Chegamos à metade da quinta e última temporada de The Boys, e se você estava esperando explosões épicas e rios de sangue na tela, talvez tenha se surpreendido. O quarto episódio, intitulado de “Rei do Inferno”, pisa no freio da ação desenfreada para nos entregar algo que mais parece uma sessão de terapia intensiva regada a traumas e rebranding corporativo.
Em um momento crucial da série, os roteiristas decidiram testar o quanto de drama interpessoal nós aguentamos antes do verdadeiro caos estourar. O resultado é um episódio de transição, que pode dividir opiniões por ser bastante falado, mas que acerta em cheio ao aprofundar a psique de personagens que estão no limite.
Sinopse
O foco principal do episódio é a corrida frenética pelo Composto V1. Com Stan Edgar sob o controle de Capitão Pátria, os Garotos partem para Fort Harmony na esperança de encontrar a substância antes que o vilão se torne imortal de vez.
No entanto, o local está contaminado por esporos de um antigo super chamado Quinn, o que altera a química cerebral da equipe e os faz entrarem em um conflito brutal entre si. Paralelamente, Capitão Pátria deixa seu complexo de messias dominar completamente, fundando a Igreja Democrática da América com a ajuda de Espoleta e de um super chamado Oh-Pai. Enquanto isso, Luz Estrela lida com questões de seu passado ao visitar seu pai distante, e Soldier Boy se depara com traumas militares obscuros.
Crítica do episódio 4 da temporada 5 de The Boys
A gênese do novo “Deus” americano
A Vought sempre foi uma máquina de propaganda assustadora, mas ver o Capitão Pátria abraçar o papel de uma figura divina é cômico e aterrorizante na mesma medida. A forma como sua equipe de relações públicas trabalha para polir essa nova imagem fascista é o puro suco de The Boys.
Quem rouba a cena nesse núcleo é a Espoleta, que aceita ser o rosto e a voz dessa nova igreja evangélica extremista. O momento em que ela percebe no que está se metendo e, mesmo assim, joga a última gota de sua alma no lixo em troca de poder, é fascinante. No fim, a introdução do Oh-Pai — usando seus poderes sonoros para manipular e forçar a devoção da multidão ao “Deus” Pátria — sela uma das tramas mais perturbadoras da temporada.

Terapia de choque em Fort Harmony
A ida dos Garotos para Fort Harmony traz o clássico clichê de “lugar assombrado que enlouquece as pessoas”, lembrando o Hotel Overlook de O Iluminado ou episódios de Supernatural. O terror corporal em forma de fungo trazido por Quinn (um pesadelo saído diretamente de The Last of Us) amplifica as inseguranças do grupo.
A tensão chega ao ápice com socos e xingamentos sinceros, forçando Bruto e Leitinho a lidarem com o poço de ressentimentos acumulados. Felizmente, o Francês é imune graças ao seu histórico pesado com drogas, e é ele quem resolve a situação ao fazer Soldier Boy aniquilar Quinn. Ah, e vale mencionar o término do Francês com a Kimiko, mais um golpe duro na dinâmica do grupo.
O show de Jensen Ackles e o retorno à estaca zero
Se tem alguém que brilhou nesse episódio, foi Soldier Boy. Jensen Ackles entrega uma atuação impecável ao revisitar os demônios de seu passado militar e os traumas ligados a Fort Harmony. A série acerta em não usar flashbacks baratos, confiando no olhar e no silêncio do ator para mostrar o peso que ele carrega. Tivemos até uma excelente traição quando ele prende o Capitão Pátria em uma câmara de risco de urânio para neutralizar seus poderes temporariamente.
A ironia poética é que, quando Pátria finalmente se liberta pronto para a retaliação, o choro do Soldier Boy o desarma completamente. Apesar de toda essa bagunça e pancadaria, o episódio termina de forma frustrante para a equipe: ninguém conseguiu colocar as mãos no bendito V1.
Os momentos de respiro: Luz Estrela, Ryan e metalinguagem
Em meio à gritaria, Annie (Luz Estrela) protagoniza a trama mais emocional do episódio. A conversa com seu pai, especialmente quando ele a lembra de que “as pessoas que amamos não são nossa fraqueza, são a razão pela qual lutamos”, entrega um coração necessário a uma temporada tão cínica. Já o Ryan continua meio que “na geladeira”, fazendo sua velha rotina de interagir com o Bruto e depois fugir, o que soa um pouco repetitivo.
No departamento do humor, o episódio finalmente soluciona o mistério do novo Black Noir: ele passou o tempo todo calado só para “ficar no personagem” e não arrumar confusão com o Capitão Pátria, soltando os cachorros em cima do Profundo.
Tivemos também algumas derrapadas no roteiro, como um momento em que Hughie entrega um discurso expositivo super mastigado que mais parecia um PowerPoint para o público, e a inserção de “The Worm”, uma piada metalinguística sobre a dificuldade de roteiristas em finalizar séries longas, que acabou soando um pouco forçada.
Conclusão
O quarto episódio da quinta temporada de The Boys pode não ser o favorito de quem busca apenas carnificina e avanços gigantescos na trama. A ausência do Composto V1 no final mostra que a história está patinando de propósito para guardar munição para os episódios finais.
No entanto, como um estudo de personagens, é um mergulho corajoso na hipocrisia, no desespero e na psique de “heróis” e vilões. Entre atuações fantásticas de Jensen Ackles e o terror silencioso da nova religião do Capitão Pátria, o episódio serve como um tabuleiro sendo cuidadosamente organizado. Agora, a bomba está armada — só nos resta esperar o momento em que eles decidirão apertar o botão.
Onde assistir à série The Boys?
Trailer da temporada 5 de The Boys
Elenco da 5ª temporada de The Boys
- Karl Urban
- Jack Quaid
- Antony Starr
- Erin Moriarty
- Jessie T. Usher
- Laz Alonso
- Chace Crawford
- Tomer Capone
- Karen Fukuhara
- Nathan Mitchell
- Colby Minifie
- Susan Heyward
- Valorie Curry
- Daveed Diggs














