Marlon Wayans, Shawn Wayans e Regina Hall em cena do filme Todo Mundo em Pânico 6

‘Todo Mundo em Pânico 6’ ri na cara do politicamente correto em sua volta triunfal

Foto: Divulgação / Paramount Pictures
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A franquia Todo Mundo em Pânico nunca teve medo de ultrapassar limites, e o sexto filme mantém essa tradição histórica mais viva do que nunca. Após 25 anos desde o lançamento do segundo filme — e exaustivos 13 anos de um hiato em que a marca sobreviveu sem seus criadores —, a volta de Marlon, Shawn e Keenen Ivory Wayans ao roteiro e à produção é um verdadeiro evento catártico para os fãs de comédia. O resultado nas telonas é exatamente aquilo que os irmãos sabem fazer de melhor: uma metralhadora giratória de piadas irreverentes que não perdoam absolutamente ninguém.

Não é possível analisar uma comédia com esse nível de acidez buscando a profundidade de um filme de Ingmar Bergman ou o terror reflexivo e cheio de camadas de Jordan Peele — mas, se olharmos com atenção, talvez até encontremos um pouco da ousadia clássica dos Wayans no DNA de Peele.

A regra do diretor Michael Tiddes e dos roteiristas é clara e brutal: em um filme de uma hora e meia, o público é bombardeado com 88 minutos de piadas e, no máximo, dois minutos de respiro emocional. É zoeira ininterrupta, funcionando quase como um episódio estendido de South Park em formato live action focado no cinema de gênero contemporâneo.

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Sinopse

A trama dá um salto temporal inteligentíssimo e nos reapresenta Cindy Campbell (Anna Faris) e Brenda Meeks (Regina Hall) décadas após os primeiros massacres da virada do milênio. Agora, ambas são mães e precisam lidar com uma nova geração que enfrenta o retorno sangrento do icônico assassino mascarado Ghostface. Desta vez, o vilão volta para aterrorizar os filhos de Brenda e as filhas de Cindy — mas mirando de forma quase obsessiva na prole desta última.

O longa brilha intensamente ao explorar como essas personagens icônicas envelheceram diante de um mundo cada vez mais caótico. Cindy, mantendo sua essência de protagonista loira influenciável, mergulhou de cabeça nas teorias da conspiração da extrema-direita, tornando-se uma fervorosa apoiadora do movimento MAGA e do QAnon — uma adição genial que rende piadas visuais maravilhosas. Brenda, por sua vez, continua sendo a pior melhor amiga possível e uma mãe de moralidade questionável, entregando uma performance cômica que só Regina Hall sabe fazer.

Para sobreviver, a nova geração é obrigada a recorrer aos veteranos sobreviventes: Shorty Meeks (Marlon Wayans), que inteligentemente surfou na onda da modernidade e transformou sua vida movida a maconha em uma carreira de streamer milionário, e Ray Wilkins (Shawn Wayans), que ressurge na vida de Brenda.

Faris prova que sua veia cômica não apenas segue intacta, como amadureceu. A sua sequência final a transforma em uma mistura ensandecida da Laurie Strode paranoica (vivida por Jamie Lee Curtis) do Halloween de 2018 com as coreografias táticas de Bailarina (2025), o spin-off de John Wick.

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Crítica do filme Todo Mundo em Pânico 6 com spoilers

Fim do cancelamento

A genialidade dos irmãos Wayans reside em abraçar o contexto cultural hiper contemporâneo sem qualquer receio da temida cultura do cancelamento. O humor ataca o estilo de vida estadunidense e as pautas militantes de forma cirúrgica. Eles ofendem a todos porque não discriminam ninguém.

A metalinguagem começa logo nos primeiros segundos: Teyana Taylor protagoniza uma cena de abertura espetacular que parodia o seu próprio drama premiado Uma Batalha Após a Outra (2025), misturando-o de forma genial com as mortes de Pânico 6 (2023) ambientado em Nova York, finalizando com um delírio visual ao estilo dos Vingadores com gritos de “Viva La Revolucion!”.

cena do filme Todo Mundo em Pânico 6
Foto: Paramount Pictures / Divulgação

Acerto de contas histórico

O longa reserva ainda um acerto de contas histórico nos bastidores. O clímax revela uma reviravolta insana: os assassinos originais da nova leva são os próprios irmãos Wayans em conluio com Anthony Anderson e Shaquille O’Neal. Para quem não lembra, os dois astros protagonizaram Todo Mundo em Pânico 3 e 4 após a franquia ser tirada à força das mãos dos Wayans pela Miramax.

Em um desfecho hilário e deliciosamente rancoroso, os Wayans traem e matam a dupla de intrusos. Anderson é brutalmente despachado sob a justificativa de “inveja” por ter concorrido a 8 Emmys com sua brilhante série autoral black-ish; já Shaq é assassinado pelo crime imperdoável de ter estrelado o terrível filme Kazaam (1996), tomando de brinde uma zoação pesada sobre a sua saída do Los Angeles Lakers.

Vale a pena ver Todo Mundo em Pânico 6?

Por fim, não há espaço para problematizações fúteis aqui. Todo Mundo em Pânico 6 resgata uma sensação vital que andava sumida de Hollywood: a liberdade de rir do absurdo da nossa realidade e, principalmente, de rirmos de nós mesmos. É um filme perfeitamente coeso dentro de sua própria loucura. E nem precisa de sequência, o que não quer dizer que não terá já que termina absolutamente como qualquer outro longa da franquia.

Mas quer saber? Pegue seus amigos da faixa dos 40 anos com os quais você gargalhou até perder o fôlego lá no ano 2000, compre o ingresso e ria de novo. A humanidade estava precisando desesperadamente voltar a rir, e os irmãos Wayans entregaram o recado com muita honestidade.

Onde assistir ao filme Todo Mundo em Pânico 6?

O filme estreia nesta quinta-feira, 4 de junho de 2026, exclusivamente nos cinemas brasileiros.

Trailer de Todo Mundo em Pânico de 2026

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Elenco do filme Todo Mundo em Pânico 6

  • Marlon Wayans
  • Shawn Wayans
  • Anna Faris
  • Regina Hall
  • Chris Elliott
  • Lochlyn Munro
  • Heidi Gardner
  • Damon Wayans Jr.
  • Savannah Lee Nassif
Escrito por
Cadu Costa

Cadu Costa era um camisa 10 campeão do Vasco da Gama nos anos 80 até ser picado por uma aranha radioativa e assumir o manto do Homem-Aranha. Pra manter sua identidade secreta, resolveu ser um astro do rock e rodar o mundo. Hoje prefere ser somente um jornalista bêbado amante de animais que ouve Paulinho da Viola e chora pelos amores vividos. Até porque está ficando velho e esse mundo nem merece mais ser salvo.

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