A quinta e última temporada de The Boys definitivamente não está para brincadeira. Se você esperava apenas o festival de sangue e tripas de sempre, o terceiro episódio nos mostra que a série está muito mais interessada em acelerar rumo a um final sujo, desconfortável e com danos irreversíveis para todos os envolvidos.
O cerco está se fechando de uma forma claustrofóbica, e a tensão não vem apenas dos superpoderes, mas da mente fragmentada de seus protagonistas.
Sinopse
O episódio abre com Ryan demonstrando toda a sua força (e brutalidade) ao dizimar um time de forças especiais na Rússia. Enquanto isso, a Vought solta mais um de seus clássicos vídeos de propaganda, desta vez introduzindo Soldier Boy como um “amigo” da América, com direito a Homelander revelando ao público que o herói veterano é, na verdade, seu pai.
Do lado dos The Boys, as coisas se complicam: embora o vírus anti-Supe tenha funcionado nos membros da Teenage Kix, eles descobrem que Soldier Boy é imune devido ao V1 (ou V-One), uma versão inicial e muito mais potente do Composto V.
O grande problema? Homelander agora quer colocar as mãos nessa substância para se tornar imortal, criando uma corrida contra o tempo. Isso obriga a equipe a procurar o ardiloso Stan Edgar em um bunker. Lá, rola um reencontro tenso: Hughie dá de cara com Maverick, o filho do Translúcido.
Tudo dá errado quando o Profundo resolve agir por conta própria, nocauteando o Black Noir II e o próprio Edgar com gás, o que leva a uma briga onde Cindy explode Maverick acidentalmente, apenas para ter seu pescoço quebrado por Annie logo em seguida.
Paralelamente, um Homelander em total delírio psicótico passa a ter visões de Madelyn Stillwell vestida de anjo, o que o incentiva a querer o status de Deus. Isso culmina em um confronto perturbador com seu próprio filho, Ryan, onde o garoto leva uma surra brutal e dolorosa do pai.
Crítica do episódio 3 da temporada 5 de The Boys
O delírio divino do Capitão Pátria
Se Antony Starr já era o dono da série, aqui ele entrega uma das performances mais desconfortáveis e assustadoras de todo o show. Ver Homelander em frangalhos, choramingando como uma criança pequena para uma visão angelical de Madelyn Stillwell, seria cômico se não fosse o estopim para o seu novo e perigoso complexo de Deus.
Ele não quer apenas ser amado ou invencível; ele quer ser venerado acima de Jesus e conquistar a imortalidade biológica através do V1. A cereja desse bolo trágico é a aguardada (e temida) briga com Ryan. Quando o garoto questiona se o pai estuprou sua mãe, a resposta vem na forma de socos pesados, lembrando a crueza da animação Invincible, e mostrando que Capitão Pátria perdeu qualquer pingo de humanidade.

A corrida pelo V1 e o retorno de Stan Edgar
O conceito do V1 eleva bastante as apostas da temporada. Não é mais apenas sobre quem bate mais forte, mas sobre quem ganha o poder da permanência. Se Homelander conseguir a fórmula, ele literalmente não poderá mais ser derrotado, extinguindo a última faísca de esperança da resistência. Para tentar impedir isso, The Boys recorrem a Stan Edgar.
O retorno de Giancarlo Esposito é sensacional porque ele traz de volta a mente mais fria do jogo, alguém que ainda enxerga Homelander apenas como um “produto defeituoso”. Como sempre, aliar-se a Edgar é perigoso, pois ele jamais age sem ter seus próprios interesses em mente.
Egoísmo e o ciclo sem fim de violência
Uma coisa que esse episódio deixa muito clara é a ausência de altruísmo nesses personagens. Todo mundo está sendo incrivelmente egoísta. Bruto manipula e mente para o próprio Ryan focado apenas em sua missão cega, o Profundo (que, aliás, agora dirige um Cybertruck) apunhala os colegas pelas costas só para ficar com os créditos de capturar Stan Edgar, e até as boas intenções de Hughie cobram um preço altíssimo.
O roteiro acerta em cheio ao nos lembrar que “pessoas feridas ferem outras pessoas”. A aparição de Zoe (filha de Victoria Neuman) e de Maverick serve para mostrar que a nova geração está simplesmente herdando os traumas sangrentos dos pais. A tentativa de Hughie de ser empático com Maverick acaba em mais sangue e morte, provando que boas intenções não têm muito espaço nesse universo.
Um tom mais sombrio e menos cômico
Se você achou que ia rir neste episódio, as chances são pequenas. A série entrou em uma vibração muito mais sombria, onde as piadas mal encontram espaço para respirar. Apesar de termos momentos absurdamente ridículos que são a marca registrada da obra — como a inusitada relação sexual entre Soldier Boy e Firecracker, ou os diálogos completamente sem noção do Profundo —, essas cenas não conseguem aliviar a tensão. O ritmo da direção força os personagens para dentro de salas fechadas, obrigando-os a terem conversas das quais não podem fugir, gerando uma atmosfera pesada e claustrofóbica.
Conclusão
O episódio 3 da 5ª temporada de The Boys funciona como um ponto de virada definitivo. Ao focar na falência moral e no egoísmo de praticamente todos os personagens, a série nos avisa que não tem interesse nenhum em entregar um desfecho limpo ou amigável.
Com a sanidade de Homelander indo pelo ralo, Bruto flertando cada vez mais com o abismo ético do vírus anti-Supe, e o V1 ameaçando mudar o equilíbrio de poder para sempre, fica claro que os próximos episódios serão caóticos. Ninguém parece seguro e, honestamente, é difícil imaginar que qualquer um deles vá sair dessa história inteiro.
Trailer da temporada 5 de The Boys
Elenco da 5ª temporada de The Boys
- Karl Urban
- Jack Quaid
- Antony Starr
- Erin Moriarty
- Jessie T. Usher
- Laz Alonso
- Chace Crawford
- Tomer Capone
- Karen Fukuhara
- Nathan Mitchell
- Colby Minifie
- Susan Heyward
- Valorie Curry
- Daveed Diggs














