
Foto: Prime Video / Divulgação
O filme “Holland”, thriller estrelado por Nicole Kidman e dirigido por Mimi Cave, parece à primeira vista um passeio tranquilo por uma cidade encantadora do interior dos Estados Unidos. Porém, por trás das janelas impecáveis e dos jardins floridos, se esconde uma narrativa de paranoia, insatisfação doméstica e uma crescente sensação de que algo muito errado pulsa sob a superfície.
Repetindo a fórmula que já marcou sua carreira recente — a da mulher aparentemente perfeita em crise — Kidman mergulha novamente no terreno do suspense psicológico, agora em um filme que flerta com o bizarro e o banal em doses quase iguais.
Sinopse do filme Holland (2025)
Nancy Vandergroot (Nicole Kidman) vive em Holland, Michigan, uma cidade onde tudo parece tirado de um catálogo de perfeição: tulipas, festivais típicos, casinhas alinhadas e famílias que jantam juntas pontualmente. Professora de economia doméstica, esposa de um respeitado optometrista (Matthew Macfadyen) e mãe de um adolescente em fase rebelde (Jude Hill), ela aparenta ter uma vida dos sonhos.
Mas tudo começa a ruir quando pequenas suspeitas sobre o comportamento do marido ganham forma. Com a ajuda do colega de escola Dave (Gael García Bernal), Nancy começa uma investigação amadora que a leva a descobrir segredos cada vez mais perturbadores. Entre almoços escolares e pesadelos surreais, o véu da normalidade começa a rasgar — e o que está por trás não é bonito.
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Crítica de Holland, do Prime Video
Nicole Kidman é uma especialista em interpretar mulheres à beira do colapso — e Nancy Vandergroot é mais uma adição à galeria. Sua atuação é contida, marcada por sussurros e olhares perdidos que funcionam como espelhos da exaustão emocional da personagem. Mais uma vez, a atriz desafia a própria imagem midiática de mulher “perfeita” ao interpretar uma figura que está presa justamente nessa performance incessante de perfeição.
A escolha de situar a história no ano 2000, feita por Mimi Cave, intensifica esse contraste entre aparência e realidade, adicionando uma pitada de nostalgia analógica à trama. A cidade de Holland, com seus trajes folclóricos e clogs de madeira, funciona como um cenário ideal para disfarçar o caos interno dos personagens. É o tipo de lugar onde todo sorriso parece encobrir um segredo.
Direção afiada, roteiro frouxo
Mimi Cave, que se destacou em Fresh (2022), demonstra sensibilidade para construir atmosferas inquietantes a partir do cotidiano. Os planos detalhados da maquete da cidade, os pesadelos carregados de simbolismo e o uso criativo de elementos visuais holandeses são provas de seu olhar apurado.
No entanto, o roteiro de Andrew Sodroski não acompanha o mesmo ritmo. Desenvolvido por quase uma década e enfim tirado da gaveta, o texto parece preso em indecisões de tom e propósito. Por longos 80 minutos, o filme gira em torno de uma suspeita frágil — uma possível traição — sustentada por “vibes” e pequenos indícios que soam mais como paranoia do que pistas consistentes.
Quando o enredo finalmente acelera, o faz de forma apressada e pouco convincente. As reviravoltas, em vez de surpreender, soam forçadas e deixam um gosto de oportunidade desperdiçada.
Elenco competente, mas desperdiçado
Kidman está, como sempre, magnética — mesmo quando o material não está à sua altura. Gael García Bernal faz o possível com um personagem mal aproveitado, que aparece mais como uma muleta narrativa do que como alguém com agência própria.
Já Matthew Macfadyen, que conquistou o público como o Tom de Succession, entrega uma performance dúbia e inquietante, conseguindo ser ao mesmo tempo carismático e ameaçador — talvez o melhor trabalho do elenco.
Infelizmente, a relação entre esses personagens carece de tensão real. Faltam diálogos mais incisivos, motivações claras e um aprofundamento emocional que justifique as atitudes cada vez mais radicais de Nancy.
Uma crítica à vida doméstica sufocante
Apesar das falhas, “Holland” acerta em seu retrato de uma mulher aprisionada nas expectativas de uma sociedade patriarcal. Nancy é a esposa ideal, a mãe zelosa, a cidadã exemplar — mas sua identidade está diluída em tantas funções que já não sabe quem é. O filme não precisa gritar isso; apenas mostrar o cotidiano sufocante já basta para construir essa crítica social, ainda que de forma sutil.
A fuga de Nancy, mesmo que envolta em clichês e fantasias mal resolvidas, carrega um simbolismo importante: o desejo de romper com uma rotina que a esmaga, ainda que o preço seja alto demais.
Conclusão
“Holland” é um thriller que parece prometer mais do que entrega. Com uma atmosfera visual instigante, boas atuações e uma protagonista interessante, o filme tinha todos os elementos para ser um suspense marcante. No entanto, seu roteiro errático e a incapacidade de construir uma tensão consistente acabam por diluir o impacto da história.
Ainda assim, para quem acompanha a carreira de Nicole Kidman, trata-se de mais um capítulo em sua jornada de desconstrução da imagem da mulher idealizada. Mesmo em uma produção irregular, a atriz reafirma sua disposição de mergulhar em personagens desconfortáveis e levantar questões relevantes sobre o papel feminino na sociedade.
Para os fãs do gênero, “Holland” pode ser uma experiência curiosa — embora não totalmente satisfatória. Ao final, talvez reste apenas a imagem de um trem passando por uma cidade de mentira, onde tudo parece perfeito… até que não é mais.
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Onde assistir ao filme Holland?
O filme está disponível para assistir no Prime Video.
Trailer de Holland (2025)
Elenco de Holland, do Prime Video
- Nicole Kidman
- Gael García Bernal
- Matthew Macfadyen
- Jude Hill
- Jeff Pope
- Isaac Krasner
- Lennon Parham
- Rachel Sennott
- Chris Witaske
- River Brooks
Ficha técnica do filme Holland
- Título original: Holland
- Direção: Mimi Cave
- Roteiro: Andrew Sodroski
- Gênero: suspense
- País: Estados Unidos
- Duração: 109 minutos
- Classificação: 16 anos