Vamos combinar uma coisa: acompanhar Origem (From) é um verdadeiro teste para os nervos e para a paciência. A série sempre foi mestre em criar uma atmosfera de terror sufocante, mas a jornada até o décimo e último episódio da 4ª temporada foi, no mínimo, turbulenta.
Enquanto muitos de nós fomos fisgados por uma mitologia que só se expandia, a sensação de que estávamos rodando em círculos ficou inegável na reta final.
No entanto, quando as peças finalmente caíram no tabuleiro no episódio “Se Uma Árvore Cai Na Floresta…”, fomos recompensados com um verdadeiro banho de sangue, tensão absoluta e reviravoltas que deixam o terreno preparado para uma 5ª e última temporada caótica.
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Sinopse
O final da temporada foca na execução do plano de arrancar a temida Árvore das Garrafas pela raiz para resgatar Tabitha e Jade, que estão presos nos túneis com os ossos das crianças mortas. Como Victor já havia alertado, mexer na árvore cobra um preço alto: a cidade é tomada por um terremoto e o dia vira noite, permitindo que os monstros ataquem livremente. Em meio ao caos, perdemos personagens importantes.
Elgin é assassinado após recusar um acordo sombrio, Marielle tem um fim trágico nas garras da criatura Smiley, e Henry quase comete o pior dos erros ao ser manipulado e tentar atirar no próprio filho, Victor. Para coroar o pesadelo, Fatima toma uma atitude irreversível nos túneis para salvar o grupo, e o Homem de Amarelo (disfarçado de Sophia) rouba todos os talismãs de proteção da cidade, jogando-os em uma Árvore Distante.
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Crítica do episódio 10, final da temporada 4 de Origem
A síndrome da enrolação e tramas esquecidas
Apesar de o episódio 10 ser eletrizante, não dá para passar pano para a estrutura desta temporada 4 de Origem. Em muitos momentos, parecia que estávamos assistindo a episódios filler, em uma temporada que poderia facilmente ser mais enxuta. O roteiro pecou ao abrir mão de tramas que prometiam ser o motor da história.
Cadê a viagem no tempo da Julie que parecia ser tão importante nos primeiros episódios? E a busca de Ethan pelo Lago das Lágrimas (Lake of Tears), que o fantasma de Jim indicou? Tudo isso foi deixado de lado ou resolvido de forma bem insatisfatória.
Outro ponto que irritou profundamente foi a falta de comunicação e a teimosia dos personagens. A gente sabe que eles estão presos em um ciclo de loucura, mas ver Tabitha escondendo informações cruciais e todo mundo simplesmente ignorando os avisos do Victor — o cara que cresceu sobrevivendo na cidade e entende as entidades melhor que qualquer um — beira o desrespeito com a inteligência do público. O próprio arco de Clara sendo manipulada de forma quase cega pela vilã trouxe de volta a frustração de ver sobreviventes tomando as piores decisões possíveis.

O jogo de xadrez cósmico e as sombras de Lost
Se havia alguma dúvida, o final do episódio escancara que tudo o que acontece na cidade de Origem é parte de um jogo milenar entre duas entidades: o Menino de Branco e o Homem de Amarelo. É impossível não olhar para essa dinâmica sem lembrar imediatamente de Lost e da clássica disputa entre Jacob e o Homem de Preto.
Nesse “xadrez cósmico”, os moradores são apenas peões. Enquanto o menino age com sutileza, acreditando no livre-arbítrio e na bondade humana, a entidade de amarelo manipula, corrompe e joga sujo. A grande revelação aqui é que a Árvore das Garrafas nunca foi a chave para escapar da cidade, mas sim uma “fechadura” que mantinha as piores forças afastadas. Ver a Sophia caminhando calmamente com os talismãs e os descartando no abismo foi um golpe de mestre do roteiro, consolidando a entidade como uma ameaça muito superior aos monstros que já conhecíamos.
Despedidas dolorosas
Quando Origem decide pesar a mão no terror e no drama, a série brilha de verdade. Tivemos baixas importantíssimas. A morte de Elgin foi seca, mas nobre: ele preferiu morrer asfixiado pelo próprio sangue pela magia de Sophia a trair a comunidade. Já o fim de Marielle foi uma das cenas mais devastadoras da série. Atacada brutalmente por Smiley, o roteiro foi cruel o suficiente para deixá-la sofrer apenas para que pudesse dar um último beijo de despedida em Kristi.
Mas o momento que vai ficar na memória dos fãs é o de Fatima. Depois de passar a temporada inteira montando aquele Golem de barro (uma trama que parecia pura encheção de linguiça no início), o simbolismo bateu à porta. O Golem era para proteção em meio ao caos, e foi exatamente no que ela se transformou. Ao abrir mão de sua humanidade nos túneis para barrar as criaturas e salvar Boyd, Ellis, Tabitha e Jade, ela assume o seu lugar na escuridão. O grito dela ecoando e o pedido para que lembrassem de quem ela era entregaram um sacrifício lindo e bizarro na mesma medida.
Peso dramático de Harold Perrineau e Robert Joy
A atuação nesta temporada precisa ser aplaudida, especialmente a de Harold Perrineau. O seu Boyd nunca foi um herói invencível; ele é falho, mas agora as rachaduras físicas e emocionais viraram o centro de sua jornada. Sempre que o xerife vacila, sentimos que a cidade inteira vai desmoronar junto com ele.
Outro grande momento de tensão dramática foi o clímax da ilusão de Henry. Envenenado pelo “sangue” dado por Sophia, ele acreditava piamente estar eliminando a âncora de um delírio ao apontar uma arma para Victor. A cena em que ele quase atira em Ethan e é desarmado por Victor teve um impacto gigantesco. A dor de Victor ao gritar “Por que você fez isso?!” resumiu perfeitamente a tragédia de um pai e um filho que, após décadas separados, foram destroçados novamente pelas forças da cidade.
Conclusão
A temporada 4 de Origem foi, sem dúvida, a mais irregular em termos de ritmo. Ela frustrou quem esperava respostas claras a cada episódio e irritou com a negligência no uso de alguns personagens que apenas flutuaram na trama. No entanto, o final cumpriu o que prometeu e reposicionou a série em um status de perigo absoluto.
Com os céus tomados por raios vermelhos, moradores perdendo a sanidade, os talismãs sumidos e uma das personagens mais queridas transformada em monstro, o palco está montado. A 5ª temporada foi confirmada como a última, e agora a produção terá a ingrata (e empolgante) missão de amarrar todas essas pontas soltas. Resta saber se o jogo cósmico terminará com a salvação pelo Lago das Lágrimas, ou se Fronville devorará todos de uma vez por todas.
Onde assistir à série Origem?
- Globoplay / MGM+
Trailer da temporada 4 de Origem
Elenco da série Origem (From)
- Harold Perrineau (Boyd)
- Catalina Sandino Moreno (Tabitha)
- David Alpay (Jade)
- Pegah Ghafoori (Fatima)
- Scott McCord (Victor)
- Chloe Van Landschoot (Kristi)
- Robert Joy (Henry)
Ficha técnica
- Título Original: From (no Brasil, Origem)
- Episódio: Temporada 4, Episódio 10 – “If a Tree Falls in the Forest…”
- Criador: John Griffin
- Produtores Executivos: Anthony Russo, Joe Russo, Jack Bender (diretor)
- Onde Assistir:


















