Sabe aquela série que te deixa na ponta do sofá, roendo as unhas e rindo de coisas que você definitivamente não deveria rir? É exatamente isso que Sweetpea entrega. Estrelada pela talentosíssima Ella Purnell, essa nova minissérie que mistura suspense psicológico e muito humor ácido se tornou rapidamente um dos assuntos mais comentados da temporada.
Adaptada do livro de C.J. Skuse, a produção britânica já tem sido comparada a sucessos cult como Dexter, Fleabag e The End of the F*ing World por não ter medo de mergulhar nas profundezas do comportamento humano de uma maneira fria e provocadora.
Sinopse
A trama acompanha Rhiannon Lewis, uma jovem que passou a vida inteira sendo absolutamente invisível e engolindo sapos da sociedade. Na adolescência, ela sofreu um bullying severo nas mãos de uma garota chamada Julia, o que a deixou com traumas profundos e crises de ansiedade que a faziam arrancar o próprio cabelo. No presente, trabalhando como recepcionista em um jornal, ela continua sendo tratada como um “fantasma”: é diminuída pelo chefe (que a chama de “Sweetpea”), ignorada pelo cara com quem fica e não tem voz ativa em nada.
A gota d’água acontece quando seu pai falece e seu cachorro morre atropelado, deixando-a totalmente sozinha e desamparada. Com uma raiva reprimida prestes a transbordar, Rhiannon decide tomar o controle da sua vida e se transforma em uma justiceira letal, começando a assassinar homens que ela julga merecerem punição, ao mesmo tempo em que tenta usar seus próprios crimes para subir de cargo no jornal.
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Crítica da série Sweetpea
O show de atuação de Ella Purnell
Se existe um motivo principal para a série prender tanto a nossa atenção, é a performance surreal de Ella Purnell. Ela tem a difícil missão de ir de um “passarinho assustado” a uma mulher fria, calculista e vingativa em questão de segundos.
A atriz usa e abusa de tiques corporais e de seus olhos gigantescos para transmitir o caos silencioso que acontece dentro da cabeça de Rhiannon, fazendo com que seja impossível você desviar o olhar da tela. A atuação dela é tão carismática e magnética que o espectador se vê cúmplice da personagem, torcendo por ela mesmo tendo plena consciência de que suas atitudes são terríveis.

O equilíbrio perfeito entre o riso e a tensão
O roteiro e a direção merecem palmas por conseguirem equilibrar uma narrativa tão pesada com aquele típico humor britânico irônico e seco. A série constrói o tempo todo um contraste visual e sonoro: de um lado, os escritórios estéreis e a vida urbana banal; do outro, a mente barulhenta, claustrofóbica e sangrenta da protagonista.
A escolha de colocar músicas mais pop e joviais tocando nos momentos mais bizarros e perturbadores só aumenta o nosso sentimento de “rir de nervoso”, borrando completamente a linha entre a comédia negra e o terror psicológico.
Vítima ou vilã? A genialidade da ambiguidade moral
O que torna a maratona tão instigante é a forma brilhante como o enredo explora a raiva feminina e o famoso “complexo de vítima”. Rhiannon internalizou tanto a ideia de que é uma vítima do universo que justifica seus assassinatos violentos como se estivesse limpando a sujeira do mundo. O reencontro e a estranha dinâmica de cumplicidade que ela desenvolve com sua antiga agressora, Julia, traz uma tensão palpável para a tela.
A série te coloca propositalmente num dilema moral incômodo, obrigando o público a se perguntar: eu estou torcendo para uma justiceira incompreendida ou apenas para uma mulher que se tornou a agressora e está reproduzindo a mesma crueldade que sofreu?.
Um ritmo viciante e um final de tirar o fôlego
Com a temporada contendo apenas seis episódios, a narrativa é incrivelmente enxuta e viciante, ideal para maratonar em poucas horas. E o último episódio entrega uma reviravolta digna de nos deixar de queixo caído. O clímax vira o jogo quando Rhiannon, movida pelo desespero para esconder seu segredo, assassina AJ, um colega de trabalho inocente. Esse ato prova de vez que ela deixou qualquer justificativa moral para trás, consagrando-se como a vilã de sua própria história.
Para fechar com chave de ouro, o desfecho fica totalmente em aberto com Julia a enganando e fugindo com seu cartão de crédito, e a irmã de Rhiannon testemunhando a cena do crime, amarrando o público numa angústia deliciosa por uma próxima temporada.
Conclusão
No fim das contas, Sweetpea é uma jornada arriscada e absurdamente divertida. A obra descontrói os clichês da “mulher frágil” com doses generosas de sangue, cinismo e pressão psicológica.
Pode não ser o tipo de entretenimento ideal para quem prefere histórias leves ou heróis que seguem a bússola moral perfeitamente, mas se você curte humor ácido, protagonistas imperfeitas e reviravoltas de explodir a cabeça, essa minissérie é um acerto em cheio. É envolvente, catártica e desconfortável na medida exata.
Onde assistir online à série Sweetpea?
Trailer de Sweetpea (2024)
Elenco de Sweetpea, do Prime Video
- Ella Purnell
- Nicole Lecky
- Jon Pointing
- Leah Harvey
- Calam Lynch
















