Jujutsu Kaisen temporada 3

‘Jujutsu Kaisen’: um espetáculo visual e emocional que redefine o Shounen na 3ª temporada

Foto: Divulgação
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Fala a verdade: o arco do Jogo do Abate (Culling Game) sempre foi aquele momento da história que dividiu os leitores do mangá de Gege Akutami. É uma narrativa sobrecarregada de regras complexas que costuma frustrar muita gente. No entanto, a terceira temporada de Jujutsu Kaisen entra em cena para provar que uma adaptação bem-feita pode consertar falhas e salvar qualquer enredo.

Sob a visão do diretor Shōta Goshozono e os talentos do estúdio MAPPA, a série não se limitou a fazer uma cópia página por página. A equipe foi ambiciosa, pegando as fraquezas do roteiro e transformando os novos episódios em um marco absoluto para os animes de ação, entregando indiscutivelmente a melhor temporada da série até aqui.

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Sinopse

O Japão não é mais o mesmo após a devastação sem precedentes causada pelo Incidente em Shibuya. Com Satoru Gojo trancafiado no Reino do Confinamento e a sociedade em colapso, o sádico Kenjaku inicia o seu Jogo do Abate. Trata-se de um complexo e obscuro “battle royale” de sobrevivência que força feiticeiros recém-despertos e figuras do passado a se matarem por pontos.

Sem o luxo do tempo ou o apoio de antigos mentores, Yuji Itadori, Megumi Fushiguro, Maki Zenin e Yuta Okkotsu precisam entrar nas colônias de combate. O objetivo deles? Acumular pontos suficientes para adicionar novas regras que permitam salvar a irmã de Megumi, Tsumiki, ao mesmo tempo em que buscam a figura conhecida como “Anjo” para tentar libertar Gojo.

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Crítica da temporada 3 de Jujutsu Kaisen

O peso da culpa e o amadurecimento dos personagens

Por mais incrível que seja o visual, a maior força motriz desta temporada reside no núcleo emocional de Yuji Itadori. Ele carrega nas costas a culpa esmagadora pelo massacre incalculável promovido por Sukuna em seu corpo. O clímax temático desse dilema acontece em sua batalha contra Hiromi Higuruma, um ex-advogado genial e desiludido com o falho sistema judicial japonês. Ao ser levado para dentro da expansão de domínio de Higuruma, simulando um tribunal, Yuji não foge da acusação. Ele simplesmente admite a responsabilidade pelas mortes, assumindo uma culpa por um massacre que não cometeu de propósito. Esse momento é dilacerador e poderoso; não só devolve a fé na humanidade a Higuruma, mas também sela o amadurecimento de Yuji, que deixou de apenas reagir aos traumas para escolher ativamente como carregá-los em sua jornada de redenção.

Outro ponto que exige aplausos é o arco sombrio de Maki Zenin. Para atenuar os pecados da sua família e vingar sua irmã, ela assume de vez o espírito temível de Toji e abraça sua restrição celestial. A carnificina que ela instaura contra o seu próprio clã evoca o banho de sangue estilizado do filme “Kill Bill”, entregando um momento catártico que cimenta a personagem como uma das presenças mais intimidadoras de todo o elenco.

Jujutsu Kaisen temporada 3
Foto: Divulgação

A complexidade do Jogo do Abate e a quebra de tom

Se há um defeito inerente à trama, é a barreira de entrada colossal que o Jogo do Abate construiu. Estruturalmente, a narrativa estilhaça a dinâmica de grupo da qual gostávamos nas temporadas anteriores, separando os personagens em várias colônias isoladas. Isso fez com que espectadores mais novos — especialmente aqueles que pularam para a 3ª temporada assistindo apenas ao filme de recapitulação Jujutsu Kaisen: Execution — se sentissem completamente alheios ao impacto emocional da obra. O filme serve apenas como um lembrete, não como substituto; devorar as duas primeiras temporadas tornou-se uma tarefa obrigatória para não ser atropelado pelos novos eventos.

Para quebrar a densidade das regras e o isolamento dos personagens, a introdução de figuras como o carismático apostador Kinji Hakari e o excêntrico Fumihiko Takaba foi vital. Takaba, vestido num traje vergonhoso de herói que é metade nudez, insere uma fisicalidade hilária parecida com “Tom e Jerry” no meio de batalhas mortais. Ele ignora a tensão do ambiente, agindo como se estivesse em uma comédia paralela (sem fazer ideia do próprio nível de poder), o que serve de alívio cômico excelente contra o estoicismo de Megumi.

Arte, direção e trilha sonora impecáveis

A execução da equipe de animadores não pode ser classificada como nada menos que cinema puro. Em vez de simplesmente animar o mangá, Shōta Goshozono trouxe criatividade extra para cada quadro. As cenas ganharam animações complementares absurdas, indo desde sequências de parkour com rotação de câmera tridimensional até coreografias intensas usando rotoscopia para imprimir um realismo assustador no combate corpo a corpo.

O uso de cores foi revisto para amplificar a emoção. Os azuis e amarelos das temporadas anteriores deram lugar a tons de lavanda e branco nas paisagens, com iluminações mais frias em momentos depressivos e contrastes gritantes de vermelho e azul neon durante as cenas de adrenalina extrema (como na luta de Yuji contra Higuruma). Quando a temporada nos transporta para “Sendai Colony”, Yuta Okkotsu entrega a maior definição de “espetáculo visual” enfrentando Kurourushi, Uro e Ryu em combates com manipulação do céu, rajadas de laser e choques de domínio triplo, tudo estendido em relação ao material original para o delírio dos fãs.

Somado a isso, a sonoplastia brilhou de forma exótica. Em vez de apostar no genérico, as composições orquestraram desde harmonias assustadoras, sons de violão acústico e techno de boate, até um inusitado “big band jazz”. Foi uma salada mista que se provou genial e imersiva.

Temporada 3 de Jujutsu Kaisen é boa?

É verdade que a curta duração de 12 episódios deixa uma sensação de obra incompleta, como se o público estivesse se levantando da mesa antes mesmo da sobremesa chegar. No entanto, a 3ª temporada de Jujutsu Kaisen é um marco inquestionável e um verdadeiro estudo de caso sobre como o talento na direção pode melhorar vertiginosamente um roteiro falho.

Transbordando empatia no seu desenvolvimento de personagens e abusando de uma qualidade técnica sublime, a série empurra os limites da indústria para entregar uma adaptação visceral e inesquecível.

Ficha técnica

  • Título: Jujutsu Kaisen – 3ª Temporada
  • Arco Adaptado: Jogo do Abate (The Culling Game)
  • Direção: Shōta Goshozono
  • Estúdio: MAPPA
  • Criador Original: Gege Akutami
  • Formato: 12 Episódios
  • Baseado em: Mangá
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

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