Emma Corrin e Maika Monroe no filme 100 Noites de Desejo de 2026

‘100 Noites de Desejo’ e o poder das mulheres que contam histórias

Foto: Paris Filmes / Divulgação
Compartilhe

Às vezes, as melhores surpresas no cinema chegam de mansinho, sem aquele alarde todo. É o caso de 100 Noites de Desejo (100 Nights of Hero no original), adaptação da elogiada graphic novel de Isabel Greenberg.

Com direção de Julia Jackman, o longa mistura uma pegada de conto de fadas excêntrico com um debate super atual sobre o controle da mulher e a força da imaginação. Se você curte uma história que junta o tom das fábulas de As Mil e Uma Noites com a urgência de O Conto da Aia, esse filme tem de tudo para capturar a sua atenção logo nos primeiros minutos.

➡️ Compre na AMAZON com frete grátis e rápido! Confira o festival de ofertas e promoções com até 80% OFF para tudo o que você precisa

Sinopse

A trama nos joga em um universo fantástico e opressor onde as mulheres são estritamente proibidas de ler e escrever. Conhecemos Cherry (Maika Monroe), uma mulher doce e de aparente inocência que vive um casamento frio e não consumado com Jerome (Amir El-Masry). A situação da protagonista é desesperadora: ela tem um prazo de 100 dias para conseguir engravidar, caso contrário, será executada.

O caos no castelo se instala de vez quando o charmoso hóspede Manfred (Nicholas Galitzine) chega ao local e faz uma aposta bizarra com o marido dela. Manfred afirma que consegue seduzir Cherry e engravidá-la no período de 100 noites. Para proteger a senhora (e seu interesse amoroso) das investidas do visitante intrometido, a leal e inteligente criada Hero (Emma Corrin) decide usar a melhor arma que tem à disposição: passar as noites narrando histórias envolventes com a intenção de distrair Manfred e salvar a vida de Cherry.

➡️ Siga o canal FLIXLÂNDIA no WHATSAPP e fique por dentro das novidades de filmes e séries

Crítica do filme 100 Noites de Desejo

Histórias como arma de resistência

O ponto mais alto de 100 Noites de Desejo é a maneira como ele transforma o ato de contar histórias em uma verdadeira ferramenta de sobrevivência. Naquele mundo dominado pelas regras do patriarca Birdman (Richard E. Grant), a mulher não tem voz e é tratada como mera propriedade. A sacada de Hero ao usar suas fábulas para frear os impulsos de Manfred é inteligente e constrói uma mensagem política fundamental sobre o apagamento feminino.

Em meio a isso tudo, o romance queer entre Cherry e Hero vai nascendo de forma orgânica durante o convívio, tornando-se não só o coração da narrativa, mas um baita ato de desobediência contra as imposições do sistema. O roteiro acerta em cheio por conseguir carregar uma boa tensão sexual e passar seu recado sobre libertação sem precisar ser panfletário ou forçar a barra.

Emma Corrin, Markella Kavenagh e Maika Monroe no filme 100 Noites de Desejo de 2026
Foto: Paris Filmes / Divulgação

Brilho do elenco

A força do filme está pesadamente escorada no seu ótimo trio principal. Maika Monroe entrega uma Cherry que carrega sua angústia em silêncio, transmitindo com perfeição a fragilidade de alguém presa a uma sentença de morte, enquanto tenta entender as próprias vontades. Já Emma Corrin rouba a cena e nunca deixa a peteca cair. A atriz constrói uma Hero imponente, observadora e que exala poder e cuidado em cada olhar.

E quem diria, mas Nicholas Galitzine (que curiosamente também dá as caras nesta semana nos cinemas em Mestres do Universo) foi uma grande surpresa aqui. Longe da sua zona de conforto habitual, ele dosa muito bem o carisma cafajeste e o desconforto de Manfred, mostrando o arco de um cara que aos poucos ganha empatia pela mulher que antes tratava apenas como objeto de aposta. O elenco também traz a cantora Charli XCX como Rosa, mas, infelizmente, a atuação dela acaba não atingindo todo o potencial dramático que a personagem exigia.

