a casa do dragão crítica do episódio 4 da temporada 3

‘A Casa do Dragão’ (3×04): episódio esquece os livros, mas entrega drama e tensão na medida certa

Foto: HBO / Divulgação
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Chegamos à metade da temporada 3 de A Casa do Dragão e, se você esperava que o episódio 4 fosse entregar uma batalha épica com dragões se digladiando no céu, talvez precise ajustar as expectativas.

Este capítulo pisa no freio da ação desenfreada para focar na política, no desenvolvimento de personagens e em preparar o terreno para os conflitos sangrentos que estão por vir. É um episódio que testa a paciência de quem busca adrenalina, mas que recompensa os fãs que adoram os bastidores sujos do jogo dos tronos.

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Sinopse

Com as forças dos Verdes tomando a cidade mercenária de Tumbleton, Ormund Hightower revela seus verdadeiros e obscuros planos de poder para o jovem Daeron Targaryen. Enquanto isso, em Porto Real, a governança de Rhaenyra Targaryen começa a ruir devido à falta de aliados fortes no conselho, boatos cruéis nas ruas e atritos com seus próprios montadores de dragão.

Em paralelo, Daemon encontra sua filha Rhaena com um dragão selvagem no Vale, o que o leva a cometer um assassinato para encobri-la. Longe dali, o exilado rei Aegon II e Larys Strong chegam às ruínas de Pouso de Gralhas, onde o monarca precisa enfrentar a humilhação extrema para sobreviver enquanto chora sobre o corpo de seu amado dragão Sunfyre.

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Crítica do episódio 4 da temporada 3 de A Casa do Dragão

Ritmo mais lento, mas estratégico

Depois de um terceiro episódio que elevou o nível da temporada, “Tumbleton” sofre um pouco com o seu próprio ritmo. A cadência é perceptivelmente mais lenta, funcionando como uma grande preparação de peças no tabuleiro.

Mesmo sem grandes catarses explosivas, a qualidade de produção e o apelo visual de cenários construídos do zero — como a charmosa (e agora oprimida) vila de Tumbleton e os escombros devastadores de Pouso de Gralhas — mantêm a série como um dos maiores espetáculos da TV. É ali, no meio do luto e das latrinas, que o roteiro nos lembra do custo humano e civil da guerra.

a casa do dragão 4 episódio da 3 temporada
Foto: HBO / Divulgação

A ascensão de Ormund Hightower e a perda da inocência

Quem rouba a cena no episódio é, sem dúvidas, Ormund Hightower, interpretado de forma brilhante por James Norton. O personagem tem uma vibe de “CEO de Big Tech” arrogante, unindo uma erudição metódica a explosões de fúria assustadoras. Já sabíamos da sua curiosa (e bizarra) sensibilidade a odores — algo que Alicent fez questão de contar para Rhaenyra de uma forma que soa até como uma “dica de videogame” para derrotar um chefão.

Mas o que choca é a sua crueldade fria. Ormund abriga seus 15.000 soldados na cidade de Tumbleton e usa a população civil como escudo humano contra os dragões de Rhaenyra. Pior do que isso é a forma como ele manipula o jovem e gentil Daeron Targaryen.

Em uma cena incômoda e sombria, Ormund corrompe o menino ao forçá-lo a executar com sua espada de aço valiriano, Vigilância, um homem inocente que apenas defendia a irmã de um abuso. O plano de Ormund fica claro: ele quer usar a Fé dos Sete e sua crença na supremacia dos Hightower para criar um novo rei, purgado das “sujeiras” valirianas, o que o torna um antagonista formidável.

Erros da rainha e Conselho em frangalhos

A atuação de Emma D’Arcy continua fantástica e sutil, transparecendo o fardo emocional de tentar manter o poder. No entanto, as decisões políticas de Rhaenyra neste episódio beiram o desastre. Sem Corlys Velaryon, que a abandonou após ser ofendido e mandou o filho bastardo Alyn em seu lugar, o Pequeno Conselho virou uma piada. Ela aponta Torrhen Manderly como Mestre da Moeda apenas para usá-lo como bode expiatório da crise financeira.

Para piorar, a rainha lida muito mal com os novos montadores de dragão. Ela proíbe Ulf de frequentar as tavernas (“lei seca”), retirando a única coisa que ele gostava, o que obviamente gera ressentimento. Como troco, Ulf avisa que estão pichando os muros da cidade a chamando de “Rainha dos Bastardos”. Em vez de usar a inteligência de Mysaria, Rhaenyra envia as capas douradas para espancar o povo comum pelas ruas em busca de culpados que sequer sabem ler, destruindo de vez sua popularidade com a plebe.

