Zendaya como Rue Bennett em cena da temporada 3 de Euphoria (1)

‘Euphoria’ mudou de vez? Final da 3ª temporada choca com mortes e clima de faroeste

Foto: HBO / Divulgação
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Chegamos ao aguardado e polêmico fim da terceira temporada de Euphoria. Com uma duração estendida de uma hora e quarenta e cinco minutos, o episódio 8 entregou um desfecho que pareceu misturar uma despedida definitiva com um filme de faroeste.

Com mortes chocantes, vingança e uma mudança drástica no tom da narrativa, o criador Sam Levinson arriscou tudo, mas será que acertou? Abaixo, trago uma análise completa e sincera sobre o que funcionou e o que deixou a desejar nesse encerramento.

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Sinopse

O episódio começa exatamente onde fomos deixados: Rue Bennett (Zendaya) consegue escapar da propriedade de Laurie (Martha Kelly) após Faye (Chloe Cherry) alertar Wayne (Toby Wallace). Depois de uma fuga intensa, Rue entrega os entorpecentes roubados para o traficante Alamo (Adewale Akinnuoye-Agbaje). Ele a elogia, a dispensa para descansar e, de forma calculista, lhe entrega um frasco de pílulas para dor que, na verdade, estavam batizadas com fentanil.

Aconchegada no sofá de Ali (Colman Domingo), Rue toma a pílula e entra em uma alucinação profunda e reconfortante onde vê Fezco (Angus Cloud) e se reconcilia com sua mãe, Leslie (Nika King). Na realidade, ela morre durante a noite. Paralelamente, a casa de Laurie sofre uma batida da DEA e a traficante tira a própria vida. Após meses de luto, Ali decide buscar vingança e invade o clube de Alamo.

Com a ajuda inesperada de Bishop (Darrell Britt-Gibson), que trai o chefe esvaziando sua arma, Ali mata Alamo em um duelo no estilo faroeste, salvando Maddy (Alexa Demie) que estava sendo chantageada no local. Enquanto isso, Cassie (Sydney Sweeney) lida com a morte de Nate (Jacob Elordi) transformando sua casa em uma espécie de agência para criadoras de conteúdo adulto.

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Crítica do episódio 8, final da temporada 3 de Euphoria

O peso e o ritmo do adeus de Rue Bennett

A morte de Rue Bennett era uma sombra que pairava sobre a série desde o início, mas a forma como aconteceu dividiu opiniões. Por um lado, foi um final terrivelmente realista: sem grandes explosões heroicas, ela simplesmente tomou uma pílula envenenada e adormeceu no sofá.

A sequência de alucinação, trazendo um tributo tocante ao saudoso Angus Cloud no papel de Fezco e o abraço de sua mãe ao som de Ave Maria, entregou muita emoção. No entanto, do ponto de vista narrativo, perder a protagonista com apenas 45 minutos de um episódio tão longo causou um desequilíbrio enorme. O ritmo ficou estranho e a ausência de Rue deixou um vácuo no resto do episódio, fazendo a gente se questionar o que faríamos com os 60 minutos restantes.

Zendaya como Rue Bennett em cena da 3 temporada de Euphoria (1)
Foto: HBO / Divulgação

Muito faroeste, pouca “Euphoria”

O maior problema do episódio 8 é que ele quase não se parece com Euphoria. A série adolescente com foco em dramas do colégio deu lugar a uma estética de faroeste espaguete de máfia e tráfico. Em vez de acompanharmos os dilemas do elenco principal, passamos tempo demais com capangas, operações da DEA e um tiroteio no clube de strip-tease.

Personagens icônicas foram escanteadas de forma frustrante: Jules (Hunter Schafer) mal apareceu, sem nem ao menos uma fala, limitando-se a pintar um quadro chorando. Já Cassie terminou a temporada confinada em sua mansão, parecendo uma boneca solitária em uma caixa de vidro, enquanto Lexi (Maude Apatow) ficou restrita a diálogos soltos.

Simbolismo religioso e atuações que salvam

Foi perceptível a tentativa de Sam Levinson de inserir uma forte mensagem de fé e niilismo no encerramento, como visto quando Lexi começa a ler a Bíblia de Rue e na cena final onde Ali janta com a família no rancho rezando a bênção. Para muitos, esse tom altamente religioso e moralista soou deslocado e forçado dentro de um universo que sempre abraçou o caos e o desapego.

Apesar desses tropeços de roteiro, as atuações seguraram as pontas. O grande destaque absoluto do final foi Colman Domingo. A sua jornada como Ali, passando do mentor em luto ao “justiceiro”, entregou a melhor e mais comovente performance da temporada, transmitindo perfeitamente o peso esmagador de perder alguém para o fentanil. O tenso confronto entre ele e Alamo serviu pelo menos para entregar um momento épico e liberar Maddy de suas dívidas trágicas.

Conclusão

No fim das contas, o episódio 8 não foi um desastre total, mas definitivamente pecou por ser inconsistente. É um encerramento corajoso e brutal, que lida com as duras realidades do vício, mas que perdeu sua própria essência no caminho ao focar demais em tramas criminais e deixar seus adolescentes de lado.

Com mortes definitivas de pilares da história como Rue e Nate, o episódio tem todo o jeito de um final de série. Se houver uma quarta temporada, a produção precisará de um reboot quase completo. Para nós, fica a memória de uma obra visualmente brilhante, mas que terminou o seu ciclo de maneira agridoce e polarizadora.

Onde assistir à série Euphoria?

  • HBO Max

Trailer da temporada 3 de Euphoria

YouTube player

Elenco da 3ª temporada de Euphoria

  • Zendaya
  • Hunter Schafer
  • Eric Dane
  • Jacob Elordi
  • Sydney Sweeney
  • Alexa Demie
  • Maude Apatow
  • Martha Kelly
  • Chloe Cherry
  • Adewale Akinnuoye-Agbaje
  • Toby Wallace
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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