Santita crítica da série da Netflix 2026 - Flixlândia (1)

Crítica | ‘Santita’ é a anti-heroína que a Netflix precisava

Foto: Netflix / Divulgação
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Sabe aquela imagem romantizada e puritana que a televisão costuma dar para pessoas com deficiência? A nova série da Netflix, “Santita”, chega justamente para chutar essa porta e quebrar todos esses estereótipos.

Estreando nesta quarta-feira (22), a produção traz a direção afiada de Rodrigo García e é protagonizada por Paulina Dávila e Gael García Bernal. O resultado é um drama denso, recheado de humor ácido, que nos faz repensar a feminilidade, o capacitismo e a velha ideia de redenção.

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Sinopse

A trama acompanha María José Cano (Dávila), uma renomada ginecologista de Tijuana que usa cadeira de rodas após ter adquirido uma deficiência em um acidente. O apelido “Santita” é puramente irônico, já que ela leva uma vida cheia de imperfeições, flertando com apostas em hipódromos e rinhas de galo. Vinte anos atrás, logo após o seu acidente, ela tomou uma decisão drástica: abandonou o grande amor de sua vida, Alejandro (Bernal), no altar.

O passado volta a assombrá-la quando Cecilia (Ilse Salas), a atual esposa de Alejandro, aparece em seu consultório buscando ajuda médica. Mesmo vivendo um novo romance com o médico Mauricio (Erik Hayser), Santita é forçada a confrontar as emoções e os traumas inacabados com seu ex-noivo.

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Crítica da série Santita, da Netflix

Uma protagonista que não pede desculpas

O maior acerto da série é a construção de sua personagem principal. Logo no primeiro episódio, Santita já avisa sem rodeios que é uma mulher difícil (uma “cabrona”) e que provavelmente sempre será assim. A narrativa se recusa a entregar o chamado “pornô inspiracional” ou a infantilizar a pessoa com deficiência.

Em vez de focar em uma superação clichê, vemos uma mulher complexa, dona de si e guiada por sua própria bússola moral. Um ponto muito autêntico abordado pela história é a vida sexual de Santita, explorando a sua busca pelos orgasmos que perdeu por conta da lesão medular, mostrando desejos muito reais e humanos.

Santita 2026 crítica da série da Netflix - Flixlândia
Foto: Netflix / Divulgação

Química e tensões inacabadas

A dinâmica entre Paulina Dávila e Gael García Bernal é o coração emocional da produção. O reencontro dos dois, duas décadas após o abandono, carrega uma tensão palpável sobre o que poderia ter sido e o peso irreversível das escolhas.

Gael brilha ao assumir a inusitada posição de ídolo romântico reduzido à parte abandonada, enquanto Paulina entrega uma atuação cheia de vulnerabilidade e rebeldia. Não espere um romance fácil: a relação deles é conturbada, repleta de desejo e contradições, provando que o amor real raramente se encaixa em caixinhas perfeitas.

Direção realista e representatividade

O diretor Rodrigo García mandou muito bem ao transformar o que seria apenas um filme em uma série de sete episódios, dando espaço para que todas as camadas da protagonista respirassem. A condução é bastante realista e íntima, fugindo do melodrama. Um detalhe visual e narrativo muito tocante é a exploração do mundo onírico de Santita; nas cenas de sonho, ela aparece patinando ou caminhando, o que reflete um fenômeno psicológico muito comum entre pessoas que adquirem uma deficiência ao longo da vida.

A produção também brilha na representatividade e no alerta social. Contando com a consultoria da ativista Maryangel García-Ramos e a inclusão de atrizes com deficiência, como Sally Quiñonez no papel de Alma, a obra expõe a dura realidade da falta de acessibilidade nas cidades e a violência de gênero que atravessa a vida de milhões de mulheres com deficiência no México.

Conclusão

No fim das contas, “Santita” é uma série instigante, que cozinha a sua história em fogo lento e exige que o espectador abrace o desconforto. A produção não está interessada em oferecer finais amarradinhos, mas sim em levantar uma reflexão profunda: é possível amar uma mulher exatamente do jeito que ela é, mesmo que ela se recuse a pedir desculpas por seus defeitos?

Se você gosta de dramas maduros, personagens falhos e histórias que fogem do óbvio, essa é uma maratona que vale muito a pena.

Onde assistir à série Santita?

Trailer de Santita (2026)

YouTube player

Elenco de Santita, da Netflix

  • Paulina Dávila
  • Gael García Bernal
  • Ilse Salas
  • Erik Hayser
  • Álvaro Guerrero
  • Sally Quiñonez
  • Ana Layevska
  • Martín Altomaro
  • Cecilia Cañedo
  • Harding Junior
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

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