Morte e Vida Madalena é um novo longa-metragem brasileiro de comédia dramática dirigido pelo cineasta cearense Guto Parente (Inferninho) e coproduzido entre Brasil e Portugal. O filme aproxima as complexidades do luto e da criação artística ao retratar com metalinguagem os bastidores de uma produção audiovisual independente.
A obra utiliza o humor e o drama para observar o fazer cinematográfico comunitário a partir de uma perspectiva intimista e humanizada, propondo uma reflexão sobre a persistência diante do caos cotidiano ao encontrar na finitude e na maternidade os eixos de sua estrutura narrativa.
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Sinopse
Madalena (Noá Bonoba) é uma produtora de cinema que precisa lidar ao mesmo tempo com a morte recente do pai, sua gravidez de oito meses e a produção de uma ficção científica B na qual tudo parece dar errado.
Quando Davi (Marcus Curvelo), o diretor da obra e seu ex-marido, desaparece misteriosamente do set, ela assume a responsabilidade de concluir as gravações antes do nascimento do bebê. Nessa corrida contra o tempo, o set de filmagem se transforma em um cenário caótico onde os limites entre o luto, o trabalho e a vida pessoal se misturam completamente.
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Tom e comicidade
A história constrói o seu tom ao observar a iminência de um colapso na produção, mantendo um equilíbrio entre o riso e a sensibilidade. O humor emerge naturalmente do contraste entre a urgência de uma gestação em estágio avançado e os imprevistos contínuos no set, onde a tentativa de controlar o inevitável gera situações absurdas.
Essa abordagem bem-humorada do caos operacional permite que a narrativa arranque risos do espectador sem, no entanto, esvaziar o peso emocional do luto que atravessa a protagonista.

Atuação central
A condução do enredo encontra sustentação na interpretação de Noá Bonoba (Estranho Caminho), que atua como o centro prático e emocional da trama em meio à desordem do set. É notória a escalação da atriz, uma mulher trans, para interpretar uma personagem cisgênero grávida, uma decisão que se justifica pela qualidade e firmeza de seu trabalho dramático.
O desempenho de Noá sustenta o ritmo da obra de maneira orgânica, garantindo que a força da cena dependa exclusivamente de sua entrega e da construção narrativa da personagem.
Espírito mambembe
O caráter artesanal da produção transparece no arranjo mambembe do set, onde a limitação de recursos financeiros é contornada pelo improviso constante da equipe. Esse ambiente reúne profissionais de perfis diversos que se desdobram em múltiplas funções para garantir o andamento das gravações.
Apesar das rusgas inevitáveis e dos atritos decorrentes do estresse diário, as dificuldades operacionais acabam por fortalecer o espírito coletivo, culminando no acolhimento mútuo e na celebração conjunta ao alcançarem a conclusão das filmagens. Esse aspecto parece representar o maior emblema da metalinguagem no longa.
O afeto como motor
A obstinação da protagonista em concluir as gravações vai além do dever profissional, fundamentando-se em um forte vínculo afetivo com o projeto. Como o roteiro da ficção científica B foi o último trabalho deixado por seu pai antes de falecer, a finalização da obra assume a dimensão de uma missão pessoal para preservar a memória dele.
Assim, o empenho em levar o projeto até o fim funciona como um processo de elaboração da perda, em que o ato de realizar o filme se converte em um caminho para lidar com a ausência e fechar esse ciclo de despedida.
Comunidade e resistência
A superação das limitações técnicas, do orçamento reduzido e do repentino desaparecimento do diretor se apoia inteiramente na mobilização coletiva dos profissionais envolvidos no projeto. A narrativa afirma que a realização audiovisual independente é um grande ambiente de cooperação, afeto e suporte mútuo.
Diante dos obstáculos rotineiros que ameaçam o encerramento dos trabalhos, a integração do grupo demonstra que o fazer cinematográfico se sustenta no trabalho comunitário, tornando-se uma forma de resistência e de continuidade cultural em cenários de crise.
Por que assistir ao filme Morte e Vida Madalena?
Morte e Vida Madalena sintetiza a força do cinema independente ao transformar as dificuldades do fazer artístico em um retrato equilibrado sobre afeto, luto e trabalho coletivo. Ao aliar a atuação firme de seu elenco ao compromisso de concluir uma obra diante de cenários adversos, o longa reafirma a relevância de produções que priorizam as relações humanas no processo de criação.
Com a circulação garantida pela Embaúba Filmes no circuito comercial, a obra cumpre um papel significativo ao aproximar o público de uma narrativa que celebra a cooperação e a resistência cultural. Morte e Vida Madalena estreia nos cinemas em 17 de setembro.
Ficha técnica
| Categoria / Função | Detalhes / Nomes |
| Título | Morte e Vida Madalena |
| Gênero | Comédia dramática |
| Países de Produção | Brasil, Portugal |
| Direção e Roteiro | Guto Parente |
| Produção | Ticiana Augusto Lima |
| Produção Executiva | Caroline Louise, Ticiana Augusto Lima |
| Direção de Fotografia | Ivo Lopes Araújo |
| Direção de Arte | Taís Augusto |
| Figurino | Thaís de Campos |
| Maquiagem | Elen Barbosa |
| Assistência de Direção | Breno Baptista |
| Som Direto e Edição de Som | Lucas Coelho |
| Montagem | Guto Parente & Irmãs Augusto Lima |
| Música Original e Mixagem | Paulo Gama |
| Empresa Produtora | Tardo Filmes |
| Coprodução | Canal Brasil, C.R.I.M. |
| Distribuição | Embaúba Filmes |
| Data de Estreia | 17 de setembro |
| Elenco Principal | • Noá Bonoba (Madalena) • Nataly Rocha (Natasha) • Tavinho Teixeira (Oswaldo / Zion) • Marcus Curvelo (Davi) • David Santos (Nonato) • Honório Felix (Gil) • Linga Acácio (Kátia A. Fire) • Jenniffer Joingley (Jéssica) • Rodrigo Fernandes (Rodrigo / Rodrygsson) • Souma (Rashelle / A Santa) • Tavares Neto (Tavares / Devian) • Tuan Fernandes (Gilmar – jovem) • Armando Praça (Policial) • Lui Fontelene (Policial jovem) • Raul Lôbo (Madalena – criança) • Carlos Francisco (Gilmar / Antonio – voz) |













