukman, com Humberto Carrão); Flora & Airto: O Som Revolucionário (de Jom Tob Azulay, sobre os ícones do jazz-fusion Flora Purim e Airto Moreira); VIVO 76 (de Lírio Ferreira, resgatando a fase psicodélica de Alceu Valença); Squel, Confissões de uma Porta-Bandeira (de Celina Torrealba e Zeca Brito, sobre a sambista Squel Jorgea); e Ney por Trás das Máscaras (documentário de Esmir Filho acompanhando Ney Matogrosso nos bastidores do Carnaval).
  • Séries Brasileiras na Tela Grande: Apresentação de episódios inéditos de Cidade de Deus 2: A Luta Não Para (direção de Aly Muritiba para a HBO Max); Marília Mendonça: Sentimento Louco (série documental de Susanna Lira para o Amazon MGM Studios); e Amora (adaptação da obra de Natália Borges Polesso dirigida por Juliana Rojas para o Canal Brasil, com Bruna Linzmeyer).
  • Mostra Nova Geração: Inclusão inédita de produções para o público jovem e famílias, trazendo trabalhos como Minha Primeira Namorada (de Jonathan Haagensen e Kátia Lund).

Retrospectiva inédita de Rosa von Praunheim

Em uma parceria especial entre o Festival do Rio e o Goethe-Institut, o evento realiza uma retrospectiva inédita no Brasil dedicada ao cineasta alemão Rosa von Praunheim, pioneiro do cinema queer e defensor dos direitos LGBTQIAPN+. A mostra reúne sete longas-metragens restaurados que atravessam cinco décadas de carreira.

A sessão de abertura da retrospectiva ocorre no dia 6 de outubro de 2026, às 21h, no Cinesystem Belas Artes Botafogo, com a exibição do clássico Não é o Homossexual que é Perverso, mas a Situação em que Ele Vive (1971). A apresentação será conduzida pela professora Rita von Hunty, seguida de debate com o professor Luciano Tavares (do Goethe-Institut) e Maria Mendes (programadora do festival).

Complementando a mostra, no dia 8 de outubro de 2026, o festival sedia a première mundial do curta-metragem Autor Desconhecido (Unknown Author), coprodução Brasil-Alemanha filmada em Berlim. Dirigido por Daniel Wierman e Paulo Menezes e estrelado por Bruno Fagundes, o curta investiga trauma e autoria artística, antecedendo a sessão do longa Cidade das Almas Perdidas (1983).

Mostras Expectativa e Première Latina: novos talentos e prêmios de aquisição

Afirmando o compromisso com a circulação do cinema independente internacional, o Festival do Rio renovou os prêmios de aquisição com a TV Globo (para a Mostra Expectativa) e com o Telecine (para a Mostra Première Latina). Os vencedores são definidos pelo voto do público via QR Code disponível nas saídas das salas.

  • Mostra Expectativa: Voltada a cineastas em seus primeiros três longas, traz títulos premiados em festivais como Memória de Menina (Judith Godrèche); Allegro Pastell (Anna Roller); Iván & Hadoum (Ian de la Rosa, vencedor do Teddy Award em Berlim); A Gradiva (Marine Atlan, premiado em Cannes); e o documentário franco-brasileiro Flor de Fogo (de Ana Vaz).
  • Mostra Première Latina: Promove o diálogo cultural latino-americano exibindo Cinzas na Boca (de Diego Luna); O Degelo (de Manuela Martelli); Glaxo (de Benjamín Naishtat); Seis Meses no Prédio Rosa e Azul (de Bruno Santamaría Razo); e La Perra (de Dominga Sotomayor).

Projeção internacional: o evento Matinée Brésil

Dando continuidade às ações de internacionalização do cinema brasileiro desencadeadas pela projeção mundial de títulos como Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto, o Festival do Rio e a RioFilme promoveram o evento Matinée Brésil durante o Marché du Film no Festival de Cannes.

A iniciativa reuniu instituições como SpCine, Embratur, Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, Globo Filmes e TV Globo. Sob moderação de Ilda Santiago, o encontro apresentou para cerca de 200 executivos internacionais as políticas de cash rebate, incentivos de filmagem e a seleção do programa Rio Goes to Cannes, abrindo portas diretas para coproduções e circulação global de títulos nacionais.

RioMarket 2026 e formação de talentos

Área de negócios do festival, o RioMarket 2026 ocupa o Armazém da Utopia e promove suas prestigiadas Rodadas de Negócios em formato híbrido entre os dias 5 e 9 de outubro de 2026. Em parceria com a FICA (Federação da Indústria e Comércio do Audiovisual), o encontro reúne produtores e compradores de mercados estratégicos como China, Índia, Coreia do Sul, França e Canadá, alinhando-se às diretrizes da Nova Indústria Brasil (NIB/MDIC).

Na vertente educativa e de capacitação de talentos, o festival mantém vivas suas iniciativas formativas. O Programa Nova Geração completa 26 anos articulando a relação entre cinema e escola através do Vídeo Fórum, trazendo curtas de até 10 minutos realizados por estudantes de todo o Brasil e do exterior.

Encerramento com pista cheia: a Closing Party com a BOMA

A celebração da 28ª edição extrapola a tela escura com uma aliança inédita entre cinema e cultura eletrônica. No dia 9 de outubro de 2026, a consagrada marca brasileira BOMA (Born Of Music Addiction) assina a Closing Party oficial do 28º Festival do Rio.

Comentando a parceria, o fundador da BOMA, Mit Ammar, declarou:

“A BOMA nunca se propôs a ser vista apenas como uma festa. Nosso objetivo sempre foi transformar o projeto em um ecossistema cultural… Assinar o encerramento do maior festival de cinema da América Latina é a prova de que esse caminho faz sentido”.

A diretora do festival, Ilda Santiago, reforçou:

“Cinema e música são duas expressões artísticas extremamente interligadas. Ter como parceira a BOMA é um caminho natural para celebrar a edição de 2026 do Festival do Rio”.

Serviço: programação do Festival do Rio 2026

  • Data oficial: 1º a 11 de outubro de 2026.
  • Locais e Circuito Exibidor: Cine Odeon – CCLSR (Cinelândia), Centro Cultural FGV / FGV Arte (Botafogo), Cinesystem Belas Artes Botafogo, Estação Claro Gávea, Estação Claro Rio, Reserva Cultural Niterói, Cine Santa Teresa, Circuito Cine Carioca (Realengo), Areninha Cultural Renato Russo (Ilha do Governador) e Armazém da Utopia (Cais do Porto).
  • Ingressos: Vendas de ingressos individuais e passaportes digitais através do portal oficial e bilheterias parceiras. Diversas sessões no Centro Cultural FGV, Circuito Cine Carioca e Areninha Renato Russo contam com entrada gratuita.
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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