Furies é um longa-metragem de drama e suspense dirigido pelo cineasta libanês Rami Kodeih, que assina seu primeiro trabalho na direção de longas de ficção. Fruto de uma coprodução internacional entre a brasileira RT Features, do produtor Rodrigo Teixeira, e a libanesa Nausika Films, o projeto nasceu de uma experiência vivida pelo próprio diretor e por Nora Mariana, que coescreveu o roteiro.
A trama reflete o impacto do bloqueio bancário enfrentado por eles no Líbano no momento em que necessitavam de recursos para um procedimento cirúrgico. Exibida na programação do Festival do Rio, a obra foi indicada pelo Líbano para disputar uma vaga na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar.
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A história de Furies
Durante o colapso econômico do Líbano provocado pela corrupção, os bancos congelam as contas de milhões de cidadãos, deixando-os sem acesso às suas economias de uma hora para outra. Maro (Rym Mroue), uma mãe solo determinada, precisa desesperadamente resgatar seu próprio dinheiro para custear a cirurgia de emergência de sua impulsiva irmã caçula, Dalia (Maria Nakouzi).
Sem alternativas legais, as duas articulam um plano audacioso para invadir o banco em um assalto noturno e recuperar o que lhes pertence, deflagrando uma reação em cadeia de eventos fora de controle em uma cidade à beira do colapso.
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Crítica do filme Furies (2026)
Subversão do gênero
A narrativa se afasta das convenções tradicionais do cinema de assalto ao substituir a busca por enriquecimento e a ganância de criminosos habituais pela simples necessidade de sobrevivência. Ao colocar cidadãs comuns no centro de um plano para recuperar o próprio dinheiro confiscado por instituições bancárias, a obra transforma um ato de transgressão em uma busca por justiça moral.
Essa abordagem dialoga de forma implícita com a própria opção pelo título, que faz referência às Fúrias da mitologia greco-romana, figuras femininas associadas à punição de ofensas graves e à restauração da ordem diante de injustiças perpetradas contra a família.

Relevância social
Essa premissa encontra ressonância direta na recente crise socioeconômica do Líbano, em que o congelamento arbitrário de depósitos bancários empurrou pessoas comuns a situações extremas. O enredo reflete episódios em que cidadãos sem histórico de criminalidade se viram forçados a invadir agências para conseguir acesso a recursos destinados a custear salários e urgências médicas.
Ao retratar essa realidade, a obra expõe o colapso do pacto social e uma evidente inversão de papéis, demonstrando como a conduta omissa das instituições financeiras e estatais acaba por impelir o indivíduo ao desespero e à ilegalidade como único recurso de preservação de seus direitos básicos.
Atuações e química
O impacto emocional da história se apoia no desempenho de Rym Mroue (Girls’ Play) e Maria Nakouzi (Hardabasht), cujas interpretações autênticas conferem credibilidade à jornada das protagonistas. O contraste entre a postura pragmática e protetora de Maro e a presença marcante de sua irmã Dalia estabelece uma dinâmica de cumplicidade natural.
Essa sintonia em cena traduz com clareza o afeto, a solidariedade e os sacrifícios de ambas, sustentando o peso dramático das decisões tomadas ao longo da narrativa. Impossível não comprar a missão delas e se apaixonar pela dupla no caminho.

Tom e ritmo
No que diz respeito ao ritmo, a narrativa se inicia de forma cadenciada, dedicando seu trecho inicial ao detalhamento dos entraves burocráticos e ao contexto familiar das personagens.
Todavia, à medida que o plano de invasão passa a ser executado, a condução do enredo acelera gradativamente, estabelecendo uma atmosfera de forte tensão. Essa transição fluida entre a introdução dramática e a sequência de ação contínua posiciona a obra como uma das exibições mais marcantes na programação do Festival do Rio deste ano.
Elenco de apoio
Embora o foco central permaneça sobre o drama familiar das protagonistas, os personagens secundários que colaboram com o plano recebem um tratamento adequado pelo roteiro.
O texto oferece informações suficientes sobre a origem e os dilemas dessas figuras coadjuvantes, justificando de forma lógica as razões que as levam a se arriscar na operação. Esse cuidado com o elenco de apoio evita que eles cumpram funções meramente mecânicas, ajudando a construir um sentido plausível de cooperação e insatisfação compartilhada diante das adversidades apresentadas.
Vale a pena assistir ao filme Furies?
Furies se firma como uma obra relevante ao articular o suspense de assalto a um retrato crítico sobre o colapso institucional e a resiliência humana no Líbano. Ao combinar atuações autênticas, um ritmo que se intensifica com precisão e um forte senso de justiça social, o filme ultrapassa os limites do entretenimento para oferecer uma reflexão sóbria sobre os dilemas morais impostos por momentos de crise extrema.
Trata-se de uma experiência cinematográfica admirável e profundamente instigante, que me agradou bastante do início ao fim.
Onde assistir ao filme Furies (2026)?
Furies esteve presente no Festival do Rio 2026 e ainda não possui uma data para estrear comercialmente nos cinemas do país.
Trailer do filme Furies (2026)
Ficha Técnica
| Campo | Informação |
| Título | Furies |
| Gênero | Drama, Suspense |
| Direção | Rami Kodeih |
| Roteiro | Rami Kodeih e Nora Mariana |
| Produção | RT Features (Rodrigo Teixeira), Nausika Films |
| Produção Executiva | George Clooney |
| Elenco Principal | Rym Mroue (Maro), Maria Nakouzi (Dalia) |
| País de Origem | Líbano, Brasil |
| Festivais / Exibições | Festival de Veneza (Venice Spotlight), Festival de Toronto, Festival do Rio |
| Reconhecimento | Representante oficial do Líbano para o Oscar de Melhor Filme Internacional (2027) |














