filme Cordélicos - A Origem do Cabra da Peste de 2026

‘Cordélicos – A Origem do Cabra da Peste’ une cangaço e cyberpunk em um Nordeste futurista

Foto: Divulgação / Retrato Filmes
Compartilhe

E se a gente pegasse toda a riqueza cultural do Nordeste e jogasse num liquidificador junto com viagens no tempo, alienígenas e robôs? Essa é exatamente a premissa de Cordélicos – A Origem do Cabra da Peste, nova animação brasileira dirigida por Ale McHaddo.

O que começou como um curta-metragem lá em 2007 e até virou série em 2022, agora chega aos cinemas ganhando ares de superaventura para toda a família. A proposta é das mais ousadas: fazer uma verdadeira antropofagia cultural, pegando referências da ficção científica gringa e devolvendo tudo com muito sotaque e brasilidade. Mas será que essa mistura deu liga na telona?

➡️ Compre na AMAZON com frete grátis e rápido! Confira o festival de ofertas e promoções com até 80% OFF para tudo o que você precisa

Sinopse

A trama acompanha um bando de aventureiros cangaceiros que, meio por acidente, rouba os planos de uma máquina do tempo e acaba viajando quase dois mil anos para frente, indo parar no ano de 3333.

Nesse futuro, o grupo se depara com um “Neo Nordeste” distópico e acaba se separando pelas eras. Agora, eles precisam correr contra o tempo, sobreviver aos desafios tecnológicos e bater de frente com o terrível (e mutante) Cabra da Peste, vilão cuja origem é o grande foco da história.

➡️ Siga o canal FLIXLÂNDIA no WHATSAPP e fique por dentro das novidades de filmes e séries

Crítica do filme Cordélicos – A Origem do Cabra da Peste

O encontro do cangaço com o cyberpunk

Logo de cara, o que mais chama a atenção no filme é a sua identidade visual. A direção acerta em cheio ao usar a estética das xilogravuras e do cordel não apenas como enfeite, mas como a base de um universo retrofuturista. Ver o sertão dialogar com a estética cyberpunk gera um contraste super legal e criativo.

O roteiro é lotado de referências que vão da cultura pop internacional, como Star Wars e Caverna do Dragão, até as expressões mais puras da tradição nordestina. Para alguns, essa salada mista de gírias em inglês com elementos do sertão funciona para atrair o público infantojuvenil de forma descontraída. No entanto, é inegável que isso às vezes acaba tirando um pouco do brilho da prometida valorização do cordel, parecendo meio deslocado dentro do universo criado.

animação Cordélicos - A Origem do Cabra da Peste de 2026
Foto: Divulgação / Retrato Filmes

Vozes de peso, mas personagens rasos?

Se tem um ponto em que a produção investiu pesado foi no elenco de voz original, que traz nomes incríveis. Temos Bruno Garcia dando um tom imponente ao Capitão Rocha, e o mestre da dublagem Tadeu Mello (conhecido por ser o Sid de A Era do Gelo) entregando um timing cômico perfeito para o cangaceiro Siv (ou Sid). Destaque também para a estreia do cantor Falcão no mundo das animações, dublando de forma bem-humorada o inusitado Falcão Espacial, além de Raissa Xavier como Bonita, Marcelo Mansfield como Cabra da Peste, Carol Góes como Rimbi, e Felipe Mazzoni se desdobrando para dublar múltiplos personagens, como Tatux e Corisco.

Mas aí entra um problema apontado por críticas mais duras: o roteiro acaba limitando esses talentos a personagens muito rasos e arquetípicos. Em vez de aproveitar a complexidade real da história do cangaço, a trama transforma o grupo em meros caçadores de tesouros passeando por cidades renomeadas como “Maceióx” e “Caruarux”. O filme acaba derrapando em alguns estereótipos perigosos e ultrapassados, apelando para piadas sobre a preguiça do nordestino, a hipersexualização da figura feminina e até zombarias com a aparência efeminada do vilão, que foge envolto em purpurina.

Entre o cordel e o caos

Sendo bem sincero, fazer animação independente no Brasil é um desafio imenso e o orçamento limitado da 44 Toons dá as caras na parte técnica. A animação carece de fluidez em várias cenas de ação, perdendo o impacto que a estética pedia. Mas o que realmente incomoda e divide a experiência é o design de som.

