Confira a crítica do filme "Flow", animação da Letônia indicada ao Oscar que estreou nos cinemas em 20 de fevereiro de 2025

‘Flow’, a natureza como protagonista em uma obra-prima ancestral

Foto: Mares / Alpha Filmes / Divulgação
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Desde os primórdios da animação, animais antropomorfizados dominaram as narrativas visuais, criando um elo entre a fantasia e a humanidade. Contudo, “Flow”, filme dirigido por Gints Zilbalodis, rompe com essa tradição ao trazer um realismo singular à interação entre seus personagens.

Sem diálogos e sem a necessidade de expressões exageradas, a animação letã conduz o espectador por uma jornada sensorial que evoca sentimentos profundos de sobrevivência, coletividade e transformação. Indicado ao Oscar 2025 tanto na categoria de Melhor Animação quanto na de Melhor Filme Internacional, “Flow” se destaca como uma experiência cinematográfica rara e hipnotizante.

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Sinopse do filme Flow

A história acompanha um gato preto solitário que vive em um mundo onde a presença humana se resume a ruínas e objetos abandonados. Quando uma grande enchente ameaça sua existência, ele se vê forçado a buscar refúgio em um barco.

Durante sua jornada pelas águas desconhecidas, encontra uma capivara serena, um cachorro brincalhão, um lêmure acumulador e uma garça orgulhosa. Unidos pelo instinto de sobrevivência, os animais precisam navegar pelos desafios impostos por um mundo em constante mudança, descobrindo, ao longo do caminho, que a coletividade pode ser a chave para seguir em frente.

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Crítica de Flow (2025)

“Flow” é uma obra que desafia convenções e dialoga com o público de maneira primitiva e instintiva. A decisão de Zilbalodis de não recorrer a diálogos nem a expressões humanas para os personagens reforça o compromisso da animação com a autenticidade da natureza. O gato protagonista não é um herói no sentido tradicional, mas sim um explorador, um ser que aprende a adaptar-se a um mundo que já não é mais o mesmo.

Visualmente, a animação adota um estilo minimalista que remete a obras como Shadow of the Colossus e The Last Guardian, utilizando cores suaves e texturas chapadas para criar uma atmosfera etérea. Esse efeito contribui para a imersão do espectador, fazendo com que cada cena pareça um quadro vivo, onde a água – símbolo da transitoriedade – atua tanto como elemento destruidor quanto renovador.

A trilha sonora, por sua vez, não manipula emoções, mas complementa a jornada dos personagens com sutileza, permitindo que o silêncio e os sons da natureza tenham um peso narrativo significativo. O design de som é meticulosamente trabalhado para criar uma ambientação autêntica, tornando palpável cada onda, cada passo incerto sobre estruturas submersas e cada respiração ansiosa do protagonista.

Simbolismo poderoso

Mas “Flow” vai além de sua estética e de sua abordagem sensorial. O filme carrega um simbolismo poderoso sobre mudança e adaptação, ecoando ideias filosóficas antigas, como as de Heráclito, que afirmava que “nunca nos banhamos duas vezes no mesmo rio”. A enchente que transforma o mundo do gato e seus companheiros é uma metáfora para as transições inevitáveis da vida, reforçando a ideia de que a estabilidade é uma ilusão e que tudo está em constante fluxo.

A forma como os personagens interagem entre si também merece destaque. Mesmo sem palavras, a linguagem corporal e os instintos são suficientes para transmitir intenções, medos e afetos. O gato, inicialmente arisco e solitário, aos poucos aprende a confiar nos outros, reconhecendo que a sobrevivência pode ser mais fácil quando compartilhada.

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Conclusão

“Flow” é um dos filmes mais impressionantes do ano e uma experiência cinematográfica singular. Ao rejeitar o sentimentalismo exacerbado e a necessidade de explicações verbais, a animação letã entrega uma narrativa universal, capaz de tocar espectadores de todas as idades e culturas. O silêncio se torna um poderoso veículo de comunicação, e a jornada do protagonista ressoa como uma fábula contemporânea sobre resiliência, adaptação e a beleza do desconhecido.

É uma obra que se recusa a seguir fórmulas pré-estabelecidas e nos lembra de que o cinema de animação pode (e deve) ser mais do que um espetáculo de cores e falas engraçadas. “Flow” é um lembrete de que a arte, quando conduzida com sensibilidade e propósito, é capaz de transcender barreiras linguísticas e emocionais. Uma verdadeira joia que permanecerá na memória muito além de seus breves 85 minutos de duração.

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Onde assistir ao filme Flow?

O filme está disponível para assistir nos cinemas.

Trailer de Flow (2025)

YouTube player

Ficha técnica de Flow (2025)

  • Título original: Straume
  • Direção: Gints Zilbalodis
  • Roteiro: Gints Zilbalodis, Matiss Kaza, Ron Dyens
  • Gênero: animação, aventura, fantasia
  • País: Letônia, Bélgica, França
  • Duração: 85 minutos
  • Classificação: livre
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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