Erros Épicos crítica da série da Netflix 2026 - Flixlândia

Crítica | Por que ‘Erros Épicos’ é puro ‘suco de ansiedade’

Foto: Netflix / Divulgação
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Seis anos após o fim e o sucesso absoluto da comédia reconfortante Schitt’s Creek, Dan Levy está de volta à televisão, agora em parceria com Rachel Sennott, para entregar algo completamente diferente. A nova série da Netflix, Erros Épicos (Big Mistakes), joga pela janela aquele clima de “abraço quentinho” e abraça o caos desenfreado.

Trazendo uma mistura de farsa criminal com os dramas de uma família para lá de disfuncional, a produção se consagra como um autêntico “suco de ansiedade”, ideal para quem gosta de humor ácido e não se importa com uma dose cavalar de estresse enquanto relaxa no sofá.

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Sinopse

A história, ambientada em Nova Jersey, foca nos irmãos Nicky (Levy) e Morgan (Taylor Ortega). Nicky é um pastor que esconde da família e de sua congregação o fato de ter um namorado, enquanto Morgan é uma professora impulsiva estagnada em um relacionamento sem futuro.

A vida medíocre da dupla vira de cabeça para baixo quando, na tentativa de comprar um colar para a avó no leito de morte, o vendedor Yusuf (Boran Kuzum) se recusa a entregar o item, o que leva Morgan a simplesmente furtar a joia da loja.

O problema é que a peça não era uma bugiganga qualquer, mas sim um item valioso pertencente à máfia russa. De uma hora para outra, os irmãos se veem encurralados pelo crime organizado, tudo isso enquanto precisam lidar com a mãe dominadora e narcisista, Linda (Laurie Metcalf), que decidiu se candidatar à prefeitura da cidade.

Crítica da série Erros Épicos

O efeito dominó e a comédia do pânico

O maior trunfo de Erros Épicos é não dar tempo para o espectador respirar. A narrativa funciona na base do acúmulo: uma decisão ruim gera um problema que exige uma solução ainda pior, num efeito dominó quase incontrolável. É uma estrutura que lembra o ritmo de sufocamento de séries como Ozark, mas trocada por um filtro de ironia e total incompetência dos personagens principais.

Os irmãos não têm nenhum preparo para lidar com criminosos, e tentar vê-los sobreviver no improviso desesperado garante os melhores momentos de humor. Para aumentar ainda mais essa sensação de urgência sufocante, a série conta com uma trilha sonora angular e ansiosa assinada pela artista Peaches, que pontua muito bem o perigo rondando aquela vida suburbana.

Erros Épicos 2026 crítica da série da Netflix - Flixlândia
Foto: Netflix / Divulgação

A dinâmica de uma família perfeita no caos

Embora a série tenha “crime” no pacote, é nas relações entre quatro paredes que ela realmente brilha. A química entre Levy e Ortega é excelente; as brigas velozes, repletas de interrupções e pequenas ofensas, soam extremamente autênticas para irmãos que se amam e se irritam na mesma proporção. Levy segue mestre em fazer aquele humor de quem é completamente inútil diante de tarefas práticas da vida, enquanto Ortega entrega uma personagem descrita nos bastidores como uma verdadeira “pessoa tornado”, caótica por natureza.

Mas quem rouba a cena quando aparece é Laurie Metcalf no papel da matriarca Linda. A atriz entrega falas arrasadoras com uma sinceridade assustadora, funcionando como aquele tipo clássico de mãe que acerta na leitura dos filhos, mas erra feio na leitura de si mesma, sufocando-os com pressão. O único ponto fora da curva familiar é a irmã mais nova, Natalie (Abby Quinn); apesar do talento da atriz, a personagem parece um acessório sem função clara, e o roteiro a deixa meio jogada de lado.

O crime nem sempre compensa no roteiro

O calcanhar de Aquiles de Erros Épicos é, sem dúvida, a trama criminal. Enquanto os dramas pessoais são engajantes, os mafiosos com quem eles lidam são mais tediosos do que assustadores. O roteiro exige do público uma suspensão de descrença gigantesca, já que as motivações e o avanço da história dependem fortemente de coincidências e do mais puro acaso, ao invés de consequências lógicas.

Ao tentar equilibrar o humor cínico com a tensão de um thriller, a produção às vezes patina, soando repetitiva e fazendo com que a primeira metade da temporada custe um pouco a engrenar. Por sorte, o ritmo melhora na reta final, culminando numa reviravolta insana (e não muito lógica) que, apesar de seus defeitos, implora por uma continuação.

Conclusão

Erros Épicos pode não ser uma obra-prima impecável, mas sabe ser viciante. Apesar de tropeçar nas próprias pernas ao desenvolver a parte investigativa e mafiosa da história, o carisma do elenco e as observações afiadas sobre uma família disfuncional seguram a barra.

É o típico entretenimento rápido, ideal para ser devorado em uma maratona de fim de semana para quem está a fim de desligar um pouco a mente e simplesmente acompanhar o fundo do poço que más escolhas podem proporcionar.

Trailer da série Erros Épicos

YouTube player

Elenco de Erros Épicos, da Netflix

  • Daniel Levy
  • Taylor Ortega
  • Laurie Metcalf
  • Abby Quinn
  • Boran Kuzum
  • Jack Innanen
Escrito por
Taynna Gripp

Formada em Letras e pós-graduada em Roteiro, tem na paixão pela escrita sua essência e trabalha isso falando sobre Literatura, Cinema e Esportes. Atual CEO do Flixlândia e redatora do site Ultraverso.

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