Bárbara Mori, Ximena Sariñana, Amorita Rasgado e Natalia Téllez na temporada 2 de Mulheres de Azul no Apple TV

Segunda temporada de ‘Mulheres de Azul’ amadurece ao trocar serial killer por suspense político

Foto: Apple TV / Divulgação
Compartilhe

Se a primeira temporada de Mulheres de Azul (Las Azules) fisgou o público com a caçada obsessiva ao assassino conhecido como o ‘Desnudador de Tlalpan’, os episódios iniciais deste segundo ano deixam claro que as regras do jogo mudaram completamente.

Situada em junho de 1971, apenas um mês após o desfecho da fase anterior, a nova fase da série criada por Fernando Rovzar e Pablo Aramendi abandona o foco no machismo cotidiano de delegacia para mergulhar direto na podridão da corrupção institucional. Com uma direção segura que se recusa a acelerar o passo antes da hora, a produção original da Apple TV retorna muito mais ambiciosa, madura e politizada.

➡️ Compre na AMAZON com frete grátis e rápido!

O peso da farda e a promoção de María

A dinâmica de forças dentro do departamento sofreu uma chacoalhada importante. Agora promovida ao cargo de tenente, María (interpretada por Bárbara Mori) passa a frequentar salas e reuniões que antes lhe eram totalmente vetadas. No entanto, essa nova posição é uma faca de dois gumes. Ela ganha autoridade, mas também descobre as amarras de um sistema que prefere abafar a verdade a lidar com ela. Bárbara Mori entrega uma María brilhante: visivelmente mais cansada, menos idealista, mas com uma força implacável e silenciosa que a impede de fechar os olhos perante o que está errado.

No lado pessoal, a vida dela continua um caos. Seu casamento com Alejandro (Leonardo Sbaraglia) ruiu definitivamente, embora ele ainda insista em reatar, enquanto começa a surgir um clima de forte atração mútua entre ela e seu chefe, o capitão Romandía (Miguel Rodarte) — que, por sua vez, vive frustrado aguardando uma prometida volta ao seu antigo cargo de detetive.

➡️ Siga o canal FLIXLÂNDIA no WhatsApp

Um mistério que rasga as feridas do México de 1968

O pontapé inicial da nova investigação se dá no episódio de estreia, intitulado “Mauricio”, que acompanha as policiais no caso do assassinato brutal de Lucio Lima. O estudante universitário e ativista foi severamente torturado, espancado e teve os dedos decepados como troféus pelo assassino.

A polícia até prende o jovem Mauricio, que tinha um histórico violento e havia brigado com a vítima há pouco tempo, mas as pontas soltas gritam que ele não é o culpado. Ángeles (Ximena Sariñana) logo percebe o padrão e suspeita que Lucio foi apenas a primeira vítima de uma matança muito maior.

O grande trunfo da narrativa é conectar esse crime diretamente ao doloroso massacre estudantil de Tlatelolco em 1968 e à repressão violenta de El Halconazo em 1971. Durante o enterro de Lucio, Valentina (Natalia Téllez) encontra uma pista crucial dentro do caixão: uma fotografia dos membros da Brigada Marxista Narciso fazendo um mesmo gesto com as mãos.

A partir do segundo episódio, “O Caso Fica Mais Escuro, mas as Mulheres Ficam Mais Afiadas”, o mistério ganha contornos conspiratórios de arrepiar. Fica evidente que todas as pessoas daquela foto estão na mira de um assassino vingativo. Para piorar, policiais começam a ser mortos logo após gravarem confissões em vídeo sobre seus crimes do passado, e os caminhos da investigação começam a apontar perigosamente para Aldo Herrera, o poderoso chefe da polícia mexicana.

Amorita Rasgado e Natalia Téllez na temporada 2 de Mulheres de Azul no Apple TV
Foto: Apple TV / Divulgação

A força do quarteto: fricção e cumplicidade real

O que impede Mulheres de Azul de se tornar um procedural genérico e quadrado é a química impecável de seu elenco central. As quatro protagonistas — María, Valentina, Gabina (Amorita Rasgado) e Ángeles — se recusam a cair no clichê do grupo perfeito de “super-heroínas sem falhas”. Elas brigam, discordam veementemente sobre métodos de trabalho e batem de frente.

Valentina continua sendo a rebelde impulsiva que sempre pressiona as outras a burlarem as regras. Gabina enfrenta uma barra pesada dentro de casa, lidando com a desaprovação de seu pai, o general Alfonso Herrera, e do irmão mais velho, o severo Gilberto, tendo apenas o apoio de seu outro irmão detetive, Gerardo, enquanto lida com segredos familiares espinhosos.

