Crítica do filme O Tempo Que Nos Resta, da Netflix (2025)

‘O Tempo Que Nos Resta’ e o peso da eternidade

Foto: Netflix / Divulgação
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O Tempo Que Nos Resta“, filme dirigido por Adolfo Alix Jr., surge com uma proposta ambiciosa de unir romance, misticismo e tragédia sobrenatural em um contexto histórico e cultural rico — a Filipinas.

Longe do simples filme de vampiros, a obra busca explorar temas como o peso da eternidade, o amor e a mortalidade, incorporando elementos do folclore local e críticas sociais. Contudo, apesar do potencial, o longa não consegue se firmar completamente, resultando em uma experiência que mistura acertos e tropeços.

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Sinopse

O filme acompanha Lilia, uma idosa que sofre um ataque brutal em sua casa. Ao seu lado está Matias, um homem imortal capaz de se transformar em gato, cuja existência se entrelaça com episódios históricos do país, da ocupação japonesa ao enfrentamento à colonização espanhola, refletidos nas batalhas e vinganças de Matias.

Ao longo da narrativa, flashbacks revelam o relacionamento dele com Lilia — marcado pela impossibilidade da eternidade para um, e a finitude para a outra. O enredo também envolve uma investigação policial que busca desvendar o mistério por trás da imortalidade de Matias e seu impacto na vida dos envolvidos.

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Crítica

O filme tenta mais do que contar uma simples história de vampiros: usa o mito para abordar o tempo, a memória e o peso do passado, especialmente em um país que passou por intensas ocupações e conflitos. A imortalidade de Matias é apresentada como uma maldição que evidencia a solidão extrema de quem vive fora do tempo, enquanto Lilia personifica a aceitação da mortalidade como algo valioso.

Além disso, a mistura de vampirismo clássico com a lenda filipina do aswang traz uma identidade cultural que enriquece o conceito, mesmo que de forma um pouco desconexa.

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Desafios na execução narrativa

O maior problema está na execução. O roteiro oscila entre melodrama, terror e romance, sem consolidar um tom único, o que confunde o espectador e dilui o impacto emocional. As subtramas, como a do policial Angua e do conflito com traficantes, dispersam o foco e geram um ritmo irregular, muitas vezes lento a ponto de cansar.

Esse ritmo lento evidencia falhas nos diálogos e na profundidade dos personagens, especialmente na relação central, que carece da carga emocional que uma trama sobre amor e perda tão profunda exige.

Leia a crítica do filme O Tempo Que Nos Resta, da Netflix (2025)
Foto: Netflix / Divulgação

Aspectos visuais e técnicos

Apesar dos tropeços no roteiro, o filme conta com uma estética visual que se destaca, mesmo que imperfeita. As imagens são belas e carregam uma atmosfera sombria que ajuda a construir o clima gótico da história.

O design de produção, direção de arte, fotografia e trilha sonora contribuem para criar uma experiência sensorial que mantém o público envolvido. No entanto, a iluminação por vezes precária e a textura granulada prejudicam a qualidade visual, especialmente nos momentos que exploram o vampirismo, que acabam por ser pouco impactantes.

Jasmine Curtis-Smith, Bing Pimentel e Carlo Aquino entregam performances competentes, com destaque para a expressividade de Pimentel, que segura boa parte do peso dramático do filme como Matias. O elenco de apoio também é competente, mas fica limitado por um roteiro que não desenvolve plenamente seus personagens. O conflito interno de Matias, sua maldição e sua relação com Lilia poderiam ser mais explorados para que a empatia do público fosse maior.

Originalidade e comparações com outras obras

O tempo que nos resta apresenta a clássica narrativa do amor entre mortal e imortal, já vista em filmes como “O Curioso Caso de Benjamin Button”, e no universo das histórias de vampiros, trazendo ecos de “Crepúsculo” e “Nosferatu”.

Apesar de explorar o folclore filipino e uma crítica social importante, o filme acaba caindo na repetição de clichês do gênero, com a relação problemática e já batida entre o imortal solitário e o mortal finito, enfraquecendo sua identidade original.

Conclusão

“O Tempo Que Nos Resta” é uma obra com boas intenções e potencial para oferecer uma reflexão poética sobre amor, tempo e mortalidade, incorporando elementos culturais filipinos e uma narrativa histórica. Todavia, sua execução irregular, com um roteiro que hesita na profundidade e no tom, limita seu impacto emocional.

Ainda assim, visuais interessantes e performances competentes mantêm a experiência agradável, especialmente para fãs do gênero e da mitologia asiática. O filme vale o esforço para quem busca algo diferente dentro do universo dos vampiros, mas deixa a sensação de que poderia ter sido algo muito maior.

Onde assistir ao filme O Tempo Que Nos Resta?

O filme “O Tempo Que Nos Resta” está disponível para assistir na Netflix.

Veja o trailer de O Tempo Que Nos Resta (2025)

YouTube player

Quem está no elenco de O Tempo Que Nos Resta, da Netflix?

  • Carlo Aquino
  • Bing Pimentel
  • Beauty Gonzalez
  • Jasmine Curtis-Smith
  • Bembol Roco
  • Erin Espiritu
  • Archi Adamos
  • Alan Paule
  • Rita Avila
  • Mercedes Cabral
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

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