Confira a crítica do filme "Sneaks: De Pisante Novo", animação de 2025 disponível para assistir nos cinemas.

‘Sneaks: De Pisante Novo’ tropeça onde poderia correr

Foto: Imagem Filmes / Divulgação
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Em um mercado saturado de animações que apostam em personagens inusitados e aventuras previsíveis, “Sneaks: De Pisante Novo” tenta encontrar seu espaço ao unir moda urbana, hip-hop e cultura sneakerhead em uma jornada protagonizada por tênis falantes.

Com elenco de vozes brasileiras composto por Jottapê, Christian Malheiros e Rayssa Leal, o filme parece querer dialogar diretamente com a geração Z e seus ícones culturais. A proposta soa ousada e até divertida no papel, mas será que o longa dá conta de honrar o estilo que ostenta?

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Sinopse do filme Sneaks: De Pisante Novo

A trama gira em torno de Téo e Beca, um par de tênis de grife que vive trancado em uma caixa de veludo esperando o momento de brilhar nos pés de seu novo dono. Esse momento chega quando Edson, jovem da periferia com o sonho de ser jogador de basquete, ganha os tênis em um sorteio.

A alegria dura pouco: o vilão conhecido como “O Colecionador” rouba os calçados e separa os irmãos. Téo, perdido nas ruas de Nova York, encontra Beto — um tênis de rua com alma de guerreiro — e juntos embarcam numa jornada recheada de obstáculos, amizade e autoconhecimento.

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Crítica de Sneaks: De Pisante Novo (2025)

A ideia de calçados que ganham vida e embarcam numa missão épica já seria suficientemente lúdica para garantir autenticidade. No entanto, “Sneaks” parece inseguro com sua própria proposta.

O roteiro de Rob Edwards segue uma cartilha engessada de jornadas do herói, com personagens previsíveis e uma sucessão de acontecimentos que remetem diretamente a clássicos como Toy Story 2. O potencial para explorar de forma crítica a cultura do consumo e o fetiche por status se dilui em uma aventura urbana plastificada, cheia de trocadilhos e moral da história requentada.

Dublagem brasileira: entre acertos e tropeços

O elenco nacional é um dos pontos mais promissores da produção. Jottapê e Christian Malheiros, vindos do sucesso da série Sintonia, trazem familiaridade e carisma aos protagonistas Téo e Beto. Rayssa Leal, por sua vez, adiciona frescor e autenticidade ao papel da skatista.

Contudo, o texto falado, recheado de gírias forçadas e referências nem sempre bem localizadas, soa artificial em alguns momentos — como se tentasse desesperadamente ser “descolado”.

Visual bonito, mas limitado

A estética urbana e colorida chama atenção inicialmente, com tênis estilosos e ambientações que remetem à Nova York contemporânea. Ainda assim, a execução técnica não acompanha a ambição visual.

A modelagem dos personagens humanos é básica e pouco expressiva, criando um contraste desconfortável com os protagonistas calçados, mais bem trabalhados. A cidade não ganha vida como deveria: falta dinamismo, verticalidade e criatividade no uso do espaço urbano.

Trilha sonora com batida, mas sem alma

A presença de nomes como Terrace Martin e Mustard na trilha prometia mais do que o filme entrega. Apesar da sonoridade urbana, a trilha carece de temas marcantes e integração com a narrativa.

O universo do filme — centrado em ritmo, estilo e movimento — pedia por uma música que acompanhasse o passo da história. Em vez disso, temos uma sonoridade funcional, mas esquecível.

Humor que tropeça no solado

O alívio cômico, representado por JB (voz de Martin Lawrence no original), falha em quase todas as tentativas de arrancar risos. Falas genéricas, piadas fáceis sobre “amortecimento” e “solado” e ausência total de timing interno resultam em humor raso e muitas vezes constrangedor. Mesmo o universo antropomórfico, que poderia render boas sacadas visuais, é subaproveitado em soluções óbvias.

Ainda que previsível, o roteiro entrega uma lição com algum apelo: viver é se arriscar. Téo começa a história preso à segurança de sua caixa de veludo, mas descobre que a vida está no movimento, no contato com o mundo e nas relações construídas fora da zona de conforto. É uma mensagem bonita — mas já vista e contada de formas mais eficazes em outras produções do gênero.

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Conclusão

“Sneaks: De Pisante Novo” é um filme que caminha com estilo, mas tropeça na execução. Sua proposta é criativa e até ousada, mas o resultado final fica aquém do que poderia ser. A dublagem nacional traz brilho, e o visual chama atenção nos primeiros minutos, mas a história logo se torna genérica, com estrutura previsível, estética datada e falta de profundidade emocional.

Como passatempo para crianças ou uma sessão descompromissada em família, o filme cumpre sua função básica. Mas para quem espera algo mais — seja originalidade, ousadia ou impacto — “Sneaks” não chega a marcar pegada. É um pisante que até brilha na vitrine, mas escorrega no asfalto da memória.

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Onde assistir ao filme Sneaks: De Pisante Novo

O filme está disponível para assistir nos cinemas.

Trailer de Sneaks: De Pisante Novo (2025)

YouTube player

Elenco do filme Sneaks: De Pisante Novo

  • Anthony Mackie
  • Laurence Fishburne
  • Keith David
  • Martin Lawrence
  • Rico Rodriguez
  • Jonathan Kite
  • Chloe Bailey
  • Macy Gray

Dublagem em português de Sneaks: De Pisante Novo

  • Jottapê
  • Christian Malheiros
  • Rayssa Leal

Ficha técnica de Sneaks: De Pisante Novo (2025)

  • Título original: Sneaks
  • Direção: Rob Edwards, Christopher Jenkins
  • Roteiro: Rob Edwards, Erica Harrell, Dylan Hartman
  • Gênero: animação, aventura, comédia
  • País: Estados Unidos, Índia, Reino Unido
  • Duração: 92 minutos
  • Classificação: livre
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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