Se Eu Tivesse Pernas Eu Te Chutaria resenha crítica do filme 2025 Flixlândia

[CRÍTICA] ‘Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria’: melhor afogar-se do que fazer seus filhos tropeçarem

Foto: A24 / Divulgação
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Há filmes que não se contentam em entreter. Eles incomodam, sufocam e exigem do espectador mais do que atenção passiva. Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria, com estreia prevista no Brasil em 1º de janeiro de 2026, é exatamente esse tipo de obra.

O complemento do título — “Melhor afogar-se do que fazer seus filhos tropeçarem” — ecoa uma passagem bíblica associada à culpa moral extrema, à responsabilidade absoluta e às consequências irreversíveis de nossas ações. Essa ideia atravessa todo o filme como um subtexto silencioso e perturbador.

Sob a direção e o roteiro de Mary Bronstein, a narrativa se constrói de forma intimista, sustentada por closes precisos e pela atuação visceral de Rose Byrne, que interpreta Linda, uma mulher à beira do colapso emocional. O resultado é um drama psicológico intenso, capaz de provocar no público uma sensação de asfixia semelhante à dos grandes suspenses — ainda que sem recorrer a convenções tradicionais do gênero.

Mesmo com uma filmografia ainda curta, Bronstein demonstra domínio absoluto da linguagem cinematográfica e se consolida como um nome promissor dentro do cinema contemporâneo.

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Sinopse

A história se inicia com Linda em uma conversa com um profissional da área médica, discutindo a delicada recuperação da saúde de sua filha, um processo que parece se prolongar além do esperado. Desde os primeiros minutos, o filme estabelece sua identidade visual ao se fixar no rosto da protagonista, explorando expressões que comunicam angústia, cansaço e apreensão sem a necessidade de longos diálogos.

Acompanhamos a rotina exaustiva de Linda: cuidar da alimentação da filha, que utiliza uma gastrostomia (sonda gástrica pelo umbigo), levá-la diariamente à escola, exercer sua profissão como psicóloga clínica e ainda encontrar espaço para sua própria sessão de terapia, conduzida por um colega vivido por Conan O’Brien, em uma participação surpreendente e eficaz.

Embora seja casada, Linda enfrenta praticamente sozinha todos esses desafios, já que seu marido, Charles (Christian Slater), encontra-se constantemente viajando a trabalho.

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Resenha crítica do filme Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria

A pressão emocional se intensifica após um incidente em sua casa, obrigando Linda a se mudar para um hotel com a filha. Esse evento funciona como um catalisador para suas atitudes cada vez mais instáveis e irascíveis. Charles, sempre distante, limita-se a justificar sua ausência por compromissos profissionais, deixando para Linda toda a carga emocional e prática do cotidiano — uma dinâmica infelizmente comum em muitos relacionamentos.

À medida que a tensão aumenta, Linda passa a ter visões, sonhos perturbadores e surtos, recorrendo ao álcool e às drogas como uma tentativa desesperada de fuga. Seu comportamento começa a gerar conflitos inclusive no ambiente escolar da filha.

No hotel, ela conhece James (A$AP Rocky), um vizinho que se torna seu fornecedor de substâncias ilícitas e acaba se envolvendo em um evento inesperado ao acompanhá-la na tentativa de compreender o que realmente aconteceu em sua antiga casa.

Para agravar ainda mais a situação, uma de suas pacientes, Caroline (Danielle Macdonald), deixa um “presente” inquietante durante uma sessão, adicionando mais um elemento perturbador à já caótica vida de Linda. Como uma bola de neve, a protagonista mergulha em um ciclo emocional intenso, caminhando para um desfecho tão desconcertante quanto inevitável.

Se Eu Tivesse Pernas Eu Te Chutaria 2025 resenha crítica do filme Flixlândia
Foto: A24 / Divulgação

Conclusão

É natural esperar atitudes extremas de uma mãe disposta a proteger seus filhos. No entanto, quando esse instinto se transforma em um processo contínuo de tortura emocional, sem apoio adequado, o risco de decisões inconsequentes cresce de forma alarmante.

O filme dialoga com situações reais, apresentadas de maneira sutil, que ajudam a contextualizar seu desfecho. Tudo funciona como uma bomba-relógio emocional: a pressão aumenta, o tempo passa e ninguém parece saber como evitar a explosão.

Dramas psicológicos desse tipo são difíceis de sustentar, pois dependem quase integralmente da precisão da direção e da entrega dos atores. Aqui, Rose Byrne conduz o filme com uma atuação poderosa e contida, evitando que a narrativa descambe para o melodrama excessivo.

Trata-se de uma obra com potencial para figurar entre os destaques da temporada de premiações, especialmente nas categorias de Melhor Atriz e Melhor Filme, ao abordar uma realidade comum a muitas mulheres: mães que, na prática, assumem sozinhas o cuidado de filhos com necessidades especiais, enquanto lidam com parceiros ausentes, trabalho e seus próprios limites emocionais.

Fica a reflexão sobre até onde o ser humano pode ser levado quando o cuidado emocional deixa de existir.

🎬 2 baldes de pipoca, 2 litros de refrigerante (zero, por favor!). E um ótimo divertimento!

Onde assistir ao filme Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria?

O filme estreia em 1° de janeiro de 2026 exclusivamente nos cinemas brasileiros.

Trailer de Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria (2025)

YouTube player

Elenco do filme Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria

  • Rose Byrne
  • Conan O’Brien
  • Danielle Macdonald
  • Delaney Quinn
  • Mary Bronstein
  • A$AP Rocky
  • Ivy Wolk
  • Christian Slater
Escrito por
Cleon

Cleon (pseudônimo de Antonio Filho) é da área de TI, mas vive com a cabeça nas estrelas. Trocou linhas de código por linhas de roteiro — e escreve sobre séries e filmes como quem decifra algoritmos de emoção humana.

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