Personagem Tom Clancy, interpretado por John Krasinski, em cena do filme Jack Ryan - Guerra Fantasma

Crítica | ‘Jack Ryan: Guerra Fantasma’ diverte, mas parece um longo episódio de TV

Foto: Divulgação / Prime Video
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Depois de quatro temporadas de sucesso absoluto no Prime Video, o icônico analista da CIA criado por Tom Clancy está de volta, mas desta vez tentando a sorte em formato de longa-metragem. Jack Ryan: Guerra Fantasma marca o retorno de John Krasinski ao papel do protagonista, prometendo dar continuidade à franquia com uma trama global de conspiração.

A grande expectativa, no entanto, era saber se a transição para um filme de 105 minutos traria um escopo verdadeiramente cinematográfico ou se estaríamos assistindo apenas a um repeteco do que já rolava na TV. O resultado é uma aventura que entrega boa adrenalina, mas que claramente esbarra em escolhas criativas seguras demais.

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Sinopse

A história dá um pequeno salto no tempo e se passa cerca de três anos após os eventos finais da quarta temporada da série. Encontramos Jack Ryan tentando viver uma vida civil e tranquila, aposentado da CIA e trabalhando no setor financeiro de Nova York. No entanto, essa paz não dura quase nada. Seu antigo colega e atual vice-diretor da CIA, James Greer (Wendell Pierce), surge precisando de um favor não-oficial durante uma missão em Dubai.

O que deveria ser apenas um encontro rápido para recuperar dados com Nigel Cooke, um antigo contato britânico do MI6, sai do controle quando ele é assassinado. Jack é puxado de volta para o olho do furacão ao descobrir a existência do “Starling”, um antigo grupo clandestino focado na Guerra ao Terror que não deveria mais existir.

O grupo foi reativado pelo extremista Liam Crown (Max Beesley), um ex-soldado com ligações sombrias com o passado de Greer, que agora pretende usar terroristas para criar o caos em Londres e provar seu ponto de vista militar. Para resolver a situação, Jack se une novamente ao pragmático Mike November (Michael Kelly) e a uma durona agente do MI6, Emma Marlow (Sienna Miller).

Crítica do filme Jack Ryan: Guerra Fantasma

Ação competente, mas com cara de televisão

Se tem uma coisa que Guerra Fantasma sabe fazer, é entregar o feijão com arroz das cenas de ação. A direção de Andrew Bernstein mantém o ritmo agitado com perseguições de barco pelas águas de Dubai e uma sequência de tiroteio com carros muito bem executada nas ruas de Londres.

Apesar de funcionarem bem, essas sequências pecam em um ponto crucial: falta o peso do cinema. A iluminação, os enquadramentos e a condução da trama dão a nítida sensação de que o público está consumindo um episódio estendido da série, e não um longa de grande orçamento.

Ao tentar espremer uma enorme conspiração internacional em menos de duas horas, o ritmo acelera de um jeito que sufoca a narrativa. O que fazia a série brilhar era justamente o tempo que os episódios davam para a tensão política se construir em camadas, algo que simplesmente se perde na pressa do filme.

Tom Clancy, interpretado por John Krasinski, com outros três personagens em cena do filme Jack Ryan - Guerra Fantasma (1)
Foto: Divulgação / Prime Video

Roteiro superficial e um herói no piloto automático

John Krasinski não só estrela como também assina o roteiro do filme. Ele ainda transmite muito bem aquela aura de herói imperfeito, cansado e incrivelmente inteligente. Porém, neste longa, o ator parece jogar muito na zona de conforto, entregando uma performance tão reservada que em alguns momentos soa apática. Os diálogos também deixam a desejar, recorrendo frequentemente a piadinhas bobas e falas pouco inspiradas.

O roteiro chega a tocar em temas geopolíticos muito relevantes do nosso mundo moderno, como o controle de dados invisíveis, guerras cibernéticas silenciosas e as consequências morais deixadas pelos anos pós-11 de setembro. Era a chance de ouro para criar uma história complexa e atual, mas o roteiro joga as reflexões pela janela logo na metade para virar uma caçada de gato e rato bem padronizada, preferindo apostar em hordas de capangas genéricos levando tiro.

Bons coadjuvantes que mereciam mais tela

A química entre os veteranos Jack, Greer e November é imediata e traz um enorme conforto para o fã que os acompanhou durante as quatro temporadas. A maior surpresa, sem dúvidas, é a chegada de Sienna Miller como Emma Marlow. Ela traz uma dose maravilhosa de energia e partilha de um cinismo ótimo com Krasinski. O problema? Ela é escanteada rapidamente, e a trama falha em aproveitar todo o potencial que a personagem poderia oferecer.

O vilão de Max Beesley sofre de um mal parecido. A relação ideológica entre ele e Greer carrega a bagagem dramática mais rica de todo o longa, mas a correria da montagem não permite que os traumas ou motivações de ambos respirem e tenham o peso necessário. Outro fator que incomoda e quebra a imersão são os momentos exagerados de product placement, com direito a cenas inteiras enaltecendo voos na primeira classe da Emirates ou o alto avanço tecnológico das câmeras de segurança de Dubai.

Conclusão – Jack Ryan: Guerra Fantasma é bom?

Jack Ryan: Guerra Fantasma não é um desastre, mas definitivamente pede muito mais do que tem a oferecer. O filme cumpre a função de divertir, garantindo um bom passatempo repleto de ação sólida para quem já acompanha a franquia do Prime Video.

Contudo, fica muito claro que essa narrativa corrida poderia ter rendido uma história espetacular e densa se tivesse sido desenvolvida com a calma de uma quinta temporada na TV. O saldo é positivo, mas o espião de Tom Clancy merecia uma aventura muito mais memorável e corajosa.

Onde assistir ao filme Jack Ryan: Guerra Fantasma?

  • Prime Video

Trailer de Jack Ryan: Guerra Fantasma (2026)

YouTube player

Elenco de Jack Ryan: Guerra Fantasma, do Prime Video

  • John Krasinski
  • Wendell Pierce
  • Michael Kelly
  • Max Beesley
  • Betty Gabriel
  • JJ Feild
  • Douglas Hodge
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

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