Estética deslumbrante, mas de alma fria

Se tem uma coisa inegável sobre 100 Noites de Desejo, é que o filme é um espetáculo de lindo. A direção de arte e os figurinos exuberantes assinados por Susie Coulthard dão vida a uma atmosfera poética e melancólica. O trabalho da direção de Julia Jackman chega até a render comparações com o tom de cineastas como Alejandro Jodorowsky ou Wes Anderson, através de seus enquadramentos peculiares e ângulos inusitados.

O problema é que, para boa parte do público, tanto capricho visual acaba esbarrando num resultado meio vazio. A narrativa tem problemas de ritmo e, às vezes, soa fria demais. É como se a direção confiasse tanto nos simbolismos da tela que esquecesse de fisgar as emoções de quem está assistindo. Faltou aquela “pimenta” para fazer o público se envolver de cabeça na tensão prometida, deixando a sensação de que o filme é cheio de ótimas ideias, mas peca na hora de executá-las com vigor.

100 Noites de Desejo é bom?

No fim das contas, 100 Noites de Desejo é uma obra que ganha pelo aconchego visual e pela sensibilidade de seus temas. Mesmo batendo na trave em alguns momentos devido ao ritmo irregular e uma certa frieza na condução de Julia Jackman, o longa ainda se segura muito bem através do carisma de suas atuações e da profundidade de sua mensagem.

É um belo conto sobre mulheres que insistem em existir, usando o amor e as palavras para não desaparecerem. Pode não ser a experiência catártica que alguns esperam, mas com certeza é um filme que deixa você refletindo – e uma ótima pedida para assistir debaixo das cobertas.

Onde assistir ao filme 100 Noites de Desejo?

O filme está em cartaz nos cinemas brasileiros.

Trailer de 100 Noites de Desejo (2026)

YouTube player

Elenco do filme 100 Noites de Desejo

  • Emma Corrin
  • Maika Monroe
  • Nicholas Galitzine
  • Safia Oakley-Green
  • Richard E. Grant
  • Josh Cowdery
  • Markella Kavenagh
  • Clare Perkins
Escrito por
Wilson Spiler

Formado em Design Gráfico, Pós-graduado em Jornalismo e especializado em Jornalismo Cultural, com passagens por grandes redações como TV Globo, Globonews, SRZD e Ultraverso.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Procuram-se colaboradores
Procuram-se colaboradores

Últimas

Artigos relacionados
Masterplan filme Prime Video 2026 (1)
Críticas

‘Masterplan’: Stanley Tucci lidera roubo da Mona Lisa em divertida comédia de assalto

O catálogo do Prime Video recebeu o longa-metragem Masterplan (Plano Mestre, no...

Rose 2026 filme
Críticas

Estrelado por Sandra Hüller, ‘Rose’ é um dos filmes mais perturbadores do ano

Há algo de profundamente perturbador e belo na maneira como o cinema...

Os Domingos 2025 filme (1)
Críticas

Consagrado em festivais, ‘Os Domingos’ expõe as fraturas de uma família moderna

O cinema espanhol contemporâneo tem demonstrado uma capacidade incomum de olhar para...

Katseye - Wild Hearts documentário musical 2026 Disney+ (1)
CríticasCríticas

‘Katseye: Wild Hearts’ escancara o preço invisível da fama na indústria do pop

A fascinação contemporânea pela cultura pop raramente se detém no produto final...

A Terapia Certa 2026 filme Netflix
Críticas

Ricardo Darín e Diego Peretti travam duelo ético em ‘A Terapia Certa’

O cinema argentino possui uma habilidade quase cirúrgica de transformar as neuroses...

Um Pouco de Esperança Kami nour crítica do filme Mostra de São Paulo SP 2026
Críticas

‘Um Pouco de Esperança’ prova que a gentileza ainda é o maior ato de resistência no cinema

A realidade é que desconhecemos o que ocorre no âmbito doméstico alheio...

Lua Cheia Full Moon filme 2026 Mostra Internacional de Cinema de São Paulo SP
CríticasFilmes

‘Lua Cheia’ retrata com delicadeza as dores do amadurecimento e os laços familiares

Um dos maiores desafios da adolescência é aceitar a própria condição de...

Tenzing filme 2026 Apple TV
Críticas

‘Tenzing’ reescreve a maior façanha do montanhismo

Durante mais de sete décadas, os manuais escolares e as efemérides ocidentais...