A edição de áudio parece não ter pausas: é um excesso saturado de efeitos sonoros típicos de desenhos para crianças pequenas (aquele clássico arsenal de pif, paf, bum, crash), o que infantiliza demais a narrativa. Curiosamente, a montagem também sofre com problemas de ritmo; o longa engata uma quinta marcha para apresentar viagens temporais e vilões de forma acelerada, mas estranhamente arrasta cenas de piadas físicas mais simples, passando segundos preciosos vendo personagens caírem ou demorando para desenvolver um tiroteio.

Cordélicos – A Origem do Cabra da Peste é bom?

No fim das contas, Cordélicos – A Origem do Cabra da Peste é aquele tipo de filme que vale pela coragem e pela iniciativa. Transformar a cultura do Nordeste em uma jornada de ficção científica acessível para a criançada é um golaço, e a dublagem brilha com o talento inegável do nosso elenco nacional.

Contudo, para o público adulto ou para quem espera uma narrativa mais afiada, a obra deixa a desejar. Seja pela animação menos fluida, pelo excesso de sons caricatos ou pelo roteiro que abraça estereótipos batidos, o filme acaba perdendo a chance de ser tão inovador quanto sua premissa. Ainda assim, para um passeio em família regado a pipoca e ao humor de ícones como Tadeu Mello e Falcão, o salto para o ano 3333 garante suas boas risadas.

Onde assistir ao filme Cordélicos – A Origem do Cabra da Peste?

O filme está em cartaz nos cinemas brasileiros.

Trailer da animação Cordélicos – A Origem do Cabra da Peste (2026)

YouTube player

Elenco do filme Cordélicos – A Origem do Cabra da Peste

  • Bruno Garcia
  • Tadeu Mello
  • Raissa Xavier
  • Carol Góes
  • Marcelo Mansfield
  • Felipe Mazzoni
  • Falcão
Escrito por
Juliana Cunha

Editora na ESPN Brasil e fã de cultura pop, Juliana se classifica como uma nerd saudosa dos grandes feitos da Marvel.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Procuram-se colaboradores
Procuram-se colaboradores

Últimas

Artigos relacionados
Emma Corrin e Maika Monroe no filme 100 Noites de Desejo de 2026
Críticas

‘100 Noites de Desejo’ e o poder das mulheres que contam histórias

Às vezes, as melhores surpresas no cinema chegam de mansinho, sem aquele...

filme O Sussurro de 2026
Críticas

Novo terror uruguaio-argentino da HBO Max vai bugar a sua mente

O cinema de terror sul-americano, especialmente na região rioplatense (Argentina e Uruguai),...

Jennifer Lopez e Brett Goldstein no filme Paixão de Escritório de 2026 da Netflix
Críticas

‘Paixão de Escritório’: Jennifer Lopez e Brett Goldstein resgatam a era de ouro das comédias românticas

Sabe aquela comédia romântica adulta e bem produzida que praticamente sumiu das...

Marlon Wayans, Shawn Wayans e Regina Hall em cena do filme Todo Mundo em Pânico 6
Críticas

‘Todo Mundo em Pânico 6’ ri na cara do politicamente correto em sua volta triunfal (com spoilers)

A franquia Todo Mundo em Pânico nunca teve medo de ultrapassar limites,...

cena do filme Todo Mundo em Pânico 6 com referência ao terror Corra
Críticas

‘Todo Mundo em Pânico 6’: entre a nostalgia e o excesso de referências

Poucas franquias de comédia conseguiram marcar tanto a cultura popular dos anos...

He-Man empunha a espada em cena do filme Mestres do Universo de 2026
Críticas

‘Mestres do Universo’ resgata a magia de He-Man para uma nova geração

Poucos personagens simbolizam tão bem o imaginário fantástico dos anos 1980 quanto...

homem negro sem camisa com mãos atrás dele em cena do filme brasileiro Labirinto dos Garotos Perdidos de 2026
Críticas

Com sangue vivo e estética giallo, ‘Labirinto dos Garotos Perdidos’ resgata o cinema de transgressão

Labirinto dos Garotos Perdidos é um longa-metragem brasileiro que combina elementos de...