Há filmes que não se contentam em entreter. Eles incomodam, sufocam e exigem do espectador mais do que atenção passiva. Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria, com estreia prevista no Brasil em 1º de janeiro de 2026, é exatamente esse tipo de obra.
O complemento do título — “Melhor afogar-se do que fazer seus filhos tropeçarem” — ecoa uma passagem bíblica associada à culpa moral extrema, à responsabilidade absoluta e às consequências irreversíveis de nossas ações. Essa ideia atravessa todo o filme como um subtexto silencioso e perturbador.
Sob a direção e o roteiro de Mary Bronstein, a narrativa se constrói de forma intimista, sustentada por closes precisos e pela atuação visceral de Rose Byrne, que interpreta Linda, uma mulher à beira do colapso emocional. O resultado é um drama psicológico intenso, capaz de provocar no público uma sensação de asfixia semelhante à dos grandes suspenses — ainda que sem recorrer a convenções tradicionais do gênero.
Mesmo com uma filmografia ainda curta, Bronstein demonstra domínio absoluto da linguagem cinematográfica e se consolida como um nome promissor dentro do cinema contemporâneo.
Sinopse
A história se inicia com Linda em uma conversa com um profissional da área médica, discutindo a delicada recuperação da saúde de sua filha, um processo que parece se prolongar além do esperado. Desde os primeiros minutos, o filme estabelece sua identidade visual ao se fixar no rosto da protagonista, explorando expressões que comunicam angústia, cansaço e apreensão sem a necessidade de longos diálogos.
Acompanhamos a rotina exaustiva de Linda: cuidar da alimentação da filha, que utiliza uma gastrostomia (sonda gástrica pelo umbigo), levá-la diariamente à escola, exercer sua profissão como psicóloga clínica e ainda encontrar espaço para sua própria sessão de terapia, conduzida por um colega vivido por Conan O’Brien, em uma participação surpreendente e eficaz.
Embora seja casada, Linda enfrenta praticamente sozinha todos esses desafios, já que seu marido, Charles (Christian Slater), encontra-se constantemente viajando a trabalho.
➡️ Quer saber mais sobre filmes, séries e streamings? Então acompanhe o trabalho do Flixlândia nas redes sociais pelo INSTAGRAM, X, TIKTOK, YOUTUBE, WHATSAPP, e GOOGLE NOTÍCIAS, e não perca nenhuma informação sobre o melhor do mundo do audiovisual.
Resenha crítica do filme Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria
A pressão emocional se intensifica após um incidente em sua casa, obrigando Linda a se mudar para um hotel com a filha. Esse evento funciona como um catalisador para suas atitudes cada vez mais instáveis e irascíveis. Charles, sempre distante, limita-se a justificar sua ausência por compromissos profissionais, deixando para Linda toda a carga emocional e prática do cotidiano — uma dinâmica infelizmente comum em muitos relacionamentos.
À medida que a tensão aumenta, Linda passa a ter visões, sonhos perturbadores e surtos, recorrendo ao álcool e às drogas como uma tentativa desesperada de fuga. Seu comportamento começa a gerar conflitos inclusive no ambiente escolar da filha.
No hotel, ela conhece James (A$AP Rocky), um vizinho que se torna seu fornecedor de substâncias ilícitas e acaba se envolvendo em um evento inesperado ao acompanhá-la na tentativa de compreender o que realmente aconteceu em sua antiga casa.
Para agravar ainda mais a situação, uma de suas pacientes, Caroline (Danielle Macdonald), deixa um “presente” inquietante durante uma sessão, adicionando mais um elemento perturbador à já caótica vida de Linda. Como uma bola de neve, a protagonista mergulha em um ciclo emocional intenso, caminhando para um desfecho tão desconcertante quanto inevitável.

Conclusão
É natural esperar atitudes extremas de uma mãe disposta a proteger seus filhos. No entanto, quando esse instinto se transforma em um processo contínuo de tortura emocional, sem apoio adequado, o risco de decisões inconsequentes cresce de forma alarmante.
O filme dialoga com situações reais, apresentadas de maneira sutil, que ajudam a contextualizar seu desfecho. Tudo funciona como uma bomba-relógio emocional: a pressão aumenta, o tempo passa e ninguém parece saber como evitar a explosão.
Dramas psicológicos desse tipo são difíceis de sustentar, pois dependem quase integralmente da precisão da direção e da entrega dos atores. Aqui, Rose Byrne conduz o filme com uma atuação poderosa e contida, evitando que a narrativa descambe para o melodrama excessivo.
Trata-se de uma obra com potencial para figurar entre os destaques da temporada de premiações, especialmente nas categorias de Melhor Atriz e Melhor Filme, ao abordar uma realidade comum a muitas mulheres: mães que, na prática, assumem sozinhas o cuidado de filhos com necessidades especiais, enquanto lidam com parceiros ausentes, trabalho e seus próprios limites emocionais.
Fica a reflexão sobre até onde o ser humano pode ser levado quando o cuidado emocional deixa de existir.
🎬 2 baldes de pipoca, 2 litros de refrigerante (zero, por favor!). E um ótimo divertimento!
Onde assistir ao filme Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria?
O filme estreia em 1° de janeiro de 2026 exclusivamente nos cinemas brasileiros.
Trailer de Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria (2025)
Elenco do filme Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria
- Rose Byrne
- Conan O’Brien
- Danielle Macdonald
- Delaney Quinn
- Mary Bronstein
- A$AP Rocky
- Ivy Wolk
- Christian Slater
















