Sabe aquela clássica história do jovem que sai de uma cidadezinha do interior jurando que vai conquistar o mundo e, quase vinte anos depois, descobre que a vida real não é tão glamourosa assim?
Pois é exatamente nessa ferida que a nova série alemã da Netflix, Tudo Leva a Merdenburgo (Kacken an der Havel), decide cutucar. Só que, em vez de abordar a frustração com um drama denso e pesado, a produção escolhe o caminho do humor constrangedor, da ironia e do caos absoluto.
Sinopse
A trama acompanha Toni (vivido pelo ator e rapper Anton “Fatoni” Schneider), um cara de 36 anos que passou as últimas duas décadas em Berlim jurando que estava prestes a se tornar um grande astro do rap. A dura realidade, no entanto, é que ele trabalha entregando e fazendo pizzas para pagar as contas. A vida de Toni vira de cabeça para baixo quando sua mãe morre de forma bizarra — ela é atingida por um raio ao tentar resgatar um pato de cima de uma árvore — e ele se vê obrigado a voltar para sua estranha cidade natal.
De volta a Merdenburgo, ele é bombardeado por surpresas: descobre que tem um padrasto mais novo que ele (Dimitrij Schaad), conhece uma prefeita com ares de líder de seita (interpretada por Veronica Ferres como uma versão exagerada de si mesma), ganha a companhia de um patinho falante chamado Tupac e, o mais impactante, descobre ser pai de Charly, um adolescente de 13 anos.
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Crítica da série Tudo leva a Merdenburgo
Um mergulho de cabeça no absurdo
A série não tem o menor medo de ser ridícula, e esse acaba sendo o seu maior trunfo. Com uma forte inspiração no humor anárquico de desenhos norte-americanos, lembrando bastante o estilo de Seth MacFarlane (criador de Uma Família da Pesada), as coisas mais engraçadas frequentemente acontecem ao fundo da tela ou fogem totalmente do senso comum.
Onde mais você veria uma delegacia de polícia sucateada dividindo espaço com um salão de cabeleireiro? Ou um esquema falso de tráfico de drogas que tem como base a venda de aspargos fedorentos liderado pela prefeita da cidade? A série abraça o seu próprio bizarro de uma forma tão descarada e confiante que é quase impossível não comprar a ideia e embarcar na brincadeira.

O choque de realidade e o peso do “quase sucesso”
Apesar de toda a palhaçada cartunesca, o que realmente sustenta a produção e a impede de ser apenas vazia é o seu núcleo emocional e existencial. A atuação de Fatoni é fantástica ao entregar um protagonista altamente egoísta e iludido com a própria grandeza artística, mas que, no fundo, carrega dores muito relacionáveis.
A série acerta em cheio ao escancarar a dor de quem construiu uma persona digital de sucesso que não condiz com a conta bancária na vida real. É genial e levemente doloroso ver o protagonista tentando justificar sua carreira estagnada como “integridade artística” para seu filho da Geração Z, um garoto criado na era das métricas e que não tem paciência para ilusões.
Entre boas risadas e alguns tropeços
Ainda que seja muito divertida, a produção tem suas falhas. Por entregar nove episódios curtos (com cerca de 20 a 35 minutos cada), a série possui um formato excelente e dinâmico para quem gosta de maratonar. No entanto, às vezes o excesso de caos visual e narrativo pode ser um pouco cansativo para o espectador.
Nos episódios do meio da temporada, por exemplo, o ritmo dá uma escorregada quando a trama insana dos aspargos acaba tomando muito tempo de tela e ofuscando o desenvolvimento da relação entre Toni e seu filho, que é o verdadeiro coração da história. Algumas piadas também se estendem além da conta, passando a sensação de que tentaram emular uma fórmula de comédia que não encaixou tão bem ali.
Conclusão
Tudo Leva a Merdenburgo é, no fim das contas, uma bagunça gloriosa e altamente arriscada. A série consegue equilibrar o nonsense puro com um retrato genuíno e ácido sobre expectativas frustradas, paternidade tardia e o verdadeiro significado de sucesso.
É o tipo de produção perfeita para quando você quer desligar o cérebro e rir de situações inusitadas, mas que de quebra ainda deixa uma mensagem bacana sobre saber a hora de abandonar fantasias egoístas para focar nas conexões humanas reais. Se você curte um humor que não se leva a sério e abraça o ridículo, vale a pena dar o play.
Onde assistir online à série Tudo leva a Merdenburgo?
Trailer de Tudo leva a Merdenburgo (2026)
Elenco de Tudo leva a Merdenburgo, da Netflix
- Anton ‘Fatoni’ Schneider
- Sky Arndt
- Dimitrij Schaad
- Runa Greiner
- Jördis Triebel
- Sophia Münster
- Jana Münster
- Vincent Redetzki
- Ruth Reinecke
- Hanna Ehrlichmann

