Paternidade, legado e o exílio do rei

O tema principal que costura o episódio é a paternidade e o legado. Daemon tem uma cena comovente no Vale ao encontrar a filha Rhaena escondida numa caverna após domar o dragão selvagem Sheepstealer (Ladrão de Ovelhas). Culpada por não ter salvado o príncipe Jace e ressentida pelo abandono paterno a vida toda, ela exige que Daemon minta para a rainha.

O príncipe rebelde então frita um inocente pastor de ovelhas e entrega sua cabeça carbonizada para Rhaenyra como prova falsa, algo que Mysaria percebe na hora ser mentira. Essa mentira é uma bomba-relógio para a facção dos Pretos. E vale menção também à descoberta da gravidez de Helaena Targaryen, indicando que o herdeiro Maelor finalmente dará as caras.

Mas o arco mais cativante da semana pertence ao destronado rei Aegon II (vivido de forma espetacular por Tom Glynn-Carney) e Larys Strong. Completamente desfigurado e dado como morto, Aegon foge para Pouso de Gralhas. Lá, ele tem que limpar latrinas e beijar as botas sujas de fezes de um soldado qualquer para sobreviver.

Mas o que realmente emociona é sua fé de que seu dragão, Sunfyre, cujo corpo jaz no local, não está morto. A relação de amor entre o montador falho e seu dragão ferido traz uma humanidade essencial ao personagem.

Elefante na sala: a adaptação de fogo e sangue

Se formos analisar o episódio sob a ótica da fidelidade ao livro Fogo e Sangue, de George R.R. Martin, “Tumbleton” é provavelmente o episódio que mais se desvia do material original até agora. A série mudou drasticamente a personalidade de Ormund, corrompeu a história do nobre e heroico Daeron (que nos livros ganha a alcunha de “Daeron, o Ousado”) e colocou Rhaena para assumir o arco heroico que pertencia à icônica personagem Ortigas (Nettles).

Enquanto adaptação, os roteiristas pesaram a mão nas invenções, criando situações um pouco artificiais e vilões cartunescos. No entanto, julgando puramente como um produto de televisão, o episódio funciona bem e constrói dinâmicas engajantes.

Conclusão

O episódio 4 da temporada 3 de A Casa do Dragão troca o fogo e sangue literais pelo veneno silencioso da política, das intrigas de bastidores e dos conflitos familiares. Roteiro e direção escolhem focar em como líderes lidam com a pressão, muitas vezes de maneira falha.

Apesar das controvérsias em relação aos livros e de um ritmo ocasionalmente arrastado, as atuações de peso e as maquinações audaciosas garantem que a nossa ansiedade pelas verdadeiras guerras de Tumbleton e das terras fluviais só aumente. Resta saber por quanto tempo Rhaenyra sustentará seu trono de mentiras e o que acontecerá quando o desaparecido Aemond e a monstruosa Vhagar finalmente reaparecerem.

Leia mais sobre A Casa do Dragão:

Onde assistir à série A Casa do Dragão?

  • HBO e HBO Max

Trailer da temporada 3 de A Casa do Dragão

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Elenco de A Casa do Dragão, da HBO

  • Emma D’Arcy (Rhaenyra Targaryen)
  • Olivia Cooke (Alicent Hightower)
  • Matt Smith (Daemon Targaryen)
  • Tom Glynn-Carney (Aegon II Targaryen)
  • Ewan Mitchell (Aemond Targaryen)
  • Steve Toussaint (Corlys Velaryon)
  • Harry Collett (Jacaerys Velaryon)
  • James Norton (Ormund Hightower)

Ficha técnica

  • Série: A Casa do Dragão (House of the Dragon)
  • Temporada: 3
  • Episódio: 4
  • Elenco principal mencionado: Emma D’Arcy (Rhaenyra Targaryen), Matt Smith (Daemon Targaryen), James Norton (Ormund Hightower), Tom Glynn-Carney (Aegon II Targaryen), Olivia Cooke (Alicent Hightower), Matthew Needham (Larys Strong), Phia Saban (Helaena Targaryen), Tom Bennett (Ulf, o Branco)
  • Material original base: Fogo e Sangue (Fire & Blood), de George R.R. Martin
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

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