Mas é Ángeles quem novamente rouba os holofotes. Interpretada magistralmente por Ximena Sariñana, ela é a mente mais afiada do grupo, usando uma inteligência silenciosa para notar detalhes que passam batidos até pelos detetives mais experientes. Fora da delegacia, o relacionamento leve de Ángeles com o outro irmão Herrera (um homem dócil que trabalha como cozinheiro) ajuda a trazer respiro e humanidade para a trama pesada.

O contraste estético e o ritmo que exige paciência

Visualmente, a reconstituição histórica da Cidade do México da década de 1970 é de tirar o chapéu. Dos figurinos e carros clássicos à atmosfera densa e poeirenta das ruas, o show constrói uma identidade visual forte e autêntica.

No entanto, o espectador precisa estar preparado para um ritmo de narrativa mais lento do que o habitual. Por conta do intervalo real de dois anos entre as temporadas, os episódios iniciais gastam bastante tempo reintroduzindo o cenário político antes de pegar embalo de verdade. A série também escorrega, de vez em quando, em soluções um pouco melodramáticas e em diálogos que explicam coisas que a própria cena já havia deixado claras.

Nada disso, porém, apaga o brilho de acompanhar a evolução dessas oficiais, que agora sabem perfeitamente que fazer um bom trabalho policial não significa necessariamente ser recompensada — e que descobrem, da forma mais dura, quanto custa de verdade tentar mudar um sistema corrompido.

Vale a pena ver a 2ª temporada de Mulheres de Azul?

Em suma, o início da temporada 2 de Mulheres de Azul estabelece um amadurecimento marcante para o show. Ao trocar a caçada simples de ficção por uma conspiração de Estado enraizada na dor real da história mexicana, a série ganha em relevância e peso dramático.

Se você busca uma produção policial inteligente, ancorada em atuações impecáveis e em um suspense de tirar o fôlego, essa nova jornada é parada obrigatória.

YouTube player

Elenco

  • Bárbara Mori como María
  • Natalia Téllez como Valentina
  • Amorita Rasgado como Gabina
  • Ximena Sariñana como Ángeles
  • Miguel Rodarte como Capitão Romandía
  • Leonardo Sbaraglia como Alejandro
  • Christian Tappan como Chefe de Polícia Escobedo
  • Horacio García Rojas como Gerardo
  • Bruno Bichir como Goyo
  • Mario Zaragoza como General Alfonso Herrera
  • Marco Antonio Aguirre como Gilberto Herrera

Ficha técnica

  • Título Original: Las Azules
  • Título em Português: Mulheres de Azul
  • Criadores: Fernando Rovzar e Pablo Aramendi
  • Diretores dos Episódios: Fernando Rovzar, J.M. Cravioto e Alfonso Pineda Ulloa
  • Distribuição: Apple TV
  • Ano de Lançamento (Temporada 2): 2026
  • Duração/Formato: 8 episódios semanais (exibidos de 12 de agosto a 30 de setembro de 2026)
  • Idioma Original: Espanhol
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Procuram-se colaboradores
Procuram-se colaboradores

Últimas

Artigos relacionados
Juno Temple no episódio 3 da temporada 4 de Ted Lasso no Apple TV
Críticas

‘Ted Lasso’ (4×03): novo time feminino prova seu valor

O episódio 3 da temporada 4 de Ted Lasso, intitulado “Richmond tem...

Anya Taylor-Joy no episódio 7, final da temporada de Lucky, série do Apple TV
Críticas

Final impactante de ‘Lucky’ liberta Anya Taylor-Joy do pior golpe de sua vida

Sabe quando uma série te pega pelo colarinho logo na estreia e...

Estilhaços série do Disney+ de 2026
Críticas

‘Estilhaços’ é o suspense erótico e sombrio que você precisa ver

A parceria entre o “rei do camp” Ryan Murphy e o autor...

Lanternas crítica do episódio 1 da série da HBO (1)
Críticas

‘Lanternas’ traz drama de detetive de alto nível e reviravolta monumental

O novo universo compartilhado da DC Studios, sob a liderança de James...

Reacher 4 temporada da série do Prime Video
Críticas

Início da 4ª temporada de ‘Reacher’ traz o herói mais humano (e violento) do que nunca

O gigante mais carismático do streaming está de volta no comando do...

Rebecca Ferguson no episódio 7 da temporada 3 de Silo no Apple TV
Críticas

‘Silo’ (3×07): episódio traz o melhor dilema moral da temporada

Assistir ao episódio 7 da temporada 3 de Silo, intitulado “Rádio”, é...