Honestino é um longa-metragem brasileiro que combina documentário e ficção sob a direção do cineasta amazonense Aurélio Michiles. Após percorrer o circuito de festivais em 2025, incluindo exibições no Festival do Rio e na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, a obra se prepara para o seu lançamento comercial nos cinemas.
O projeto resgata a trajetória de Honestino Guimarães, líder estudantil e presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) perseguido durante o regime militar, utilizando uma abordagem narrativa que une dados históricos, material de arquivo e cenas dramatizadas protagonizadas pelo ator Bruno Gagliasso.
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Sinopse
Fusão entre documentário e ficção, o filme conta a história de Honestino Guimarães, líder estudantil da geração 68, presidente da UNE e aluno da UnB (Universidade de Brasília). Preso cinco vezes por sua militância, Honestino foi sequestrado em 1973, aos 26 anos, e é uma das centenas de pessoas desaparecidas durante a ditadura militar.
A partir de arquivos e escritos inéditos, depoimentos de familiares e amigos, e cenas interpretadas por Bruno Gagliasso, o filme reflete sobre sua luta, legado e o Brasil que ele sonhou transformar.
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Crítica do filme Honestino
Embora o material de divulgação destaque as sequências dramatizadas, a obra se estrutura predominantemente como um documentário tradicional, utilizando as reencenações de forma pontual para complementar o painel histórico.
Essa escolha narrativa reforça a vocação do cinema documental como um instrumento rigoroso de preservação da memória, fundamental para resgatar biografias e evitar o esquecimento de personalidades decisivas para a história do país.

























A dimensão histórica de um líder estudantil
O meu contato inicial com a trajetória de Honestino Guimarães por meio da projeção revela o quanto sua figura permanece desconhecida de grande parte do público, apesar de sua relevância histórica.
Ao detalhar sua atuação e sua liderança no movimento estudantil, a narrativa demonstra com clareza que o militante ocupa um lugar central na resistência ao regime militar, devendo ser reconhecido como uma das personalidades mais expressivas da luta pela democracia no Brasil.
O cenário de repressão na UnB
A Universidade de Brasília (UnB) é apresentada não apenas como o espaço físico onde os principais eventos ocorreram, mas como o centro das mobilizações intelectuais e políticas conduzidas pelos estudantes na época.
Por meio desse contexto, a narrativa expõe a atuação repressiva do Estado durante o período ditatorial, demonstrando a gravidade das perseguições, das prisões e do aparato de violência direcionado aos jovens que se opunham ao governo autoritário.
A recusa ao exílio e a firmeza do propósito
A recusa em deixar o país e buscar o exílio no exterior evidencia o grau de comprometimento de Honestino com a causa que defendia. Por entender que sua atuação deveria permanecer em solo nacional, o líder estudantil assumiu os riscos da clandestinidade em um período de intensa repressão, uma decisão que ressalta sua firmeza ideológica e o desfecho trágico de sua trajetória.
Essa escolha consciente de permanecer no Brasil reforça a dimensão do seu sacrifício pessoal em nome de seus ideais. O registro desse posicionamento ajuda a compreender a gravidade do cenário político da época e a coragem necessária para enfrentar o regime em seu próprio território.
Depoimentos fortes
O resgate histórico é fortalecido pela inclusão de relatos de amigos e companheiros de militância que compartilharam o cotidiano com o protagonista entre os anos de 1968 e 1973. Essas entrevistas ajudam a recompor o panorama social e político da época, mas também abrem espaço para compreender as consequências dessa repressão na esfera íntima.
Nesse sentido, o depoimento de sua filha ganha particular relevância ao revelar a existência de uma única lembrança do pai, acompanhada pela incerteza sobre a real veracidade dessa memória. Esse relato direto e reflexivo ilustra de maneira exata o impacto prolongado que o desaparecimento forçado provoca no ambiente familiar.
Recriação dramática e linguagem técnica
A participação do ator Bruno Gagliasso nas sequências dramatizadas confere presença física ao protagonista, auxiliando na recriação de momentos centrais de sua trajetória. Essa composição é integrada a uma estrutura narrativa que articula os depoimentos, o material de arquivo e as imagens gravadas nas próprias instalações da Universidade de Brasília.
A eficiente articulação entre o roteiro, a fotografia e o trabalho de montagem, reconhecido com premiações no Festival do Rio e no Fest Aruanda, garante a fluidez da obra ao conectar o registro documental com as reconstituições de época.
Filme Honestino é bom?
Honestino é uma obra fundamental para quem deseja conhecer ou aprofundar o entendimento sobre a trajetória de uma figura histórica relevante, porém pouco difundida no debate público atual. A condução do projeto é favorecida pela experiência do diretor Aurélio Michiles no campo da pesquisa documental e por sua vivência pessoal no ambiente acadêmico da Universidade de Brasília durante aquele período.
Essa proximidade com o espaço e com os acontecimentos confere ao longa-metragem um caráter rigoroso e respeitoso, resultando em um registro indispensável sobre a resistência estudantil e a preservação da memória política do país.
Onde assistir ao filme Honestino?
Honestino estreia nos cinemas em 13 de agosto.
Trailer de Honestino (2026)
Ficha técnica
- Título: Honestino
- Gênero: Documentário / Drama / Biografia
- Direção: Aurélio Michiles
- Elenco Principal (Dramatização): Bruno Gagliasso
- Participações (Depoimentos): familiares, amigos e companheiros de militância de Honestino Guimarães
- País de Origem: Brasil
- Ano de Produção: 2025
- Exibições em Festivais: Festival do Rio, Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Fest Aruanda
- Data de Estreia nos Cinemas: 13 de agosto
















