O sexto episódio da segunda temporada de Demolidor: Renascido, que carrega o sombrio título “Réquiem”, chega com a difícil missão de lidar com o luto esmagador de Wilson Fisk após a trágica morte de Vanessa.
O que poderia ser apenas um episódio de transição e luto rapidamente se transforma em uma panela de pressão prestes a explodir, entregando retornos muito aguardados, dilemas éticos intensos e sequências de ação brutais.
Apesar de tropeçar pelo excesso de informações e tentar abraçar tramas demais de uma vez só, o episódio compensa oferecendo alguns dos momentos mais emocionantes e chocantes de toda a temporada.
Sinopse
“Réquiem” nos joga direto nas consequências da perda de Fisk. O prefeito de Nova York está consumido pela tristeza e demonstra estar disposto a tudo em nome do seu luto, chocando ao assassinar o próprio médico a sangue frio. A trama esquenta com a chegada de Jessica Jones, que se junta ao Demolidor para invadir e explodir um depósito de armas da Força-Tarefa Antivigilantes (AVTF) como retaliação após homens armados ameaçarem sua filha a mando do misterioso Mr. Charles.
Enquanto isso, Matt e Karen têm uma discussão pesada sobre o que fazer com o Mercenário, com Karen defendendo que vilões desse nível precisam morrer de uma vez por todas. A situação atinge o seu ápice quando Matt tenta negociar uma trégua com o Rei do Crime, resultando em uma luta épica e desesperada. Paralelamente, os protestos do lado de fora da prefeitura fogem ao controle graças a uma armação do agente corrupto Powell, terminando com a trágica captura de Karen Page no meio do caos.
Crítica do episódio 6 da temporada 2 de Demolidor: Renascido
O luto transforma Fisk em um monstro sem correntes
Logo nos primeiros minutos, fica evidente que o Wilson Fisk mais “centrado” e político evaporou junto com a vida de Vanessa. A cena em que ele esmaga a espinha do médico que cuidou da sua esposa, apenas por lhe oferecer um abraço de condolências, é tão perturbadora quanto brilhante.
Esse momento serve para cravar que Fisk não possui mais amarras ou motivos para fingir ser um líder civilizado; com o fim de seu grande amor, a máscara política caiu de vez, dando espaço apenas à crueldade animalesca do Rei do Crime.

A volta (quase) triunfal de Jessica Jones
Vamos falar a verdade, foi espetacular ver a Krysten Ritter de volta com sua icônica jaqueta de couro. Ela não perdeu em nada o sarcasmo e a acidez característicos, rendendo uma dinâmica fantástica com o Demolidor enquanto quebravam a cara dos policiais da AVTF.
Contudo, a série introduz um novo e instigante conflito para ela: Jessica agora é mãe (e tudo indica que Luke Cage é o pai e está fazendo trabalhos obscuros pelo mundo) e, desde o nascimento da filha, seus poderes andam falhando. Vê-la apanhar e até sangrar em um embate contra o agente Powell, um humano comum, injeta uma camada de vulnerabilidade inédita na personagem, gerando uma tensão gigantesca a cada soco que ela dá (e leva).
A bússola moral: Matt x Karen
A ação é ótima, mas o episódio brilha de verdade no embate verbal entre Matt e Karen. A química e a tensão na cena em que discutem o destino do Mercenário é de cortar o coração. Matt continua engessado na sua crença de que “vingança não é justiça”, impedindo Karen de atirar no vilão.
Mas a frustração dela é totalmente compreensível: Karen está exausta e endurecida pelo trauma, jogando na cara de Matt que suas escolhas moralmente corretas de poupar monstros acabam sempre em mortes de pessoas amadas, como Foggy e o Padre Lantom. É um debate complexo e maduro, que faz com que até o público questione a tão reverenciada moralidade do protagonista.
O confronto inevitável e as subtramas arrastadas
A ingenuidade de Matt beira o absurdo neste episódio. Ir até o escritório de Fisk, logo após a morte de Vanessa, para tentar uma conversa de paz foi definitivamente o pior timing da história. Pelo menos, essa escolha ruim nos presenteou com uma das melhores cenas de luta da série até aqui. A coreografia do combate entre a agilidade insana do Demolidor e a pura força bruta de Fisk destrói não só o cenário — incluindo o simbólico quadro branco —, mas também carrega o peso emocional de anos de ódio.
O grande calcanhar de Aquiles de “Réquiem”, no entanto, é o seu excesso de ambição. O roteiro tenta lidar com muitas histórias simultâneas e acaba sofrendo uma sobrecarga de tramas arrastadas. As interações entre BB Urich e Daniel Blake sobre vazamentos de informação, e o tratamento bizarro que Buck Cashman dá para os traumas da Dra. Heather Glenn com o vilão Muse, quebram a urgência do episódio. São subtramas que poderiam ter sido enxugadas para dar ainda mais espaço para a guerra civil que tomava conta das ruas.
Conclusão
Apesar de sua estrutura um tanto inchada e dos tropeços de ritmo nas histórias secundárias, o sexto episódio da temporada é inegavelmente poderoso. “Réquiem” não se apoia apenas nos socos trocados, mas na demolição emocional dos seus protagonistas.
O excelente uso de Jessica Jones revitaliza as cenas de ação, e a cena final — em que o insano e corrupto oficial Powell identifica e captura Karen no meio do motim — deixa o espectador sem ar. O caos finalmente engoliu Nova York, e o que nos resta esperar é que Matt consiga agir antes que Fisk ou a AVTF causem um dano irreversível à vida da única pessoa que lhe sobrou.
Trailer da 2ª temporada de Demolidor: Renascido
Elenco da temporada 2 de Demolidor: Renascido
- Charlie Cox
- Vincent D’Onofrio
- Deborah Ann Woll
- Margarita Levieva
- Ayelet Zurer
- Wilson Bethel














